AZUL ADQUIRIU A TAP, MAS NEM TUDO É AZUL

 

Em 18 de agosto de 2012 podia ser lido neste informativo um artigo cujo título “Alvo da Azul é mais alto” apresentava previsões de expansão doméstica e internacional da empresa de David Neelman, o ex CEO da JetBlue americana, por ele fundada e da qual se demitiu em 2006, depois de uma colossal confusão que manteve presos por horas nas aeronaves da companhia milhares de passageiros. Em seguida ele se transferiu para o Brasil e, traduzindo JetBlue em Azul , inseriu com crescente destaque a sua nova empresa  entre Tam,Gol  e Avianca .O texto do site Aeroconsult dizia:

“No sombrio panorama dos transportes aéreos brasileiros, outras empresas continuaram operando na era post-Varig sem sucesso, até o aparecimento da Azul, recebida com honras e promessas pelo então Ministro da Aeronáutica, e com fartos financiamentos pelo BNDES e pela Embraer. Em breve David Neelman, ex-presidente da JetBlue e fundador da também colorida Azul brasileira, soube impor os serviços de seus pequenos aviões aos da Boeing e da Airbus concorrentes nas rotas nacionais, descobriu novos destinos regionais: e passou a operar pelo dobro das cidades voadas pela Gol, ainda mais na comparação com a Tam e quase cinco vezes acima do número de cidades servidas pela Avianca. E enquanto as congêneres choram no Planalto suas dificuldades financeiras, Neelman afirma que expandirá os serviços da Azul sem precisar recorrer ao bilhão de reais que os acionistas estavam dispostos a investir na aérea, ao ser anunciada a ainda não realizada abertura de capital de sua empresa.

“O plano de ataque da Azul às rotas internacionais começará nos Estados Unidos, o destino mais procurado pelos brasileiros, aquele com mais opções de vôos ainda abertas para compensar a reciprocidade do amplo acordo bilateral assinado pelos dois países. Além de aviões modernos e de uma imagem solida, ele oferecerá a seus usuário a possibilidade de viajarem para cidades dos Estados Unidos pelos voos da JetBlue, e no Brasil para todas as 104 que até agora fazem parte de sua rede nacional.

Analistas conhecedores das formas de crescimento adotados pelas aéreas de maior sucesso, estão prevendo que os anunciados vôos para Miami, Orlando e Nova York não serão suficientes para justificar as operações internacionais da Azul. Eles  levantam “suspeitas” em relação aos planos de expansão da companhia nos Estados Unidos, a partir de quando receberá aviões big-size como os A350-900, que seriam dispensáveis para competir nas rotas tradicionais com as várias empresas americanas que ainda utilizam os Boeing 767.A escolha dos Airbus europeus poderia ser considerado um indício de intenções ainda não oficialmente divulgadas, incluindo a já debatida eventualidade de aquisição da Tap portuguesa, com seus A330 e A340 já na frota e também com os novos modelos Airbus já encomendados. A soma das duas frotas cobriria no médio prazo uma serie de escalas no Velho Continente e teria um amplo potencial para se expandir. Essa fusão, como se sabe, contaria com o total apoio do Planalto, que parece torcer para que a Tap não seja adquirida pela Avianca, única provável candidata atual no novo leilão que deveria privatizar empresa aérea.

Dentro desses parâmetros, por enquanto apenas esboçados nas previsões de alguns analistas, mas que talvez já estão nos planos de expansão da Azul, o Brasil voltaria a ter uma empresa de bandeira operando no hemisfério norte ao lado de tradicionais aéreas americana e no Atlântico Sul em conjunto com uma companhia portuguesa de prestígio, que liga com mais de 70 voos semanais a Europa e o Brasil.”.

Na quinta-feira passada a Azul foi escolhida pelo governo português para ficar com a Tap, tendo ganho a competição da Avianca, candidata derrotada pela segunda vez nessa tentativa. Derrota que não surpreendeu, pois a Azul já há muito tempo contava com a preferência da presidente Dilma,que supostamente teria evidenciado diretamente ao governo de Lisboa o seu apoio à Azul ,por ocasião da  atual viagem à Europa .O fato que ambas as empresas falam o mesmo idioma e a oportuna associação da Azul com um empresário português devem ter contribuído à escolha governamental. Faltam outros detalhes, mas parece lógico que não foi a diferença de poucos milhões de euros no valor da proposta que decidiu a “briga”, considerando a vantagem da Avianca ao oferecer a disponibilidade imediata de mais Airbus para entrarem na carente frota da Tap.

Todavia nem tudo é azul e definitivo nesta compra. Permanece grande insatisfação entre o funcionalismo da empresa e os sindicatos mantém a sua posição contrária à venda da Tap, contando agora com a vitoria do Partido Socialista nas próximas eleições para “desfazer o negócio”, ainda carente de varias aprovações oficiais para validar a compra.

Se na conclusão a Tap ficar com a Azul, as duas empresas que atualmente operam em virtual joint venture deverão numa primeira fase integrar seus serviços, e eventualmente mudar seu logotipo. E Neeleman deverá dar transparência aos balanços da Azul  para que os novos financiadores possam somar seus esperados superávits aos da Tap , contrariamente ao acontecido em outra fusão na Europa, onde a Iberia teve a sua imagem minimizada pela British Airways.