A ANAC RESISTE À PRESSÃO AMERICANA PARA CÉUS ABERTOS

 

O grupo Latam, ao qual pertence a Tam, parece não ter receios da competição das empresas aéreas americanas. De fato a companhia brasileira, que opera 72 voos por semana para os Estados Unidos, tem criticado a atitude da Agencia Nacional de Aviação Civil, Anac, por ter orientado o governo a não ratificar em outubro o acordo de “ceus abertos” ,open skies,.assinado há mais de uma década e implementado por etapas. Basicamente, com esta assinatura final não haveria mais limitação ao número de voos que Delta, United e American operam para São Paulo e para o Rio de Janeiro. Atualmente elas voam sem restrições  para várias outras capitais brasileiras, mas é obvio que esse tráfego,nos dois sentidos,não absorve toda a capacidade oferecida por suas modernas aeronaves.

Bem fez a Anac em não recomendar a ratificação do acordo pois , apesar da conversa dos mais interessados, o aumento do número de vôos nesta conjuntura do país não teria efeitos na vinda de mais americanos e ainda menos nos embarques de brasileiros para os Estados Unidos.

Nem todos na indústria de transportes aéreos entenderam que com o dólar a 4 reais, os brasileiros desejosos de férias descobriram destinos nacionais que, apesar dos abusos de preços praticados em vista das próximas Olimpíadas, são mais baratos que uma viagem a Nova York e a Miami, agora que os preços da maioria de produtos e serviços oferecidos não são tão convenientes. Sem contar os controles da alfândega nacional,que pode impor taxas ou multas aos passageiros chegando com compras acima de US$ 500. De outro lado Tam, Gol e Azul não valorizaram os efeitos promocionais que, com a participação das agências de viagens locais, teria junto dos turistas potenciais a vantagem de trocar cada dólar por 4 reais. Mais “gringos” no país e menos brasileiros viajando pala os States seria a formula para melhorar os balanços de hotéis, restaurantes e serviços turísticos nacionais.

Parece que a história da aviação do país alertou a Anac sobre os riscos de uma abertura para a vinda de mais vôos de empresas americanas, considerando que Tam,Gol e Azul não teriam equipamentos para atuar num mercado aéreo em crescimento : pelo contrario elas até reduzem suas freqüências, como já fez a Azul na rota para Orlando.

A abertura sem limites do tráfego aéreo entre países, mais que uma iniciativa foi  uma imposição do  presidente Carter que teve no passado efeitos negativos  quando foi acatada pelo governo brasileiro.Além do erro nacional de conceder autorização à Transbrasil e à Vasp de voarem para os EUA, -  que por direito de reciprocidade permitiu a vinda de mais duas companhias americanas -  outras  concessões abriram os céus brasileiros às possantes congêneres, reduzindo a participação da Varig nesse tráfego. Foi o início de um processo que contribuiu à falência da empresa nacional, enquanto as duas inexperientes novatas desistiam de utilizar seus “direitos de tráfego” se encaminhando também para a falência. Mas as empresas americanas continuam operando e atualmente embarcam mais do dobro do número de passageiros transportados pelas brasileiras.

Há afirmações de economistas segundo as quais mais vôos favoreceriam os usuários, pois aumentando a competição obrigariam as empresas a reduzir as tarifas.É isso que está acontecendo agora, em conseqüência da redução da demanda, causada pelo trend negativo da economia . De fato as companhias nacionais costumam baixar as tarifas quando seus yield managements assinalam caídas no número de reservas, mas tendo custos operacionais mais elevados daqueles das congêneres estrangeiras elas não podem sustentar essa política de descontos por muito tempo. Nem a Gol nem a Tam tem estruturas financeiras que lhes permitam operar com perdas somente para melhorar o aproveitamento .

Ciente dessa realidade econômica ,coube à Azul pressionar a Anac para que evitasse de oferecer mais opções às empresas americanas : no máximo,para salvar as aparências, poderiam ser feitas algumas concessões permitindo mais aterrissagem em São Paulo e no Rio,sem esquecer que o maior potencial de embarques das aéreas brasileiras está concentrado nessas duas capitais e que cada concessão vais ser multiplicada por três companhias estrangeiras, incluindo a Delta, que já está oferecendo mais uma freqüência entre São Paulo e Orlando .

As empresas americanas não gostaram da procrastinação brasileira, sem que haja uma data para o Congresso ratificar o acordo aéreo assinado, e teriam recorrido à Justiça . Para elas a liberação total da oferta de freqüências nas rotas entre os dois países é neste momento apenas uma questão de princípio, mas é evidente que elas estão de olhos no próximo futuro, quando o Brasil sair da crise e os turistas voltarem a escolher os destinos americanos. Atualmente os vôos vindo do norte tem aproveitamento médio mais que razoável, impulsionado pela valorização do dólar no Brasil e há previsões das companhias americanas de crescimento da demanda na época de férias.