A VARIG É AINDA UM ÍCONE DA AVIAÇÃO

 

No “Time Capsule Blog” da revista Air Travel World, um brevíssimo texto de Kathryn M. Young resume em oito linhas a história da Varig, que é ilustrada por uma grande foto do 747 com os logotipos da empresa. É uma imagem de grande impacto que se destaca entre as modestas informações do blog, integrante o noticiário diário que a prestigiosa publicação dedica à aviação comercial.

As poucas informações sobre a história da Varig, são resumidas nas datas em que “the first national carrier of Brazil” começou a operar (1927), passado para a década de 1980,quando teve início a sua agonia,atribuída a “índices de inflação elevados, problemas políticos e crescente competição” até a bancarrota de 2006 e se encerrando com a sumária referencia à integração na Gol e ao início de suas operações “as a charter carrier in Oct.2007 under the brand-name Flex Linhas Aéreas ,which declared bankrupty in 2010”.

O texto, à parte a magnífica foto do 747, não mereceria ser citado, se não fosse objeto de comentários de parte de alguns leitores do blog “Time Capsule : eles confirmam a fama internacional alcançada pela Varig, em particular pela qualidade dos serviços prestados.

Antes de transcrever esses textos, é oportuno lembrar que a partir dos DC-3 do após guerra, passando por numerosos modelos de aeronaves entre os quais se destacam os 737, os Electras e os DC10, a empresa chegou ao MD-11 da McDonnell Douglas, considerado por suas novas tecnologias, maior autonomia e capacidade de transporte de passageiros e cargas, ideal para competir com os 767 e 747 da Boeing. Os MD-11 substituíram também o 747 da Varig sendo que, entre 1991 e 2006, com nada menos que 26 deles na sua frota a empresa se tornou recordista em numero de aeronaves desse modelo utilizadas por companhias internacionais.

A empresa, apesar dos balanços negativos que desde 1996 tiraram o sossego de seus administradores mais responsáveis, se manteve sempre dinâmica nos mercados internacionais, sendo uma das primeiras a integrar a Star Alliance, atualmente a maior das três “associações” que unem as empresas aéreas.

Em 1998 a Varig deu o seu último grande show ao anunciar durante a Feira de Farnborough a compra de 39 aeronaves da Boeing, com as quais renovaria a sua frota e daria novo brilho à sua presença nas grandes rotas mundiais. Eram 15 modelos do B737-700, 10 do B737-800, 6 B767-300ER e 8 B777-200ER: mas devido às dificuldades de pagamento somente algumas unidades chegaram a ser entregues, tendo a Boeing suspenso a operação. Isso obrigou a empresa a recorrer a aeronaves usadas, incluído os modelos B777-200 para operar com o habitual sucesso em sua rotas mais importantes dos Estados Unidos e da Europa.

Entretanto houve o crescimento da Tam e da Gol no mercado doméstico, após a falência das congêneres Transbrasil e Vasp, enquanto também as afiliadas da Varig - a Rio Sul e a Nordeste - enfrentavam crises e as políticas partidárias do governo federal, além de favorecer as novas empresas, com o bloqueio tarifário tiravam da Varig cerca de 4 bilhões de suas receitas, elevando o montante de suas dívidas para mais de 7 bilhões de reais.

Vieram depois as vendas e revendas das partes essenciais da estrutura da Varig, as manobras da Fundação Ruben Berta para se manter no comando do situação, a chamada recuperação judicial, a falência virtual e a venda à Varig Log.

A história completa aqui apenas esboçada já foi contada de maneira aproximada em dezenas de páginas de jornais, publicada em livros, mas continuam lhe faltando esclarecimentos que somente os ex-funcionários e algum diretores gostariam que fossem divulgados nos detalhes. Mas com o passar dos anos isso se torna sempre mais improvável, pois estão sobrando poucos dos responsáveis e dos protagonistas desse  drama.

Todavia há algo que permanece através das décadas e demonstra por que a Varig foi tão diferente das outras empresas aéreas. Algo que há dias encontramos também ,em idiomas inglês,no texto de Kathryn M.Young que serviu de pretexto para esta apressada  lembrança de fatos que muito ainda não conseguem esquecer.

No artigo inglês do Blog lemos :I had the privilege of flying on Varig from Santiago,Chile,to Buenos Aires,Argentina way back in 1972.It was one of the classiest flights I ever had.James P.Woolsey.

Outro leitor escreve “I had the previlege to be a Varig pilot for 26 beautifull years, until its bankrup. Nineteen of those years as Captain. I flew 737, DC10, MD11 and B777.Unfortunately not the 747. You are right! This Airline was a (and unique) BRAZILIAN BEAUTY.” Roberto V.Janczura

E ainda :”That was truly one of the classiests airlines that ever existed, all of the Brazilian charm coupled with exacting German standards, as the origins of the airline was the Brazilian South, and the leadership heavily first  generation Germans in Brazil.” Ray Concorde

E para encerrar: “I will always regret the demise of such an iconic Brazilian brand, mainly due to dirty politics and not bad management”.

 São apenas algumas pinceladas a mais numa imagem inesquecível.