SHOW DE NEELEMAN NA ”AIRLINE BUSINESS”

 

David Neeleman, o “dono” da Azul, ganhou a capa da prestigiosa Airline Business de novembro e mais uma foto de página inteira e três de texto. Nem todas as “poderosas” que andam pelos céus do globo tiveram ou conseguiram ter o mesmo destaque da Azul na imprensa especializada dos transportes aéreos. Mas aqui a publicação passou sem referências, apesar dos elogios que o empresário dedica ao Brasil.

Com atraso intencional de quase dois meses, achamos que o artigo não podia ser ignorado, também por que divulga em bom inglês uma imagem positiva do país que nesta época está fazendo falta. O inteiro texto combina bem com a figura de Neeleman, um executivo que antes de lançar em 2008 a brasileira Azul se havia dedicado com o mesmo entusiasmo a três companhias americanas, a Morris Air, a WestJet e a JetBlue Airways, com altos e baixos mas sempre num elevado nível profissional. Ele continua mantendo relações com a terceira, da qual foi fundador, que supostamente poderão se transformar em acordo, quando as rotas da Azul se consolidarem acrescentando Nova York aos atuais vôos para Fort Lauderdale e Orlando, na Florida. A JetBlue voa para ambas  as capitais e poderá operar em conexão com a Azul,nos round-trips para e de destinos americanos.

A longa entrevista da Airline Business confirma quase tudo o que circula nos meios da aviação brasileira em relação à personalidade de Neeleman, desde a brilhante posição conquistada pela Azul no mercado doméstico, às vantagens que ele conseguiu com a inteligente opção por rotas menores e à decisão de competir agora nas rotas para os Estados Unidos, sem esquecer a oportunidade de participar do plano nacional de incremento das rotas regionais, com subsídios e tudo. Ele fala também da “Europa” como possível futuro destino internacional da Azul,sem a menor referência ao fato que a sua empresa se encontra com o nome incluído entre aquelas que estariam interessadas no leilão de 66% da Tap portuguesa,já com o edital publicado e previsto para dentro de alguns meses.

Na entrevista Neeleman exalta o Brasil. Em todos os destaques gráficos da revista evidencia amor e confiança para o país. Começa na capa com a frase “ Thinking big in Brazil and beyond” para mais à frente  enfatizar que está “In love with Brasil”,prévio esclarecimento de ter nascido em São Paulo e de suas ligações com os missionários Mórmons.Ele afirma novamente “I Love Brazil.I Love Brazilians”, memore talvez da boa acolhida que recebeu desde a sua chegada,quando foi recebido pelo então Ministro da Aeronáutica como um velho amigo ao qual foram abertas as portas do Planalto,do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e da indústria aérea do país, disponibilizando para a Azul em curto prazo os créditos necessários para incorporar  os pequenos Embraer 190 e 195 E-Jets e os turboélices da ATR.Com essas opções operacionais ele surpreendeu duas vezes os colegas e rivais da indústria nacional : primeiro com o bom índice de aproveitamento dos voos, depois com a conquista de pontos progressivos no share de participação na rede doméstica.

Na entrevista é evidenciado que em seis anos a Azul tornou-se a terceira maior empresa aérea do Brasil mantendo crescente participação de mercado, após Tam e Gol “o duopólio que dominava os serviços domésticos do país antes de sua entrada”. Neeleman afirma que 70% do mercado da sua empresa “é exclusivo” e que com a aquisição da Trip em 2013 as duas aéreas juntas passaram a servir 102 destinos com uma frota  de “mais de 140 aeronaves”. E agora, para voar nas rotas internacionais a Azul está alugando sete A330-200, na versão original pois o projeto de reconfiguração das cabines terá início somente em março, e cinco A350-900 disponibilizados para leasing pela ILFC, a serem entregues a partir de 2017. Ele escolheu a Flórida para inaugurar as rotas para os Estados Unidos, pelo fato que é para lá que viaja a maioria dos turistas brasileiros : em 2013 eles ficaram na quarta posição na classifica dos que mais gastaram, com em média mais de US$ 5.400 por pessoa, após China, África do Sul e Índia. Voos para a Europa virão mais tarde,com a chegada dos novos Airbus., mas a Azul continua de olho no mercado doméstico,que deverá crescer agora que o governo decidiu estimular a aviação regional,assumindo o ônus de pagar subsídios que serviriam para atenuar o elevado preço do combustível :“acrescentar mais 30 ou 40 destinos desse enorme potencial à nossa rede nacional” - declara o executivo - está nos planos da empresa,que já possui as aeronaves necessárias para realizar esses vôos curtos (enquanto as congêneres estudam o modelo mais adequado) além de ter assinado uma “letter of intent” para adquirir até 50 novos Embraer E195-E2.

Neeleman faz uma importante predição : devido aos “significantly lower costs”,comparados com os da Tam, a Azul poderá cobrar tarifas competitivas, quais uma ida-e-volta para a Flórida a partir de R$ 1.500 (US$ 618),contando com a participação do tráfego de negócios,que representa 65% de seus embarques.

Para agilizar o fluxo dos passageiros nos vôos entre o Brasil a Florida e Nova York , haveria uma ‘alliance” com a JetBlue, que ele a deixou quando ocupava o cargo de “chief executive”,alguns meses após que toda estrutura de rotas da empresa americana entrou em colapso devido às violentas tempestades que em 2007 sacudiram o país .Para a JetBlue, atualmente com 5% do mercado, foi um desastre que atingiu a sua imagem e lhe causou cerca de US$ 30 milhões de prejuízos. Voltar a operar em colaboração com Neeleman era algo inesperado ,mas poderá ser mais um estímulo para novos sucessos.