A VERDADEIRA CAUSA DO CONTRASTE ENTRE USA E AÉREAS DO GOLFO

 

As empresas aéreas americanas estão lucrando neste 2015 como nunca. Mas a política das aéreas maiores,American,Delta,United entre as outras, continua não facilitando a sobrevivências das congêneres que operam nas rotas domésticas ou para destinos menos procurados pelos viajantes.Há poucos meses o governo americano foi explicito em condenar a atitude dessas companhias,que dificultavam com suas tarifas as atividades das menores,numa competição que visava principalmente embarcar passageiros em trechos domésticos de conexão para o exterior.

Nesse contexto se insere o contraste com as aéreas do Golfo, supostamente pelo fato que elas receberam bilhões dos respectivos governos, mas que na realidade visa apenas cancelar o acordo de Open Skies, para bloquear a expansão de Eithiad, Singapore e Qatar nos mercados dos Estados Unidos e o continuo aumento dos embarques de viajantes americanos nos sempre mais numerosos vôos para a Ásia via escalas na Europa, e vice-versa.

 A revista ATW online tem publicado um artigo de Karen Walker, como sempre explicito e documentado, no qual a questão do contraste é debatida com realismo, quase adiantando o resultado do exame de uma comissão ad hoc, exigida pelo governo e sobre a qual a também IATA recusou de se pronunciar no meeting de Miami.

A jornalista escreve que a ameaça de America, Delta e United de cancelar o acordo de Open Skies com as empresas Emirates, Etihad e Qatar estava preocupando “até o prefeito de Chicago” pela conseqüências que poderá ter na redução dos serviços aéreos para a cidade, além “da perda de bons oportunidade de trabalho para os americanos”. E ela levanta a pergunta: “Mas esta grande disputa entre as três maiores empresas dos EUA e do Médio Leste foi causada pelo pagamento de subsídios e por operações incorretas, ou estão em jogo outros interesses maiores?” Antes de tentar responder, a autora lembra que nesses últimos 12 ou mais meses nos quais a campanha andou crescendo como uma bola de neve, ”Porque agora?” foi a pergunta repetida com mais freqüência, considerando que o acordo de céus abertos entre Estados Unidos e essas regiões vigora há vários anos e aqueles específicos com Emirates, Etihad e Qatar estão sendo operados desde uma década ou mais, “porque somente agora American, Delta e United estão vendo as supostas incorretas e subsidiadas atividades das empresas do Golfo, que elas querem sejam investigadas pelo governo dos Estados Unidos?”.

Nenhuma aérea americana respondeu diretamente essa questão, mas a jornalista relata que segundo observadores da indústria tudo começou quando, em outubro de 2013, a Emirates lançou um vôos diário entre New York e Malpensa (um aeroporto de Milão) com extensão até Dubai e com serviço de quinta liberdade, fato que não seria insólito, pois já ocorria na operação da Singapore para Newark, via Frankfurt. Sem contar que a 5ª liberdade é permitida não somente nos liberais acordos de Open Skies, mas é também um item essencial nos acordos com operadores “all cargo”, do tipo Federal Express. No vôos para Milão quando a Emirates passou s operar no lugar de um Boeing 777 um Airbus A380, deu a alguns observadores a impressão de que estava sendo operado um serviço “predatório”, ainda mais considerando que com isso o mercado trans atlântico viu um competidor relativamente recente se apresentar com 140 aeronaves A380 entre as in operação e aquelas encomendadas. Teria sido a esse ponto que as companhia chefiadas pela Delta decidiram das combate, para ver se é verdade que quem luta ganha.

Ma existem outros aspectos da presença das empresas do Golfo que incomodam as americanas. Num sumário da restrições que elas levantam e que são citadas no texto da ATW online,tem destaque a multiplicação do número de destinos escolhidos nos Estados Unidos pelas três,além do anúncio dado pela Qatar de que a partir de maio próximo estará operando mais voos de Doha para Atlanta,Boston e Los Angeles; é também criticado que as três não cuidam somente do tráfego direto de/para os EUA e seus pequenos países, mas absorvem também passageiros nos stops intermediários de seus vôos; last but not least tem a acusação de ela não pagarem interesses sobre os empréstimos recebidos sob diferentes formas do governo,que totalizariam US$ 42 bilhões :com essa disponibilidade de capitais não permitida pelo acordo, elas aumentam as frotas e as freqüências.

Para reagir, Delta, American e United tem até utilizado impropriamente, como anexo no “White paper” encaminhado ao governo, um texto que descreve o crescimento das empresas aéreas árabes, escrito pelo acadêmico Frankie O´Connell: o autor reagiu afirmando que houve uma interpretação “inaccurated” e maliciosa de suas palavras, visando objetivos sem relação com a finalidade de seu escrito.

Enquanto é aguardado desde o deadline de maio o relatório que o governo Obama tem solicitado às autoridades competentes, antes de decidir sobre qual “action, if any, should be taken”, domina a sensação que o enfoque do suposto problema seja atualmente diverso. Vários novos elementos, além dos esclarecimentos prestados pelas três empresas do Golfo – detalhados no longo texto da jornalista do ATW -  teriam em parte desmotivado até as aéreas americanas : entre eles há o peso da opinião pública ,com os usuários dos serviços aéreos contrários à possibilidade de perder as vantagens de uma competição que agrada à maioria.