OS ÚLTIMOS ATOS DO DRAMA DA VARIG

 

O recorte do Jornal do Brasil que abre este texto resume a conjuntura em 2006,lembrando os nomes  dos presidentes da Varig nos últimos anos da empresa e sua duração no cargo. As atuações de Fernando Pinto e Ozires Silva são relacionadas de acordo com os noticiários da imprensa da época.

Um comunicado assinado por Edgar Nascimento de Araujo, presidente do Conselho de Administração da Varig, informou em 11 de janeiro de 1996 que o engenheiro Fernando A.C.S. Pinto havia sido eleito pelo Conselho em reunião realizada no dia anterior “novo Diretor Presidente da Companhia, sucedendo ao engenheiro Carlos Willy Engels, que assume a Vice-Presidência do Conselho de Administração, permanecendo também no Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta.” Na mesma data Walterson Fontoura Caravajal foi eleito para a presidência do Conselho de Administração “em sucessão ao Engenheiro Edgar Nascimento de Araujo (signatário do comunicado) que renunciou por motivo de saúde”.

A dupla Engels/Caravajal, que representava o segmento da Varig do Rio Grande do Sul em freqüentes contraste com os executivos de São Paulo e do Rio de Janeiro, se garantia assim o controle do poderoso Conselho de Administração, em vista de futuras mudanças. De fato, quando “ a dois dias do carnaval de 2000” o Conselho “decidiu  por unanimidade destituir o presidente Fernando Pinto e indicar para seu lugar o executivo Nélson Bastos, da Gradiente.segundo uma fonte, o seu afastamento foi tramado por Caravajal” (J.B. sob o título “Turbulência no céu da Varig”).

Na época as mudanças conjunturais do mercado aéreo do país se haviam agravado com a desvalorização do real, e a crise financeira atingiu em pleno a Varig, que teve que enfrentar em 1999 também uma guerra tarifária originada pela desregulamentação promovida pelo governo. Os embarques da empresa para os Estados Unidos foram gravemente afetados pela abertura do mercado, que favoreceu não somente a Transbrasil e a Vasp, mas também  United,Continental e Delta, que entraram nas rotas apoiadas pela desregulamentação, somando seus vôos aos da American e compensando o ingresso das duas  brasileiras.Em 1998 as quatro estavam com 53% do mercado,contra 26% da Varig ,que em 1991 dominava com 48% nessas rotas, junto com a Panam que faliu quando tinha  uma participação de 25% .Os embarques da Transbrasil e da Vasp em 1999 totalizavam apenas 11%.

Entretanto o novo presidente da Varig, Fernando A.C.S. Pinto, desde 1972 na empresa e que em 1992 ocupava o cargo de presidente da Rio Sul, num editorial da revista “Rosa dos Ventos” de setembro de 1996 anunciava para o dia 15 de outubro “uma grande virada na imagem externa da Varig”, precisando que essa nova imagem corporativa - “etapa importante do processo de desenvolvimento da empresa - “representava, apenas, um estágio de programa de Metas-Rentabilidade, Qualidade de Serviços, Imagem, Informática e Recurso Humanos” iniciado no princípio do ano”.

O projeto da nova imagem, escolhido entre os vários elaborados em cinco meses pela Landor, uma das maiores empresas do mundo em consultoria de imagem e design para companhias aéreas, manteve no novo logotipo a tradicional “rosa dos ventos”, adotadas há 41 anos. Ele parecia com uma bussola, que com 30 riscos em volta lembrava um relógio: os dois componentes do desenho evidenciavam o conceito de pontualidade, cujo índice na época chegava na Varig a 94% nas saídas dos vôos internacionais a 97% no mercado doméstico. O nome Brasil em dourado complementava o logotipo, visando identificar no exterior a origem da empresa. Dois dos 79 aviões já se apresentavam com a nova pintura, sendo previstos dois anos para concluir a inteira mudança, que incluiria as novas aeronaves destinadas a padronizar a frota. A opção de Pinto era operar “três tipos básicos de aeronaves: B737, B767 e MD-11, sendo que esta ultima se tornaria a principal da frota, substituindo o B747, de custo operacional alto.” Ele havia programado também um gasto de US$ 16 milhões nos próximos seis meses para mudar o interior dos aviões, reduzindo o número de poltronas na primeira classe e aumentando as da classe executiva, que passariam de 35 para 49 nos vôos internacionais.

As outras mudanças estruturais e inovações que se encontravam na agenda do novo presidente, em maioria executadas, serão focadas no 3º capítulo desta serie. (Continua)