APÓS A BONANÇA, BRASILEIROS REDUZEM VIAGENS AO EXTERIOR

 

Não passaram muitos anos desde quando o governo do país enfatizava a subida de milhões de brasileiros das classes D e C para a classe B. Eles haviam saído do aperto financeiro e podiam ter um regime de vida melhor. E as viagens se tornaram parte integral desse up-grade e logo os novos viajantes descobriram que indo ao exterior, em particular a Nova York ou na Europa, podiam até ganhar dinheiro, adquirindo produtos bem mais caros no país, para revendê-los com lucro.

Assim começou a corrida que na maioria dos casos acabava com quilos de excesso de bagagem que por ordem superior a Alfândega evitava taxar. Foi um oba-oba que parecia interminável,que contou inclusive com a participação das autoridades americanas, mais solertes na concessão de vistos que antes demoravam mais de um mês. Aliás, a maioria das grandes cidades dos Estados Unidos se estruturaram para oferecer toda “assistência” aos visitantes brasileiros, cuja compras de até US$ 5.000 contribuíam para que as lojas de produtos eletrônicos, brinquedos, enxovais para bebês e artigos em geral vendessem como nunca antes. Até contrataram vendedores brasileiros,para facilitar os contatos com esses visitantes que ocupavam a terceira posição na classificação  dos maiores compradores estrangeiros .As coisas mudaram e  atualmente, enquanto os funcionários lusófonos estão sendo demitidos em várias lojas de New York ,os que falam chinês continuam sendo procurados pelos vendedores de produtos mais caros.

As mudanças negativas ocorridas no quadriênio da passada administração brasileira, são de responsabilidade da presidente que deixou-se influenciar pela política econômica errada do ministro Guido Mantega. Tão errada que em fevereiro passado chegou a ser criticada numa pesquisa especial da revista “The Economist” ,que antes em várias ocasiões havia recomendado ao governo brasileiro de demitir o ministro.Sob o título “The crash of a Titan” a prestigiosa publicação inglesa resumiu e criticou os chamados “ sharp ups and downs” brasileiros registrados nos passados 25 anos. Lembrou que no começo dos anos 90 o país havia acumulado uma inflação acima de 2.000%%, e que as mudanças ocorridas com a vinda providencial do real em 1994 (sem dispensar em 2002 mais uma ajuda do Fundo Monetário Internacional), fizeram até 2008 crescer o Brasil à media anual de 4%, se tornando um “titan of growth”. A bonança durou quase uma década, mas já terminou. Acabou a corrida consumista patrocinada pelas facilitações oferecidas por Mantega, o limite inflacionário foi superado e já chegou a 8% enquanto Joaquim Levy,o ministro das Finanças que assumiu o encargo de reestruturar a economia do país,condiciona a melhoria da conjuntura a onerosos cortes nos gastos governamentais e  a novos impostos. As medidas inicias já reduziram os lucros, provocaram mais de 50 mil demissões, e estão afetando em particular os ex-integrantes das classes C e D que nos últimos anos assumiram compromissos financeiros cujos vencimentos não conseguem mais pagar. No novo panorama econômico assumiram evidência as mudanças que estão ocorrendo no movimento turístico, que chegou a totalizar gastos no exterior próximos dos US$ 25 bilhões ao ano, contra entradas modestas propiciadas pelos turistas estrangeiros, atualmente em diminuição devido à valorização do dólar é aos aumentos no país dos preços de hotéis e da alimentação.

Somente as passagens aéreas tiveram em vários períodos do ano reduções consistentes, em particular as internacionais: mas elas exigem que as empresas voem com índices de aproveitamento acima de 80%. Enquanto as brasileiras acreditam que na baixa estação poderão manter tarifas de US$ 450,94 para Miami (contra US$ 750,74 em abril do ano passado) ou de US$ 832,35 (contra US$ 516,07 para Nova York), e reduções de até 22% nos tickets para a Europa, várias empresas estrangeiras parecem desconfiar do atual potencial turístico do país e cortaram vôos, dos cerca de 800 que operavam em março passado, contra pouco mais de 360 das brasileiras (30%).

Mas o mercado para os Estados Unidos não teria respondido aos descontos como as aéreas esperavam: dizem que por causa do aumento da taxa de câmbio do dólar, mas na realidade é a conjuntura do país que, pelas razões econômicas já citadas, reduziu a disponibilidade financeira de muitos recém-integrantes da classe B, que na euforia assumiram parcelamentos com a compra de imóveis ou de carros que agora tem dificuldades para cumprir. Isto é: com as previsões de meses difíceis ao longo deste 2015, o turismo passou em segundo plano, em particular para os Estados Unidos após que  o dólar mais caro mudou a conveniência das compras .

Atualmente o mercado doméstico é mais dinâmico. Estatísticas dos embarques na Ponte Aérea entre Rio e São Paulo tem seus números em aumento. Elas informaram que em 2014 cerca de 4 milhões de pessoas voaram entre as duas capitais : segundo as empresas, nada menos que 85% delas pertencem à classe A e 70% são executivos.E este ano os numerosos feriados estão contribuindo para manter elevados os embarques , propiciando à indústria -  já favorecida pela redução  de custos operacionais devida ao menor preço do barril de petróleo - lucros compensadores de eventuais perdas no tráfego internacional .