O PESSIMISMO DA INDÚSTRIA AÉREA NO CONFUSO CENÁRIO DO TURISMO NACIONAL

 

O “Estado de S. Paulo” transcreve e comenta declarações do presidente da Gol, Paulo Kakinoff, que por sua atualidade merecem ser conhecidas: elas completam algumas das afirmações deste texto.

Kakinoff, se referindo ao dólar alto e à economia brasileira em crise, afirmou a investidores presentes à sua teleconferência, que o segundo trimestre se anuncia “mais desafiador que as previsões mais pessimistas”. Este segundo trimestre “é o período mais adverso para o setor aéreo e para a economia brasileira frente aos últimos oito anos”, enfatizou, apoiando as projeções de analistas. Acrescentou que “este cenário tende a seguir pressionando as ações da Gol, que acumulam queda de quase 50% neste ano”.

 Além dos sinais de enfraquecimento da demanda entre abril e junho considerados pelos analistas, tendo em vista o histórico sazonal, terão efeitos negativos para a Gol a depreciação das moedas locais e a reversão do movimento de queda do querosene de avião, que beneficiou as empresas no primeiro trimestre: a Gol não poderá registrar no segundo trimestre um benefício similar (ao do primeiro trimestre) no custo de combustível pois ele está recuperando seus preços internacionais . E acrescentou: “Temos projeções de alta de 36,7% na taxa de câmbio” e, além disso, (segundo analistas do transporte aéreo) o real mais fraco e a esperada inflação de 8,3% provavelmente irão continuar a pressionar os custos da Gol. Embora a empresa tenha conseguido registrar em sua demanda doméstica um aumento da ordem de 4,9% na comparação com o primeiro trimestre de 2014, a desaceleração econômica e o aumento da competição entre as principais aéreas nacionais levou a uma queda das tarifas, que representou para a companhia uma receita por assento 6,3% menor”.
Kakinoff espera que a estabilização das tarifas, observada a partir desta semana, será seguida de uma alta,” não sei quando, mas acredito que não podemos ir mais baixo do que estamos agora e estamos próximos de um ponto de inflexão” enfatizou se dirigindo aos analistas estrangeiros. A Gol pretende manter sua estratégia conservadora de oferta de assentos, se houver estabilidade, mas Kakinoff admitiu que um outro cenário poderá levar a Gol a reduzir sua oferta ao longo do ano.

Essas afirmações complementam e até contrastam com alguns dados do levantamento do Ministério do Turismo e da Fundação Getulio Vargas (FGV), segundo o qual 23% dos entrevistados pretendem viajar nos próximos seis meses. Desse grupo, 77,4% devem ir a destinos nacionais - maior número registrado para abril dos últimos dez anos. Os demais 19,5% devem viajar a destinos internacionais e 3,1% ainda não haviam decidido para onde vão.

O boletim Sondagem do Consumidor - Intenção de Viagem, aponta ainda as áreas preferenciais de viagem no Brasil: 47,3% indicou o Nordeste; 25,6% a região Sudeste; 14,3% o Sul do país; 7,4% a região Norte; e 5,4% o Centro-Oeste,levando o novo ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, a justificar impropriamente o interesse dos brasileiros em conhecer mais o país : ele o atribuiu à alta do dólar, à quantidade de feriados no ano e à melhor infraestrutura dos aeroportos. Nada de novo nessas declarações, pois a improvisação é uma característica dos “ministros do turismo” das safras mais recentes. E o atual, não satisfeito ainda acrescentou estas “perolas”: "Aquilo que era muito caro no Brasil - passagens aéreas, hotéis - e lá fora era mais barato, inverteu. Lá fora ficou muito caro, por causa do dólar". Por isso o país deve ampliar os investimentos na infraestrutura turística e na divulgação dos locais para visitação.

Em relação ao Nordeste, destino escolhido pela maioria dos turistas, o ministro divulgou "A questão básica em relação ao Nordeste é a da segurança” e descobriu que”. Não tem turismo sem segurança. São dois caminhos que precisam ser trilhados juntos. O turista quer segurança, um aspecto que temos que focar muito”. E informou que a Secretaria de Aviação Civil do Governo Federal, vai investir aproximadamente R$ 1,7 bilhões em reformas de aeroportos e pistas de 25 municípios da Amazonas, para no prazo de oito meses baratear o custo das viagens,pois atualmente as tarifas ali praticadas são proibitivas. ; além das estruturas aeroportuárias precárias e das aeronaves que voam “sem estar sempre com a manutenção em dia”. Haveria o projeto de utilizar aviões maiores, os ATR 600 que transportam cerca de 70 passageiros, mas tudo depende do início do já famoso plano dedicado á promoção da aviação Regional, que depende de investimento em mais de 200 aeroportos e relativas estruturas técnicas, além da verba para reembolsar em parte às empresas aéreas os custos dessas viagens. Os que menos acreditam no projetos são vários dos 25 prefeitos das localidades escolhidas, que até agora não entregaram os dados necessários para início das obras.
E assim vai o turismo nacional,levando as empresas Tam, Avianca e Azul a amplia seus vôos internacionais para reduzir o risco cambial.Mas segundo a imprensa, agora que o cambio do dólar chegou aos três reais ,os preços das viagens aos exterior caíram até 40% e os financiamentos das agências subiram até 18 pagamentos. Essas iniciativas confirmam menor interesse para viagens ao exterior, em particular para New York, que não é mais tão atrativo, pois lá os preços (das compras) subiram, enquanto no Brasil os preços em geral teriam ficado mais baratos (?).

Entretanto ,segundo a embaixadora americana no Brasil,Liliana Ayalde o governo brasileiro, com aparente saudade pelos gastos anuais dos turistas nacionais nos Estados Unidos (cerca de US$ 25 bilhões), continua apoiando a abolição dos vistos nos embarques entre os dois países, apesar de atualmente, segundo ela , os viajantes brasileiros os conseguirem em dez dias “no máximo”.