ECONOMIA E PETRÓLEO, OS DESAFIOS DO ANO

 

Nestes primeiros dias de janeiro, passada a alegria do ano novo e após as cerimônias de posse da Presidente e de seus 39 ministros, não sobrou muito otimismo em relação ao próximo futuro da economia do país entre os técnicos e os analistas que tentam prever a evolução dos balanços nacionais em 2015.

Somente as providências que são aguardadas nos setores das finanças e do desenvolvimento econômico geram alguma confiança entre os analistas, apesar da inevitável impopularidade que os ministros deverão enfrentar para eliminar os efeitos das medidas erradas tomadas no ano passado pelo ministro Mantega. A maioria dos restantes titulares, feita exceção pelos mais próximos da Presidente na administração do Planalto, não são vistos como capacitados para enfrentar  os problemas da respectiva pasta.Mais uma vez as obrigações partidárias prevaleceram e sem considerar as qualificações e a experiência dos indicados, houve apenas  a divisão do bolo governamental entre os partidos que contribuíram a reeleger Dilma Rousseff.

Mas serão exigidas medidas radicais para corrigi a conjuntura e motivar os investimentos privados que faltaram em 2014, com previsíveis reações contrárias em vários setores da economia que poderão forçar a Presidente a optar novamente por formulas de compromisso, apesar da atual situação crítica do país.

Entre os desafios que aguardam os ministros da área econômica já tiveram destaques há dias as medidas de contenção de gastos de natureza social, ao serem anunciadas importantes mudanças na política de pagamentos de benefícios aos trabalhadores. Mas o maior desafio será reestruturar as finanças abaladas da balança comercial, com novas normas e incentivos à exportação e a indispensável revisão das prioridades de investimentos. Nesse contexto , o dramático declínio da Petrobras exigirá a correção de uma política que permitiu abusos bilionários na contratação de obras  e uma total reavaliação dos valores que a empresa pretendia dedicar à produção do “ pré-sal”. Ela não poderá manter no período 2015/18 o previsto investimento médio de US$ 44 bilhões, pois a atual imagem da Petrobras – que é a empresa petrolífera internacional com as maiores dívidas do setor (R$ 241 bilhões em junho passado) - rende improvável que consiga captar os bilhões necessários nos mercados internacionais. E há ainda o custo de produção do novo petróleo: enquanto o da Bacia de Campos sai por cerca de U$ 15 por barril o do pré-sal, dependendo da sua localização, segundo a Petrobras deverá variar entre US$ 30 e US$ 70 , valores próximos das estimativas da Morgan Stanley de 56 dólares em águas ultra-profundas e de 52 dólares em águas profundas.  

Baseadas em seus cálculos a Petrobras havia calculado em US$ 100 o preço médio de venda de seu petróleo nos mercados, antes da cotação do Brent cair em volta de US$ 60 por barril. O preço está sendo aceito pela Arábia Saudita sem a menor preocupação, pois tem um custo de produção por barril inferior a US$ 5 (cinco dólares) e não houve interesse de parte dela, na reunião da Opep de fim de novembro, em sugerir as esperadas medidas para reduzir de cerca de 1 bilhão de barris a produção diária dos países aderentes à Organização. Segundo analistas, com essa atitude a Arábia Saudita reconheceu que com a produção de xisto os Estados Unidos se afastaram do mercado mundial, influenciando a caída dos preços pois atualmente a oferta de petróleo excede a demanda: a solução preferida pela Arábia estaria em cotações ainda menores para forçar os pequenos produtores a desistirem de competir nos mercados internacionais. 

Na nova conjuntura, a Petrobrás além de ter de transferir o início de seus investimentos no pré-sal poderá aproveitar a baixa de preço do petróleo (que em janeiro de 2014 ainda estava em US$112,07 por barril) para reduzir o seu prejuízo na venda dos combustíveis, que lhe foi imposto pela política econômica do governo: desde o congelamento de 2011 a empresa teria perdido cerca de R$ 59 bilhões.

Mas praticamente todas as economias dos países importadores terão benefícios da redução dos preços do petróleo se, conforme previsões de vários analistas poderão se manter em baixa ainda por bastante tempo. Os maiores beneficiários serão os transportes terrestres e aéreos, além dos numerosos setores que atuam no campo de derivados.

Entretanto o Brasil, após ter contido por mais de dois anos os preços da gasolina, estará na contra-mão. De fato os consumidores  , apesar da baixa internacional das cotações do petróleo,  já sabem que os combustíveis  estão na longa lista de produtos que precisam de aumentos indispensáveis para cobrir os custos : com eles subirão a energia elétrica, os transportes municipais e  estaduais, além de varias commodities comercializadas no exterior,e a maioria dos gêneros alimentares em venda no país. Haverá um longo e difícil caminho a ser percorrido após a longa parada do país: mas não custa prever tempos melhores.