SOBRE O VOO QUE PRECIPITOU POR DECISÃO DO PILOTO



Oficialmente, a queda do voo 4U9525 da Germanwings foi causada pelo copiloto, o alemão Andreas Lubitz, de 28 anos, mas a história do matador de 150 pessoas não foi revelada em todos os detalhes, pois se evidenciaria a responsabilidade de quem não o excluiu de qualquer participação na pilotagem, em vista de indícios de alterações mentais inadmissíveis, quais a oficial crise de depressão, em pessoa com funções tão importantes para a segurança de centenas de passageiros.
Sobre a tragédia, as os 30 minutos finais das gravações de uma das caixas-pretas revelaram que o copiloto provocou a descida do Airbus A320 que voava de Barcelona para Dusseldorf, por iniciativa própria, até o choque com os Alpes, sem explicar a razão da manobra suicida.
O serviço sueco de rastreamento aéreo FlightRadar24 informou que, segundo análises de satélite, a altitude programada do avião no piloto automático foi alterada para apenas cem pés (30,5 metros), que é a menor possível para um Airbus A320, bem abaixo do local do acidente, que ocorreu a cerca de seis mil pés (1.829 metros) de altura, quando a aeronave bateu nos Alpes.
O presidente da Lufthansa, Carsten Spohr afirmou “Trata-se de um assassinado em massa, não suicídio”. E o procurador francês Brice Robin declarou “A queda do avião da Germanwings não foi um acidente, mas um crime. As gravações indicam que o piloto foi ao banheiro e transmitiu o controle para o copiloto, que quando ficou só teve um surto emocional extremo e apertou o botão Flight Monitoring System para acionar a descida, com a aparente vontade de destruir o avião.” Sem atender às batidas do comandante, que pretendia voltar à cabine e para isso tentou arrombar a porta, o copiloto – em vida até o minuto final da descida - além de acionar o mecanismo que bloqueia a entrada não respondeu as chamadas dos controladores e ás alertas automáticas de baixa altitude e de choque iminente: no final da gravação ficaram registrados os gritos dos passageiros, ao compreenderem o que estava ocorrendo. 
Logo após o acidente com o avião da Germanwings, varias empresas européias decidiram exigir que em seus vôos duas pessoas permaneçam sempre na cabine de comando duas. Na prática isso significa que “quando um dos pilotos precisar sair por qualquer motivo da cabine, para ir ao banheiro, por exemplo, um membro da tripulação deverá ocupar seu lugar até que ele volte".Também a Air Canada anunciou que implementará essa medida,sendo previsto que em breve a decisão da indústria será regulamentada pela IATA. Também na categoria européia das low-cost a EasyJet, após consultar as autoridades britânicas de aviação civil, decidiu a imediata entrada em vigor dessa regra em todos os seus vôos.
 A chamada "regra de dois" já é uma rotina nas empresas aéreas dos Estados Unidos. Entre os procedimentos aprovados pela Administração Federal de Aviação, FAA, está incluído que, quando um dos pilotos deixa a cabine por qualquer motivo, outro membro qualificado da tripulação deve trancar a porta e permanecer na cabine até que o piloto volte para a sua posição.

Vale lembrar que as portas blindadas se tornaram uma regra após o 11 de Setembro, com o objetivo de evitar um ato terrorista. Todas as companhias, primeiro as que serviam os EUA depois as demais, foram obrigadas a instalar equipamentos para isolar a cabine de pilotagem. Comandantes com experiência já haviam evidenciado que quando se tem uma porta blindada e só um piloto na cabine, não há nenhum meio de evitar um ato de loucura pois você não pode permanecer todo o tempo sentado, sem se mexer e sem ir ao toalete. Mas há mil outras maneiras de proceder na cabine, para quem quiser realmente cometer um ato como o que ocorreu.

Não há restrições á parte técnica, quando as empresas obedecem á freqüência das inspeções estabelecidas pelas normas de Airbus ou da Boeing. Por isso tanto nas empresas regulares como nas low cost, como a Germanwings, os critérios de segurança são os mesmos, com os aviões tendo data limite de utilização das peças que devem ser trocadas mesmo se estiverem em bom estado.

Há dois anos, a Lufthansa decidiu transferir a maioria de seus voos de curta e média distâncias para a sua subsidiária de baixo custo, a Germanwings (criada para competir com a Ryanair e a EasyJet) com exceção dos voos que chegam e partem do aeroporto de Frankfurt. Estava previsto que a partir de outubro outra subsidiária da empresa,a Eurowings ,passaria a atuar nos voos intercontinentais com tarifas de baixo custo,mas agora decisão pode ser alterada.Em particular a excelente imagem da Germanwings, empresa de baixo custo criada em 2002 e que possui 70 aviões A320 ( dos quais o que caiu nos Alpes tinha 24 anos sendo o mais antigo da frota ) poderá mudar se as investigações sobre as causas do acidente ocorrido na França revelarem problemas técnicos, falhas humanas ou algum tipo de negligência em relação à segurança.Qualquer mudança aos planos de expansão dos voos de baixo custo nas longas distâncias, acrescentaria novos prejuízos á Lufthansa, que em 2014 enfrentou longas greves que lhe causaram perdas de cerca 160 milhões de euros.

Inesperadamente a tragédia nos Alpes levantou muitas dúvidas em vários setores operacionais dos transportes aéreos, que caberia à IATA resolver com competência, sem omissões.

Para encerrar, complementamos as considerações iniciais deste texto com o parecer de Thomas Bronisch, especialista do Instituto Max Plank de Psiquiatria, que afirmou: ”Certamente o problema de Andreas Lubitz não era simples depressão. Era mais grave.....Para evitar casos semelhantes,uma medida importante seria a introdução (nas empresas) de exames psicológicos regulares,assim como já existe o exame médico,de vista,etc.”