PERMANECEM PROBLEMAS NO VAI--VÉM DAS BAGAGENS AÉREAS

 

As estatísticas do “handling” das malas nas empresas aéreas melhoraram, mas ainda não são aquelas que a SITA esperava relatar em seu Baggage Report anual. O documento é elaborado com base nos dados recebidos da IATA e dos aeroportos.

Tudo começou a ser tomado à serio em 2007, quando o índice internacional das bagagens perdidas ou entregues com atraso havia chegado a 19 unidades por cada 1.000 passageiros. A seguir houve uma gradual melhoria desse indicador, até 2013 ,considerando o grande crescimento do número de vôos e de embarques  registrados nesse período :foram  6,96 bagagens com problemas por cada mil viajantes.Mas no ano passado o trend positivo se interrompeu, pois  foi verificado um aumento de 4,9% sobre o índice do ano anterior , que elevou perdas e entregas postergadas para 7,3 bagagens por 1.000.

Esse é um capitulo importante na história da aviação comercial, tendo o “baggage handling” representado em todas as épocas uma referencia a favor ou contra o fator confiança dos usuários em relação às empresas aéreas. Há inúmeros episódios de contrastes violentos nas chegadas de viagens memoráveis, entre passageiros frustrados por não receberem as suas malas e pacientes funcionários da transportadora, cuja ação deveria se limitar ao registro dos pormenores. Nessa fase as promessas se conjugavam à esperança de uma próxima solução do problema,mas sem certeza de ambos os lados.

A dúvida inicial do passageiro se divide sempre em duas possibilidades: a primeira admite que, em particular se houve vôo de conexão, por um atraso na entrega a bagagem ficou retida nesse aeroporto e deverá chegar no próximo vôo; a segunda, que é também a mais temida, atribui a funcionários desonestos o roubo ou a violação da mala. De fato, os horários de conexão apertados e a necessidade de cumpri-los complicam o “handling”.Da mesma maneira já foram identificados numerosos casos de malas violadas cujo conteúdo mais valioso desapareceu , por ser uma operação facilitada pela precárias estruturas de muitos aeroportos. Há também outras circunstâncias que fogem ao controle das empresas e interferem na correta entrega das malas, quais imprevistas alterações políticas ou problemas de ordem numa das escalas, mas a sua incidência é mínima e reduz a responsabilidade da aérea pelo atraso ou até pela perda.

Mas na maioria dos problemas relacionados com o fato que a bagagem deixou de ser entregue ao passageiro ou foi violada com perda de objetos valiosos a indústria é penalizada direta ou indiretamente, não somente pelos efeitos negativos de sua suposta desorganização, como também pelo ônus financeiro. As estatísticas da SITA focam também esse lado do problema, que teria representado para as empresas prejudicadas perdas de cerca US$ 4,69 bilhões em 2007, reduzidos a US$ 2,10 bilhões em 2013. Quanto à porcentagens dos três tipos de ocorrências relacionadas com as bagagens ,os dados coletados em 2014 apresentaram este breakdown : malas que subiram atrasos na entrega ao passageiro 80,2% ; malas entregues danificadas 14,3% ; malas perdidas ou roubadas 5,5%.

A indústria de transportes aéreos, em particular pelos efeitos negativos que quaisquer inconveniente com as bagagens causa à imagem da empresa responsável, tem dedicado estudos e providências na procura de formulas de check-in que ofereçam a maior proteção possível. A IATA, em colaboração com 55 empresas e 200 aeroportos tem elaborado um “Baggage Improvement Programme” que possibilitou reduzir em 2012 o índice de ocorrências. Ele enfatiza a conveniência de facilitar o embarque de malas de mão a bordo; de adotar cartões de embarques cuja parte presa na bagagem possa ser acompanhada através de sistemas eletrônicos; maiores cuidados na fase de handling evitando erros de parte de funcionários pouco treinados ; facultar aos passageiros o despacho direto de suas malas.

Um exemplo de eficiência e de grande organização veio do novo aeroporto de Doha, aberto em maio de 2014 com a perspectiva de receber mais de 30 milhões de passageiros por ano. Ele tem cinco terminais com um total de 65 portões de embarque,inclusive oito com capacidade para receber de uma vez os mais de 500 passageiros dos Airbus A380 : no aeroporto o despacho das bagagens é feito num sistema automático com potencial para 19.500 malas  à hora ,inclusive em caso de falta de energia.Uma das funções consideradas mais importantes para o acompanhamento das bagagens em qualquer fase do despacho ou da chegada é representada pela integração entre o sistema de controle dos embarques e o de handling das malas,que sinaliza quaisquer anomalias .

Mas para minimizar os inconvenientes que em 2014 ainda prejudicavam o transporte normal de 7,3 bagagens por cada 1.000 embarcadas, além do gradual recurso de todos os aeroportos às possibilidades de controle oferecidas pela eletrônica, está sendo aguardada também a colaboração das maiores fábricas de malas. Informações recentes garantem que serão comercializados novos modelos dotados de pequenos “bag tags” eletrônicos, que aos ser ativados na hora do embarque permitirão às empresa de acompanhar a mala até o momento da entrega ao seu dono.