EMPRESAS AÉREAS: A DIFÍCIL OPÇÃO ENTRE LUCROS  E QUALIDADE DE SERVIÇOS

Neste ano,segundo a Abear, a associação das empresas aéreas nacionais, devido à demanda fraca e aos aviões mais vazios, as empresas aéreas brasileiras estão reduzindo o preço das passagens em suas promoções de fins de semana: elas teriam arrecadado em maio cerca de 20% menos do que o valor registrado no mesmo período do ano passado. A queda de preços teria incentivado os embarques, produzindo um aumento de 3,27% no número de passageiros transportados no mês, que totalizaram 7,862 milhões.

A situação delicada da economia do país tem causado a redução (cerca de 30%) dos embarques de executivos que antes viajavam a negócios e as empresa aéreas vêm tentando substituí-los com os turistas de fim de semana. Segundo a Abear a desvalorização do real frente ao dólar, calculada em 42% nos últimos 12 meses, teria aumentado os custos das empresas. Mas deveria também ter alguma referência ao peso da desvalorização do preço do combustível, que chegou a 50% e que antes era considerado no Brasil um dos itens operacionais mais caros, chegando a totalizar 40% dos custos. Em seu lugar há preocupação pelos efeitos do ajuste fiscal aprovado há poucas semanas pela Câmara, cujo potencial anual de custos adicionais chegaria a R$ 200 milhões. Entretanto, no atual cenário de escasso crescimento (1,03%),a Gol voltou a ocupar a liderança nos vôos domésticos (36,87%) superando de pouco a Tam,que ficou com 36,46% de participação, enquanto a Azul totalizava 17,15% e a Avianca 9,52%.

Nos Estados Unidos a situação é outra. O governo está preocupado com a política comum de crescimento das grandes empresas aéreas, atuando em conjunto no número de vôos, de rotas e de assentos. As autoridades chamam isso de “coordenação ilegal”, envolvendo em particular a American Airlines, Delta Air Lines, Southwest Airlines e United. Elas, que após as fusões realizadas em 2008 controlam atualmente mais de 80% dos assentos no mercado doméstico dos EUA, eliminaram voos que não davam lucro, preencheram uma porcentagem maior dos assentos nos aviões e fizeram um esforço público para limitar o número de voos, a fim de manter os preços mais altos. A estratégia funcionou: o preço médio das tarifas aéreas no país subiu 13% entre 2009 e 2014, já descontada a inflação do período e sem incluir os bilhões de dólares que as empresas obtêm com novas taxas: US$ 25 a cada trecho para verificar a bagagem e US$ 200 para mudar uma reserva doméstica, elevando os seus lucros além limites que o governo considera corretos.

No Brasil, se é verdade a informação lida no site Viajanet, a situação é bem diferente: para compensar a alta do dólar de 17,5%, no mercado brasileiro estariam sendo aplicados descontos nos preços das viagens internacionais que chegam a 45%, na comparação com o ano passado. Aqui, aparentemente por sua conveniência, as empresas americanas aumentaram as freqüências e a capacidade de suas aeronaves, transportando atualmente entre os dois países cerca do dobro das companhias nacionais.

E na visão global da IATA, a demanda por viagens aéreas cresceu 6,9% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, superando o índice de abril, quando a alta chegou a 5,7%%. A Associação não exclui todavia o surgimento de problemas no curto prazo,devidos à crise financeira na Grécia e à recente fraqueza no comércio regional na Ásia-Pacífico.

A maior expansão foi observada em maio na demanda por voos internacionais, que cresceu 7,1%, enquanto o tráfego doméstico cresceu 6,6% globalmente: as maiores taxas de aumento da demanda foram observadas na Índia (+18,2%) e na China (+18,2%), enquanto os piores desempenhos. Entre os países destacados pela IATA, ficaram com o Brasil (+0,8%) e a Austrália (-1.3%).No segmento internacional, mais uma vez chamou a atenção o desempenho das companhias aéreas do Oriente Médio, que registraram uma expansão do tráfego de 14% frente a maio de 2014, seguida das empresas da região Ásia-Pacífico. Com alta de 9,4%. Já as empresas latino-americanas apresentaram um aumento de 7,4%, apesar da fraqueza na Argentina e no Brasil.

Deve ser assinalado que a American Airlines é a aérea estrangeira que mais voa para o Brasil, com 107 ligações semanais de Nova York, Miami,Dallas e Los Angeles para dez cidades brasileiras e, tendo um acordo de code-share com a Tam, detém 66,3% da oferta disponível entre Brasil e Estados Unidos.   A partir de novembro operará o novo 787-8 Dreamliner da Boeing na rota entre São Paulo e Los Angeles. A United é a segunda colocada com 19,9% de participação, após crescer 5% há semanas, se associando a Azul com o pagamento de US$ 100 milhões . A Delta, em terceiro lugar com 13% de share, detém 3% do capital da Gol adquirido com US$ 100 milhões em dezembro 2011.

Cerca de 25% dos quase 9 milhões de brasileiros que viajam ao exterior por avião desembarcam em destinos norte-americanos. No sentido oposto, perto de 2 milhões de turistas dos Estados Unidos viajam por ano para cidades na América do Sul, onde o Brasil tem o maior hub do continente.
Mas as empresas americanas não se distinguem pela qualidade de seus serviços, de acordo com a pesquisa realizadas pela consultoria Skytrax : na classificação das melhores do mundo não há nenhuma delas, enquanto as asiáticas dominaram, ocupando oito posições entre às 10 primeiras colocadas. Este ano o título foi conquistado pela Qatar Airways, que tem um voo diário saindo de São Paulo para Doha. No ano passado, o primeiro lugar havia ficado com a Cathay Pacific Airways. No ranking das cem melhores,  a Tam aparece na 51ª  colocação (em 2014 estava na 42ª) enquanto a Azul subiu do 63º para o 62º lugar.Eis a classificação das  20 melhores do mundo  e entre parêntese  suas colocações em 2014 : Qatar Airways (2) ; Singapore Airlines (3) ; Cathay Pacific (1) ; Turkish Airlines (5) ; Emirates (4); Etihad Airways (9) ; ANA All Nippon Airways  (6);Garuda Indonesia (7) ; EVA Air (12) ; Qantas Airways (11) ; Asiana Airlines (8) ; Lufthansa (10) ; Austrian (21) ;Swiss Int'l Air Lines (13); Air France (25) ;Virgin Australia (15) ; Air New Zealand (16) ; Dragonair (28) ; Thai Airways (14) British Airways (17).