A AIRBUS AINDA NÃO DECIDIU O FUTURO DO A380

 

(A maioria das informações deste texto estão baseadas em artigos publicados na edição de abril da revista Airline Business)

O Airbus A380, o maior avião até agora construído, se encontra numa fase crítica: a sua sobrevivência ainda não foi decidida.

De fato, a demanda de parte da indústria não tem alcançado a estimativa de vendas da Airbus: somente uma empresa aérea tem excedido as expectativa, a Emirates, ao adquirir nada menos de 140 unidades. Mas em geral as vendas  tem sido frustrantes ,em parte pela crise que na década passada tem penalizado as maiores empresas ,em parte por não ter a gigantesca aeronave  correspondido à performance técnica esperada por  seus compradores.Em particular,o elevado consumo de combustível  representa o ponto mais “fraco” da aeronave, tanto que a Emirates  Arline  está condicionando a eventual compra de outros 60 a 70 A380 à troca do GP7200 por um novo reator. Ele seria produzido por uma “joint venture” entre GE e Pratt & Whitney, em competição com outro novo modelo que está nos projetos da rival Rolls-Royce. Mas seriam necessários também mais compromissos de parte da indústria para animar a Airbus a realizar mais esse oneroso investimento, que visaria o reinício das vendas do A380, numa nova versão “re-engined”.

Na opinião dos experts a Airbus decidiu produzir o A380 tarde demais, se com ele pretendia competir e substituir os vários modelos do 747 da Boeing, e atualmente se exporia ao risco de perder mais bilhões de euros se não produzisse um novo modelo em condições de competir com aeronaves menores. Entre elas se destaca  o 777-300ER da Boeing, cuja capacidade de transporte atende as necessidades de embarques por vôo de todas as grandes companhias aéreas. Ainda mais numa conjuntura caracterizada pelo re-lançamento de modelos de um só corredor, que minimizam os custos. De outro lado, diante do crescimento continuo do tráfego e da relativa disponibilidade de mais hubs, as construtoras consideram também como válida no curto prazo a oferta de aeronaves de tamanho maior, mas dotadas de reatores que gastando menos combustível reduzem o custo dos assentos e possibilitam mais opções comerciais.

O oferecimento da Emirates de aquisição de até 70 A380 representa para a Airbus uma importante referência e um sério desafio, nesta fase decisiva para o futuro de seu maior avião. Sem dúvida o relacionamento com a poderosa empresa asiática seria afetado, se a Airbus ignorasse o seu pedido, pois uma frota de super widebodies menor da projetada poderia reduzir os planos de expansão da rede mundial da Emirates.

Entre os fatores que pesam nas empresas em suas decisões de compra se destacam os prazos de entrega, como demonstra o A350, um avião de grandes qualidades, até superiores às do 787 da Boeing, mas que por estar chegando ao mercado com um forte atraso sobre o modelo da congênere, (que já superou os sérios problemas enfrentados após o seu lançamento) ainda não conseguiu se consolidar no mercado.

 Nesta conjuntura difícil, se justifica a demora no anúncio da decisão da Airbus sobre o futuro do A380, pois ele representa apenas um dos problemas da construtora européia, cuja imagem e posição proeminente no mercado aéreo dependem do elevado nível técnico de suas aeronaves e do sucesso na competição com a Boeing e com empresas menores. Diante do dilema do A380, há analistas que sustentam a conveniência de uma reformulação da estrutura, tamanho e reatores da aeronave, para transformá-la num neo-A380, mais leve, mais ágil, mais barato. Ele dependeria da produção de reatores que estão nos projetos da GE e da Roll-Royce, mais possantes mas consumidores de menos combustível, pois é opinião corrente das empresas que a atual fase de declínio do preço da gasolina não será eterna, diante da pressão do consumo , em continuo crescimento devido ao aumento das frotas e do número de vôos pelo mundo inteiro.

 Ser “fuel-efficient” é atualmente um dos pontos essenciais na publicidade de novas aeronaves e uma das exigências que determina a escolha e o sucesso de novos modelos de aeronaves. No caso do A380, ao faltar ele comprometeu o “target” previsto pela Airbus em 2000, quando decidiu construir a aeronave e em abril de 2005 quando realizou o primeiro vôo: ela pretendia produzir e comercializar 1500 unidades em 20 anos.  

O efeito da solicitação da Emirates à Airbus por novas aeronaves com outros reatores, poderia ir além da simples entrega , reativando a produção de uma nova versão do A380, com potencial de se tornar o 747 da próxima década. E com a oferta de centenas de assentos ele assumiria posição destacada também entre as empresas “low-cost”, sempre mais procuradas pelos passageiros. Sem exigir o aumento continuo da capacidade dos aeroportos, o número elevado de assentos oferecidos por esses aviões de grande porte garantiria à indústria o seu permanente crescimento.