O PROBLEMA DO PREÇO DAS PASSAGENS AÉREAS NAS OLIMPÍADAS

 

Amigos leitores perguntam os nomes de integrantes os mais altos escalões da ANAC com experiência e conhecimentos específicos da indústria de transportes aéreos que justifiquem suas escolhas nas respectivas funções e que sejam garantias de uma administração ágil e competente a favor das empresas aéreas e de seus usuários. Não há muitas opções e, para não omitir nomes eventuais que mereceriam ser citados, o ideal seria receber tais indicações de quem teve a oportunidade de manter contatos com eles.  : de fato há muita curiosidade em relação aos nomes dos executivos da Agência Nacional de Aviação Civil aos quais podem ser creditadas atitudes à altura dos compromissos assumidos, tomadas nestes 15 anos de existência, em particular em épocas de acontecimentos relevantes, quais campeonatos mundiais, competições atléticas internacionais, olimpíadas.

Ao contrário de outras agências de aviação comercial, com destaque para a norte-americana que está entre as mais conhecidas, a ANAC integra uma estrutura governamental, notoriamente conhecida entre aquelas dos países mais civilizados pela prevalência de ministros e de chefias setoriais incompetentes, sendo assim difícil acreditar que nela se encontrem as exceções que seriam indispensáveis para atender e desenvolver as exigências de natureza técnica próprias dos transportes aéreos.   

Há dias surgiu o mais recente desafio à firmeza da Anac: ele pode ser lido na imprensa e se identifica com a atitude das empresas aéreas nacionais em vista dos jogos Olímpicos de 2016, ao afirmarem que nesse como em outros eventos de relevo os preços das passagens devem ser proporcionais à demanda.  Mais gente quer viajar de avião para assistir a competições ou festividades, mais altas ficam as tarifas. De fato há liberdade no Brasil e em outros países para as empresas estipularem seus preços dentro de um chamado “sistema de precificação dinâmico”, que entra em plena atividade quando a previsão de demanda é elevada. Prevalece o conceito de que nas semanas dedicadas aos grandes eventos domésticos ou internacionais são perdidos pelas companhias boa parte dos chamados “passageiros corporativos”, mas não se reconhece que com o número elevado de vôos lotados,inclusive “extra”, a perda de executivos e amplamente compensada pelos embarques de torcedores ,de congressistas ou de equipes.

Na conjuntura atual, com o preço do petróleo 50% mais barato as empresas aéreas no exterior tem realizado lucros polpudos até com um load factor médio de 65%%. No Brasil ,devido à pressão dos custos que oneram de todo lado as operações aéreas, Tam e Gol tem registrado resultados menos expressivos, mas bem melhores daqueles de 2013. E a bonança continua, assim como a ganância: para garantirem seus lucros extra as maiores operadoras do país e do exterior já tem bloqueados a quase totalidade dos melhores assentos em vôos operados nos dias de inauguração e de encerramento das Olimpíadas. Para essas datas os sites da Tam e da Gol já oferecem assentos a preços absurdos, em volta de R$ R$ 2.900 para uma “round-trip” Rio / São Paulo, que é um montante superior àquele que era cobrado no mês passado para uma ida-e-volta a Miami, com todo o aumento da taxa de câmbio do dólar.

Mas deve ser salientado que graça ao câmbio, nos dias de pique dos Jogos de 2016, essas tarifas proibitivas para os residentes ainda serão convenientes para os estrangeiros. Somente a intervenção da Anac poderia corrigir o absurdo, pois se o Brasil foi escolhido para sede das Olimpíadas, carece de lógica e até de ética obrigar a maioria  dos torcedores do país a recorrer as imagens das TVs para assistir às competições ,reservando aos hospedes as emoções “ao vivo” dessa festa do esporte mundial.

Sendo previsível que com o câmbio favorável poderá ocorrer a vinda de mais turistas de quantos vieram para a Copa do Mundo, sem providências adiantadas o torcedor brasileiro será praticamente afastado das Olimpíadas pelo ônus de tarifas aéreas inaceitáveis. Não tendo iniciativas melhores, a Anac poderia exigir das empresas aéreas a cobrança de tarifas menores quando se trata de residentes , fixando cotas por avião, que poderiam ser utilizadas por quem apresentar  seu documento de identidade no guichê de vendas nos aeroportos para adquirir passagem  para embarque no mesmo dia.Esses tickets, se fossem vendidos com antecedência  dentro de uma faixa horária, poderiam ter impresso o nome do usuário e em caso de demanda menor seriam disponibilizados para os turistas.

É provável que existam outras modalidades que, sem ser discriminatórias, visem apenas proteger categorias de cidadãos/usuários que não podem ser ignorados. A discriminação ocorrerá se não forem adotadas providências para reduzir o impacto negativo de tarifas anormais ,que penalizam a venda de bilhetes de avião aos brasileiros que querem assistir aos Jogos Olímpicos realizados em seu país.Mas, pessimismo à parte, na conjuntura atual parece mais fácil prever que nada acontecerá,além da eventual apresentação dos obstáculos práticos ou legais que impedem quaisquer providências.