OS 70 ANOS DA TAP EM CLIMA DE MUDANÇA

 

Com a TAP, em 14 de março de 1945 nasceu também a Secção de Transportes Aéreos de Portugal, por iniciativa do então diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil, Humberto Delgado. Transcorridos 70 anos, no agitado cenário da economia do país,a data coloca a empresa na lista internacional das ganhadoras, aquelas que – surgidas quando ainda na Europa e na Ásia se ouvia o eco da segunda guerra mundial  – se mantiveram em atividades entre dois séculos e souberam acompanhar a evolução da economia global e em particular  o enorme crescimento da aviação, operando praticamente todas as maiores aeronaves criadas pelas grandes construtoras dos Estados Unidos, antes da chegada da Airbus européia, e que voam atualmente non stop em possantes jatos além de 10 mil quilômetros.

Sobre a data, que antecede de pouco o leilão de maio no qual, se houver um candidato qualificado, será decidida a privatização da Tap tão longamente debatida em Portugal, o prestigioso jornal de Lisboa “Diário Econômico” publicou ontem um artigo que resume os destaques da história da Tap. Data vênia também pelos períodos entre parênteses acrescentados, o reproduzimos a seguir.

 

“É neste (1945) que são adquiridos os primeiros aviões, dois aviões DC-3 Dakota, com capacidade para 21 passageiros”. No ano seguinte, são criadas definitivamente as condições necessárias para a companhia começar a operar, através da realização do Curso Geral de Pilotos. São, então, inauguradas as duas primeiras linhas aéreas: a primeira linha comercial Lisboa-Madrid abre em 19 de Setembro de 1946. Mais tarde, a 31 de Dezembro, é inaugurada a "Linha Aérea Imperial" que serve a rota Lisboa-Luanda-Lourenço Marques que contaria com 12 escalas, cerca de 15 dias de duração (ida e volta) e 24540 quilômetros de extensão. Até ao termo da década de 40, outras rotas são criadas: Paris, Londres e Sevilha. 

Nos anos 50, entra-se na era do jato: a British Overseas Airways Corporation (BOAC) abre o primeiro serviço regular de aviões a reação, voando cerca de 11 mil quilômetros entre Londres e Joanesburgo em menos de 24 horas e encurtando a viagem, até aqui realizada por aviões a hélice, para metade do tempo anterior. Em 1953, a TAP conhece pela primeira vez o significado de "privatização", passando de um serviço público a uma sociedade anônima de responsabilidade limitada (SARL). Na mesma altura, surgem dois novos destinos, Casablanca e Tânger.

Mais tarde, começa a operar nas linhas da África e, no mesmo ano, realiza-se a viagem experimental ao Rio de Janeiro, com a participação do Almirante Gago Coutinho: o ano de 1958, apesar de ser palco da demissão de Humberto Delgado, esboça-se como um ano de recordes para a TAP: pela primeira vez, a companhia ultrapassa um milhar de trabalhadores (1009), estende-se por uma rede de mais de 14 mil quilômetros, tem cerca de 10 mil horas voadas e totaliza mais de 64 mil passageiros transportados.

Nos anos 60, a aérea consolida as suas rotas para Genebra, Munique e Frankfurt. Depois, viria a ser inaugurado o aeroporto de Santa Catarina, no Funchal, bem como a linha Lisboa-Funchal, a par da operação regular Lisbôa-Sal-Bissau. O ano de 1964 fica igualmente marcado pelo fato de a TAP atingir o primeiro milhão de passageiros.

A empresa, no ano da revolução de Abril já operava com 32 aviões para mais de 40 destinos em quatro continentes. No ano seguinte, a companhia é arrastada na vaga de nacionalizações e transforma-se numa empresa pública. No final da década, em 1979, com a implementação de um programa de modernização a aérea altera a sua designação para TAP Air Portugal.

O ano de 1980 coincide com a introdução de uma nova imagem na transportadora nacional: uniformes, logótipo e pintura de aviões. Entre as outras inovações houve o lançamento da revista de bordo Atlantis, (há alguns anos substituída por UP “ouse sonhar mais alto”, atualmente entre os “magazines” de maior sucesso publicados por empresas aéreas internacionais. ndr), a criação da ‘Executive Class' e a inauguração de um novo terminal de carga no Aeroporto de Lisboa. A década de 1990 é a década do Boeing 777, o primeiro jato comercial totalmente desenhado digitalmente e pela primeira vez na sua história, a TAP transporta num só ano mais de três milhões de passageiros. Nesta altura, iniciam-se os voos do Porto para Barcelona e Basileia e é reaberta a linha de Salvador da Baía.
 

A década de 2000 afirma-se como o período de maior recuperação da TAP (devida também à progressiva expansão de suas rotas no Brasil, realizada por iniciativa da diretoria brasileira que se transferiu em Lisboa após ter trabalhado na Varig, ndr) e, pela primeira vez em vários anos, a companhia obtém lucros de alguns milhões de euros. A par deste fato, a frota da TAP aumenta para 40 aviões e, em 1 de Fevereiro de 2005 é apresentado no Hangar 6, a "catedral" da TAP, a nova imagem que integra um novo logótipo, o quinto desde que a companhia foi fundada e a nova designação "TAP Portugal". E ao longo dos anos posteriores, a empresa continuaria a ser distinguida com inúmeros prêmios em diversas categorias.”