OTIMISMO DA IATA PARA 2015 EXCLUI OS TRANSPORTES AÉREOS BRASILEIROS

 

Foi frustrante para as empresas da Ásia, em particular para Emirates, Qatar e Singapore Airlines verificar que no meeting anual da IATA, realizado em Miami, o problema de suas relações com as americanas Delta, American e United não foi focado pela Associação que une a totalidade das empresas aéreas do mundo. O diretor geral da entidade, Tony Tyler, fez apenas referencias ao contraste que surgiu quando as três aéreas dos Estados Unidos divulgaram que as congêneres do Golfo haviam recebidos cerca de US$ 42 bilhões dos respectivos governos: com esse dinheiro elas teriam conseguido superar as barreiras econômicas que afligem a maioria das companhias aéreas e, principalmente, tirando tráfego das americanas com a oferta crescente de um número de frequências, serviços de bordo mais refinados, além de interferir com suas tarifas nos mercados da Europa onde fazem seus stops nos vôos entre os EUA e a Ásia. Segundo a revista Airline Business de julho/agosto, ele, após afirmar “não é um segredo que existe tensão na indústria, acrescentou  “ qualquer que seja vosso ponto de vista  - a IATA não é o campo de batalha no qual será encontrada a solução.E não temos recebido de vocês ,nossos membros, algum mandato para tomar posição nesse assunto”.

De fato, o que se viu durante o meeting, foi a evidência de que ninguém queria assumir a responsabilidade de levantar o problema, inclusive o chief executive da Qatar, Akbar Al Baker, que apesar de notório por seus extremismos nada fez para abrir a discussão. De sua parte, o presidente da Emirates, Tim Clark, afirmou à imprensa que o nível da “tensão” entre as duas partes estava estacionado em “7,3 º on the Richter scale”, uma das mais elevadas quando aplicada à violência dos terremotos. Foi notado também que as três empresas americanas interessadas em decidir se nesse contraste devia ser mantido o acordo de open Sky com as asiáticas, - cujo texto proíbe a participação governamental na administração das aéreas - assumiram em seus encontros com a imprensa atitudes “soft”, talvez influenciadas pelo fato que a opinião pública de seu país não demonstrou recentemente que apoiava suas exigências, pois sem a competição seria inevitável o sucessivo aumento das tarifas de parte das aéreas nacionais.

Na reunião da IATA foram analisados os resultados estimados da indústria até o mês de junho deste ano, considerados positivos, com sensíveis aumentos das receitas, “mas com a margem de lucros permanecendo relatively week”. Todavia as estimativas pelo ano inteiro elevou o índice do “net profit” para US$ 29,3 bilhões, valor que representa quase o dobro dos US$ 16,4 bilhões registrados em 2014 e aumenta de US$ 4 bilhões o forecast anterior feito no começo de 2015. Se ele se confirmar, este será a sexto ano consecutivo no qual a indústria fecha seus balanços com ganhos líquidos, elevando pela primeira vez até 7,5% esse índice. Do total caberão às empresas americanas US$ 15,7 bilhões, enquanto as européias terão lucros de 5,8 bilhões de dólares e as asiáticas US$ 5,1 bilhões. O custo reduzido do combustível contribuirá  ao notável crescimento previsto nos Estados Unidos, com efeitos menores nos países que dependem do câmbio com a moeda americana .

Nas previsões da IATA a America Latina aparece como a mais fraca, com menos de US$ 1 bilhão de lucro, valor todavia superior ao de 2014, tendo o chief executive do grupo Latam,Enrique Cueto, em entrevista concedida à revista confirmado que esperava “um crescimento modesto na economia do Brasil”. Essa possibilidade está se refletindo nos resultados das operações da Tam (associada à Lan Chile) e deverá influenciar de maneira negativa a performance da America Latina, da qual o país é o maior participante. Há seis meses ,após a posse em Brasília do novo governo federal, a previsão da IATA para a inteira região ( contando com o bom desempenho de Colômbia e Chile ) havia sido de um “profit” em volta de US$ 1,2 bilhão , agora reduzido a US$ 600 milhões devido à crise da economia brasileira , valor ainda acima do lucro zero registrado no ano passado.O texto da revista analisa os efeitos negativos nas receitas da Gol e da Tam da atual conjuntura e reporta declarações dos representantes das duas empresas que esperam numa melhoria do tráfego, mas por enquanto decidiram reduzir o numero de seus vôos no país.

Até o ano passado parecia iminente a realização do projeto de apoio governamental à construção de pequenos aeroportos em várias regiões do Brasil e a sua participação, com subsídio às empresas, no desenvolvimento de uma ampla rede de conexões entre cidades menores. Mas a crise atual e o vigoroso corte de despesas parecem agora excluir a possibilidade desses investimentos, E as empresas nacionais devem também enfrentar o ônus da desvalorização do real no câmbio com o dólar, que encarece suas dívidas com o exterior, em particular para o pagamento dos leasings de aeronaves.