O CRESCIMENTO GLOBAL DA AVIAÇÃO E DO TURISMO

 

Lemos no suplemento de turismo de “O Globo” um texto interessante sobre a evolução dos transportes aéreos, que no Brasil foi inaugurada com a vinda do dirigível Graf Zeppelin, que em 18 de maio de 1930 decolou da Alemanha e chegou a Recife em 22 de maio, seguindo depois para o Rio de Janeiro.

Segundo o artigo de Cristina Massari naquela época Alemanha e França disputavam o transporte postal da Europa para a América e com a vinda do Zeppelin coube à indústria aérea alemão estabelecer um marco no setor de passageiros. No ano sucessivo o dirigível com mais três travessias nas quais transportou passageiros e carga postal manteve o seu recorde.

Desde então a aviação comercial atravessou anos de crescimento, mas antes de consolidar-se foi envolvida na segunda Guerra Mundial, que viu os triunfos e a derrota final dos nazistas, num cenário de bombardeios aéreos que destruíram inteiras cidades alemãs, causando milhares de vitimas também em numerosas outras localidades da Grã Bretanha e da Rússia. Somente na segunda metade da década de 1940 a industria de transportes aéreos ,que durante o conflito havia assistido a bombardeios com a participação de até 1.200 aeronaves (inclusive dos aliados Estados Unidos ) em cada raid ,se dedicou à renovação das frotas destinadas ao tráfego de passageiros: os ágeis DC-3 da Douglas se transformaram em aeronaves bem maiores e possantes chegando aos DC-10 ,com os quais a fábrica norte-americana cessou gradualmente a sua produção.Entretanto  os novos  motores a jato além de eliminar os a hélice abriam ao turismo todas as rotas do mundo.E os viajantes ,que segundo a Organização Mundial do Turismo em 1950 totalizavam pouco mais de 25 milhões produzindo receitas superiores a US$ 1,1 bilhão, no ano passado chegaram  a mais de 1,2 bilhão de pessoas e movimentaram nas economias globais  US$ 1,245 trilhão.

Nesse contexto, diga-se de passagem, o Brasil manteve sua posição modesta, chegando a 6,4 milhões de visitantes, apesar da atração representada em 2014 pelo Campeonato Mundial de Futebol. Um número insignificante ,se comparado com o fluxo turístico para outro países, com destaque para a França ( com 83,4 milhões de chegadas internacionais) e  destinos  como Itália,Espanha ou Grã Bretanha.

Isso apesar do crescimento do número de vôos para o Brasil operados por empresas estrangeiras, entre as quais se distinguem a Air France e a Tal na Europa e, mais recentemente, a American Airlines nos Estados Unidos.

Atualmente aviões, trens e navios disputam o universo turístico com suas inovações continuas, entre as quais se destaca a velocidade, mas os transportes aéreos continuam na dianteira. Comparativamente a concorrência entre mais de 250 companhias permitiu à indústria aérea de manter os preços a um nível acessível apesar do volume de investimentos exigidos para o leasing de aeronaves .No setor aéreo  os extraordinários avanços técnicos  tem sido constantes e representam um ônus relativamente modesto sobre os preços das passagens ,por ser a viagem aérea um produto altamente perecível pois os vôos devem ser operados nos dias e horários fixados, independente de sua lotação.

Uma exceção no crescimento tradicional da indústria ocorreu nos anos 70, quando França e Grã Bretanha se uniram em volta do ambicioso projeto chamado “Concorde”,o primeiro avião supersônico transportando passageiros para os Estados Unidos e para o Brasil. Em janeiro de 1976 com 100 passageiros a bordo foi realizado em 7 horas e 20 minutos o vôo inaugural da França para o Rio de Janeiro: uma data histórica que supostamente poderia abrir para a aviação comercial uma nova era, ofuscando o domínio das construtoras de aeronaves “convencionais”. Mas a novidade, com toda a vantagem de reduzir o tempo de vôo, teria exigido que o preço das viagens fosse bem mais elevado daquele da primeira classe dos vôos internacionais: o 20% de aumento cobrado na rota para o Rio (US$ 1.314) se revelou insuficiente e não havia como ampliar a estrutura da aeronave para oferecer mais assentos. Por isso e também por causa do preço do petróleo ,o Concorde deixou de voar para o Brasil em 1982 e,três anos após sofrer um sério incidente, em 2003 suspendeu seus vôos comerciais também para os Estados Unidos e foi aposentado.

Depois do exploit da aeronave franco-britânica, a indústria aérea se concentrou nos avanços técnicos, visando construir aviões maiores e mais leves para reduzir o consumo de combustível. A Boeing dominou até a entrada em atividades da Airbus, a empresa européia que atualmente disputa com o americana o crescente mercado dos transportes aéreos. À procura de inovações, sucessivamente ambas lançaram aeronaves de tamanho superior à media, com cabines em dois andares, conseguindo apenas em parte o sucesso esperado com seus B747 e A380.

 Mas a era dos Jumbos, aviões com capacidade acima de 400 assentos, depois das dificuldades encontradas até agora – segundo Boeing e Airbus – estaria próxima, sendo indispensável para acompanhar o crescimento do turismo e compensar as limitações físicas dos aeroportos, que impedem o aumento dos slots com a mesma velocidade do aumento dos embarques e desembarques.