TRANSPORTES AÉREOS E CRISE ECONÔMICA DE 2015

 

Assim como se tornou um habito viajar intensamente nos finais de ano, à procura de férias e de descanso, os analistas costumam divulgar suas previsões em relação ao esperado movimento turístico. Em particular são elaboradas estimativas sobre o tráfego aéreo, que nos tempos atuais é o mais representativo dos meios de transporte.

Os turistas fazem as suas escolhas: há quem prefere voltar onde já esteve e gostou, e quem costuma mudar, para conhecer outras terras e gravar imagens enriquecedoras de suas lembranças. Há milhões de viajantes potenciais na fila de espera para 2015:no Brasil eles se dividem entre os que aguardam um passaporte até por alguns meses ,para realizar no exterior sonhos culturais ou compristas, e os que adquirem programas nacionais a preços nada convenientes se comparados , por exemplo, com aqueles de Buenos Aires ou Nova York.

A expectativa do fluxo turístico anual, que se baseia em geral sobre dados estatísticos e previsões econômicas, no caso brasileiro continua dando ênfase ao aporte de uma nova classe de viajantes, que recentemente surgiu da evolução do nível social D para o B e que, fazem alguns anos, eleva o aproveitamento de assentos nas aeronaves das empresas nacionais e estrangeiras. Grande beneficiárias desse crescimento são as companhias americanas,que a cada ano aumentam o número de suas freqüências,enquanto as brasileiras nem chegam a 50%  do vôos autorizados.Vôos que no próximo mês de outubro serão “ilimitados” pois se concluirá a etapa final do acordo de “céus abertos”,que segundo as autoridades dos Estados Unidos poderá elevar a taxa média de crescimento do número de vôos entre os dois países para até 6,5%, sem interferência negativa do aumento da taxa de cambio do dólar.

Em relação ao tráfego aéreo doméstico as previsões não são tão otimistas. Quem tenta quantificar o seu crescimento rentável esbarra em dados estatísticos recentes pouco favoráveis : sabe-se que em 2013 as quatro empresas nacionais que operam na rede doméstica fecharam seus balanços com um prejuízo líquido calculado pela Agência Nacional de Aviação Civil,Anac,em cerca de R$ 2,4 bilhões.E,após o balanço dos três primeiros trimestres,há previsão de perdas também para 2014, apesar das semanas de intenso aproveitamento e tarifas elevadas motivadas pela Copa do Mundo,além do registro de índices de ocupação de assentos que em setembro e outubro chegaram até 80%.

Num ano como 2015, que se anuncia difícil para a economia brasileira, as empresas aéreas não parecem ter ficado assustadas pelas previsões governamentais, e ainda menos pela constatação da IATA que - enquanto assinala melhorias no tráfego internacional - não deixa de lamentar que para uma indústria de custos operacionais elevados como a aérea o lucro médio de 2% (quando ocorre) é insuficiente. Mas  apesar dessas considerações oficiais, as companhias continua ampliando seus investimentos em aviões e em estruturas e milhares de investidores acreditam que um dia as ações de empresas aéreas que possuem se tornarão lucrativas.Entretanto, para este ano já foram anunciados pelas brasileiras aumentos do número de vôos, ignorando que a crise econômica em curso tem efeitos adversos num dos segmentos de tráfego mais importantes,representado pelos executivos das atividades industriais.

Ma não deveriam ser esquecidas as iniciativas que poderão alterar o panorama da indústria aérea do pais. Entre elas se destaca o início das operações internacionais da Azul, que se de um lado representará mais ônus financeiros para a empresa do outro contribuirá para uma pequena redução no desequilíbrio entre as ofertas de vôos para os Estados Unidos  de parte brasileira e americana.Outro evento cujo resultado é no momento imprevisível está relacionado com a privatização da Tap  que, segundo dados não oficiais interessaria ao governo brasileiro: afirma-se em circulo restrito que o Planalto está disposto a fornecer o apoio do BNDES à empresa nacional ( de preferência a Azul e excluindo a Avianca) disposta a investir pouco mais de 1 bilhão de euros na companhia portuguesa, por ser a maior operadora européia para o  Brasil, com 80 voos de ida e volta por semana e pela abertura na Europa e além que a sua rede internacional ofereceria ao Brasil.E ainda, no país deverá ter efeitos importantes no desenvolvimento do tráfego aéreo a anunciada estrutura regional , que se anuncia envolvendo 270 novos pequenos aeroportos .Além do investimento de mais de R$ 7 bilhões,que inclui subsídios às empresas operadoras da nova rede doméstica,o projeto terá efeitos imediatos no incremento do número de embarques nas empresas tradicionais que serão acessíveis  após curtos vôos de conexão.

E há a Medida Provisória 652, que se chegar a ser votada e aprovada na Câmara permitirá que a participação de capitais estrangeiros nas empresas aéreas do país chegue a 49% (dos atuais 20%), ou mais, de acordo com o surpreendente texto apresentado sem aviso prévio numa das últimas reuniões parlamentares.

Com todas essas incógnitas em volta dos transportes aéreos do país, a evolução do tráfego e seus resultados dispensam previsões apressadas, baseadas apenas em dados econômicos. Mais uma vez a industria poderá ter a opção de crescer ou de deixar que sejam as empresas estrangeiras a avançar no mercado nacional.