GOVERNO AMERICANO VERIFICA AS ACUSAÇÕES DE SUAS AÉREAS ÀS EMPRESAS ASIÁTICAS

 

O governo dos USA mandou rever o relatório que acusa as empresas Emirates, Etihad e Qatar de receberem de seus governos bilhões de dólares em subsídios; segundo a revista ATW, Air Transport World, ele mandou instalar também um “open fórum” que receberá informações e pontos de vistas sobre a questão que está agitando suas relações com os países asiáticos. A decisão governamental visa uma analise objetiva do texto divulgado pelas empresas americanas Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines, que acusa as três operadoras do Golfo de incorreta competição aos Estados Unidos, de ameaçar o trabalho dos americanos e de provocar distorções no mercado aéreo global. Segundo o relatório de 55 páginas encomendado pelas aéreas dos EUA,as rivais asiáticas esbanjam novos serviços tendo recebido dos governos ,seus donos,subsídios por mais de US$ 40 bilhões,infringindo também as condições fixadas nos respectivos acordos de Open Skies. O governo decidiu entregar aos US Departments de Comércio, de Estado e de Transporte a função de verificar essas afirmações, por se tratar de matéria de significativo interesse para os acionistas e para as três agências federais. Somente depois de recebido o relatório o governo tomará a oportuna, eventual ação. Em nome das congêneres, tanto a Etihad (que é a menos envolvida na polêmica) como as organizações a favor de uma política de “Fair Skies” no país tem dado sua aprovação á iniciativa.

Entretanto a mesma revista publica uma entrevista com Tim Clark, presidente da Emirates Airlines, sob o título “Fighting Talk”. Logo de início, respondendo às duas primeiras perguntas, ele afirma ter ficado surpreso pelo fato que o relatório americano precisou de dois anos de pesquisas para “sua criação” e pergunta: ”quem pagou por ele? Os acionistas? Como você pode afirmar que é verdadeiro, sem permitir o balanço com outra opinião ou uma resposta a seu conteúdo?” O executivo lembra a seguir que as empresas americanas não voam para 40 destinos nos quais as asiáticas fazem negócios e afirma que a eventual suspensão do acordo de Open Skies com as empresas do Golfo seria prejudicial em particular para os Estados Unidos. Quanto ás finanças da Emirates elas” são solidas desde  o início de 1990” : a empresa foi criada “ whith blood,swear and tears,and faced enormous dificulties and took big risks’ e é “profitable” . Com uma frota de 231 aviões,inclusive 59 A380  e visando possuir os modelos mais modernos ,como o 350, só lamenta a falta de espaço em Dubai que dentro de 5 ou 6 anos a obrigará a se mudar para o Dubai World Center Airport ..

Outra é a atitude da aérea nas 16 páginas de seu “Open Sky Magazine” de maio, dedicadas ao contraste com as empresas americanas. O presidente Clark afirma que a Emirates não recebe e nunca recebeu quaisquer tipos de subsídios de seu governo e enfatiza: “considerando que temos operado para os EUA desde 2004, não conseguimos entender como podemos estar competindo “unfairly” só em 2015”. Em seu editorial ele escreve: ”A realidade é que as três maiores aéreas dos USA e seus parceiros de joint venture, que já controlam cerca de dois terços dos vôos internacionais saindo dos Estados Unidos, querem limitar ainda mais para os usuários americanos as opções de escolha de vôos internacionais”. Por isso a Emirates está trabalhando para rebater ponto a ponto as afirmações do “white paper” americano, detalhando em particular as ocorrências e as providências tomadas em três das acusações do relatório. E enfatiza que  os investimentos governamentais nos  aeroportos asiáticos não podem ser considerados “unfair competition” com os Estados Unidos.

Segundo comentários, a reação americana teria recebido uma nova motivação contra as empresas do Golfo após a divulgação de que em 2016 a Qatar abrirá rotas para Los Angeles, Boston e Atlanta, passando assim a oferecer vôos non-stop para todas as 10 áreas dos EUA que estará servindo a partir da metade desse ano. O lobby americano definiu o plano “outro exemplo de como as aéreas do Golfo atuam utilizando sua grande capacidade subsidiada para impor seus serviços” É evidente que a opção dos usuários pelas empresas asiáticas é influenciada em primeiro lugar pela qualidade desses serviços, operados em aeronaves último modelo, aleatoriamente oferecidas pelas americanas. A comparação, que em particular a  American tenta minimizar se opondo a qualquer concessão de tráfego em território dos USA vem de longe, desde as épocas da Braniff e da Panamerican ,cujos serviços de bordo sempre foram inferiores aos de suas principais concorrentes. Essa constatação fez o CEO da Qatar, Akbar AL Baker, recorrer a uma palavra bastante “grossa” para responder à acusação de que a sua empresa recebeu US$ 17 bilhões em subsídios: após enfatizar que as empresas concorrentes reduziram a oferta visando manter as tarifas elevadas, acrescentou “at the same time provide crap service”, que em linguagem popular equivale à afirmação de que elas oferecem “serviços de m...”.

Está previsto que em junho próximo americanas e asiáticas se enfrentarão em Miami, no anual General Meeting da IATA.