OS PROBLEMAS TÉCNICOS QUE OS PASSAGEIROS DESCONHECEM

 

Antes foi o 787 Dreamliner, agora e o 777-200ER da Boeing a evidenciar problemas técnicos inesperados que provocaram ou ameaçaram incêndios à bordo. Os passageiros nem imaginam que isso pode ocorrer quando eles estão viajando.

Mas na história da aviação comercial pode ser lido que em janeiro de 2013 a construtora americana suspendeu a entrega de 80 aeronaves 787 ás empresas compradoras, enquanto procurava a causa dos acidentes que se verificaram a bordo desses modelos de aeronaves operados pela Japan, a All Nippon e a ANA.

Os esforços feitos pela empresa de Seattle para resolver o problema criado pelas baterias de íons de lítio que supostamente se incendiaram a bordo de seus aviões são os mesmos que ocorreriam na França se eles fossem da Airbus. Aliás, a construtora européia, que também havia optado por instalar as lithium batteries em seus A350, que se encontravam ainda em fase de montagem, alertada pelo problema enfrentado pela congênere desistiu delas.

Mas a Boeing, que já as havia instaladas nos 787, saiu à procura de novos circuitos, e as baterias de íons de lítio afinal ficaram isoladas numa estrutura que após bloquear eventuais incêndios e fumaça, procederia à “evacuá-los” automaticamente, voltando em seguida a alimentar a normal distribuição da energia. Na emergência a construtora americana  admitiu que “nos últimos dez anos, houve milhares e milhares” de casos de defeitos nas baterias de aeronaves comerciais . Seus aparentes objetivos foram: minimizar a gravidade do problema com as baterias de íons de lítio e tranqüilizar os passageiros sobre as conseqüências de um pequeno incêndio a bordo em pleno vôo. Na ocasião a Boeing  havia entregue apenas 49 das 850 encomendas recebidas e estava com um atraso de três anos.Ela demonstrou  às autoridades que havia encontrado a solução,conseguiu a necessária aprovação,voltou a operar os 787 e reconquistou a confiança dos passageiros.

Sem aviso prévio, como às vezes acontece na aviação, há dias voltou às primeiras páginas dos jornais outro modelo da Boeing, o 777-200ER. Os relatórios oficiais contam que um desses modelos, operado pela British Airways desde 1999, na passada terça-feira 8 de setembro quando estava para decolar de Las Vegas para Londres, teve que suspender a operação ao ser verificado pelo comandante um “major engine fire” que exigiu a intervenção do serviço de emergência do Controle Aéreo do aeroporto. As chamas foram apagadas rapidamente enquanto os 157 passageiros e os 13 tripulantes que se encontravam na aeronave eram ordeiramente evacuados, sendo registrados apenas alguns caso de leves lesões, resolvidas sem problemas.

A British abriu uma investigação, que conta com a documentação fotográfica do vídeo feito por um passageiro que viajava na Southwest Airline: nessas imagens são vistas chamas e uma fumaça negra saindo de um dos reatores do 777, enquanto os que estavam a bordo eram evacuados usando os slides de emergência.

As primeiras investigações identificaram danos externos no reator, na aérea em volta do compressor de alta pressão, e coletaram pedaços de metal a ele pertencentes encontrados na runway do aeroporto de Las Vegas, que se teriam destacados da aeronave na fase preliminar de decolagem, abortada por decisão do comandante. A NTSB, National Transportation Safety Board dos Estados Unidos verificou que o incêndio causou danos substanciais também ao reator esquerdo, ao seu pilão de sustentação e alcançou parte da fuselagem e da asa esquerda.

Complemento indispensável da investigação, da qual participam a Boeing e outras autoridades, são as conversas registradas na cabine de pilotagem e os dados técnicos sobre a fase inicial da operação fazem parte da investigação. Paralelamente a Associação dos British Airline Pilots já tem manifestado o seu apoio aos procedimentos adotados nessa emergência pelos tripulantes, enfatizando que enquanto fica aguardando uma “meticulosa investigação que possa ajudar a entender esse incêndio e prevenir a sua repetição”, todos os pilotos reconhecem o comportamento profissional evidenciado pela tripulação nessa emergência. Conclui afirmando : “ “Um piloto pode transcorrer toda a sua carreira sem enfrentar um acidente como este,mas se isso acontece todo o treinamento e o tempo passado no simulador são recompensados.”

 Os problemas técnicos que por coincidência envolveram duas aeronaves da Boeing, tendo como agentes principais chamas e fumaça, poderiam ter ocorrido em modelos da Airbus, pois na atualidade os progressos técnicos procedem “pari passo” nas duas maiores indústrias aeronáuticas do globo.O mais importante,quando eles acontecem, é que acima de tudo sejam tutelados os passageiros, sendo comprovado que nos casos mais graves a lista das vítimas inocentes semeia dores e lutos pelo mundo.Assim como é essencial que os pilotos estejam , como tem estado na maioria das ocorrências, à altura dos acontecimentos.

De fato a indústria de transportes aéreos tem reunidos no mundo inteiro um número considerável de equipes bem treinadas. Como exemplo recente, sem ir muito longe, aqui no Brasil, na quinta-feira passada um avião em voo para Porto Alegre atravessou uma extensa área de cumulus ninbus que por mais de uma hora tiraram o sossego dos passageiros. Até o final feliz, comemorado na aterrissagem com um longo aplauso ao comandante.