EFEITOS DAS GREVES NA TAP E NA LUFTHANSA

 

Em entrevistas, os executivos de duas empresas européias tem apresentado à revista especializada ATW seus planos de curto e médio prazo. O CEO da Tap, Fernando Pinto, e o CEO da Lufthansa,Karl Ulrich Garnadt, especificaram   previsões e programas elaborados em vista dos desafios que as aguardam.

A Tap continua fiel a seu plano e crescimento, apesar das incógnitas de uma privatização que o governo está oferecendo pela segunda vez, após ter recusado em 2013 a proposta da Avianca, que parecia financeiramente pouco sólida. (Pelo contrário, o elevado montante de investimentos em novas aeronaves realizado pelo grupo colombiano em 2014 estaria demonstrando o oposto.ndr)

Fernando Pinto evidenciou seu apoio total á aguardada privatização, pois para a empresa é muito importante ser uma companhia privada, num país no qual o governo controla muitas delas,fato que tem feito a “nossa vida muito mais difícil”, apesar da Tap receber “plenty of support” governamental.Ele declarou também que as próximas eleições em Portugal e a demora compreensível do processo de privatização, que visa escolher o “right partner”,não interferem no crescimento médio da aérea,que alcança 7% ao ano,trazendo sempre novos negócios ao país.Num Portugal em crise “a Tap é maior do país que serve”,enfatizou o entrevistado, e tem procurado outros mercados para sobreviver voando de Lisboa à África e entre o Brasil e a Europa.

O CEO da Tap salientou a importância do Brasil para o tráfego da empresa, com seus 84 vôos semanais,que nenhuma outra companhia está em condição de duplicar,aos quais se acrescentam suas 60 conexões para outros países da Europa. Em seus planos, após excluir a Ásia por falta de aeronaves em condição de realizar a operação,a Tap além de manter os vôos para Nova York e Miami voará para México City se o Airbus A330neo tiver autonomia para cumprir a travessia. E a partir de 2017, quando receberá o primeiro dos 12 A350 encomendados,além de aposentar os modelos mais antigos dos A340 e A330 aumentará o número de ligações com a África,que atualmente são 70 por semana.E estuda a conveniência de mudar os ainda eficientes A320 com os novos modelos de um só corredor,sempre visando a redução de custos,que nos últimos três anos totalizou US$ 312 milhões.

Respondendo á pergunta sobre as greves da Air France e da Lufthansa, definidas como “nightmares” para os executivos europeus da indústria aérea,após enfatizar que o problema não existe no Oriente Médio ele minimizou os efeitos negativos das greves realizadas em Portugal pelos sindicatos, apesar de ser notório que já antes do “big strike” de quatro dias ameaçado para o fim de dezembro elas haviam causado graves perdas à Tap,cujas receitas em 2014 foram prejudicadas também pela redução do tráfego com o Brasil durante a Copa do Mundo e por uma série de atrasos causados pela falta de aeronaves cuja entrega a empresa aguardava. Pinto encerrou a entrevista evidenciando que com todos os problemas do aeroporto de Lisboa no contexto geográfico do país,a Tap mantêm firme o compromisso de continuar desenvolvendo esse seu “niche”.

Confirmando ser os “nightmares” da indústria,as greves do ano passado foram impiedosas com Air France e Lufthansa,que sofreram dias e dias de suspensão das operações,por motivos explicitamente salariais ou de natureza estrutural. Suas conseqüências sobre as receitas e sobre as respectivas imagens foi enorme. O assunto é focado no mesmo número da revista , num texto da atwonline.com , junto com importantes admissões do presidente da Lufthansa,Karl Ulrich Garnadt, sob o programático titulo “A turning point”.  

Na premissa o redator lembra que após assumir o timão da aérea em maio passado o CEO enfrentou fases boas e “not so good”,numa Lufthansa zelosa de seu programa de redução de custos, mas que investe em novas aeronaves e em novos produtos, enfrentando a crescente competição de empresas asiáticas low-cost e arcando as dificuldades dos protestos laborais. Na entrevista Garnadt admitiu que a paciência dos usuários da empresa está sendo testada, que as greves custaram milhões e que seus efeitos permanecerão por muito tempo.Ele afirmou que apesar da significativo impacto financeiro,“conseguimos minimizar o impacto que as greves causaram aos passageiros”.Sem excluir a possibilidade de ocorrerem mais greves, o CEO alemão enfatizou que o sistema previdenciário oferecido aos pilotos é ainda “one of the best in the aviation industry worldwide”.Ele garantiu que os 120 mil funcionários estão ficando sensibilizados, pois todos desejam ser “Lufthanseats”, ou seja fans da empresa.

De um ponto de vista operacional a LH prevê que neste ano deverá ainda reduzir a capacidade oferecida, pois segundo o entrevistado ”nos encontramos num “turning point” na história da Luthansa e os próximos 12 a 18 meses serão decisivos para determinar se esta grande empresa,este símbolo de aviação top-class, terá ainda destaque entre os usuários num prazo de 10 anos.” Após anunciar alterações operacionais e melhorias de serviços, junto com a redução de custos,Garnadt confirmou a intenção de baixar em pelo menos 20% as tarifas de vôos de longa distância selecionados saindo de Frankfurt. Desde já a aérea oferece a seus 1,5 milhão de passageiros anuais a nova “Premium economy cabin” a preços acessíveis e com novos assentos parecidos com aqueles utilizados em 1979 na classe executiva. Greves à parte, ele declarou também que o crescimento e a qualidade de serviços de empresas como a Emirates, já haviam sido previstos e não alteram os planos da Lufthansa para se tornar a primeira “West´s Five star airline”.