O AVANÇO PENOSO DO TURISMO NACIONAL

 

Muitos pequenos países têm suas atividades focadas no turismo, que representa para eles uma das principais fontes de renda. Outros “grandes”, como França e Estados Unidos, recebem do fluxo anual de visitantes estrangeiros um válido contributo ao equilíbrio de suas balanças de pagamentos e um sensível suporte às suas atividades econômicas.

O Brasil ignora oficialmente essas eventualidades: a não ser as transportadoras aéreas e terrestres, e alguns hotéis, que em certas épocas do ano chegam aos índices médios de aproveitamento que justificam suas atividades.

Num processo para identificar os maiores responsáveis desta insuficiência turística, observadores objetivos se espantam comparando o número e a qualidade das atrações do país com aquelas de países bem menores e menos dotados, que entretanto recebem anualmente muitos mais visitantes .

De fato as estatísticas do turismo brasileiro geram surpresa ou até espanto. Antes do primeiro governo Lula elas beiravam o absurdo, pois solertes funcionários da Embratur se encarregavam anualmente de atualizá-las aplicando índices de crescimento do fluxo turísticos tão criativos quanto irreais. Até que a Organização Internacional do Turismo exigiu a aplicação de parâmetros técnicos se recusando de publicar em seus resumos anuais números que,aos poucos se haviam revelado como pura fantasia.

O novo governo exigiu mais realismo e, como imediata consequência o número de turistas desembarcados num ano no Brasil baixou de cerca 6 milhões para pouco mais de 4 milhões. Uma das causas  em períodos de 2011 foi a taxa de câmbio, com um dólar sendo trocado em volta de R$ 1,56.Um câmbio irrealista que, numa economia que ainda engatinhava à procura de solidez só podia causar distorções e abusos . De fato em breve os brasileiros descobriram que valia a pena voar para os Estados Unidos e voltar com as malas cheias de compras baratas: desde os enxovais de nenês ao computador ultimo modelo. Em média, segundo o noticiário da época, os gastos desse tipo absorviam cerca de US$ 5 mil per capita – 10 vezes o valor permitido - e rendiam na revenda mais que o dobro. Tudo com a complacência das alfândegas do país,que permitiam o ingresso de viajantes com três ou mais malas de tamanho incomum, sem realizar  o controle de seus conteúdos.

Nessa euforia “comprista” bilhões de dólares foram transferidos para as lojas de Nova York e de Miami, com gastos do turismo nacional que no período de um ano chegaram cerca de US$ 25 bilhões. Foi mais uma componente  do processo de aviltamento  progressivo da economia nacional, protegida por decretos de um ministro das Finanças incompetente , que reduziam por motivos políticos os custos individuais e oneravam o balanço governamental.E deu no que deu.

Mas voltando ao turismo, outros números apareceram nas estatísticas. Os desembarques reais de turistas estrangeiros, menos inflados que no passado, baixaram em volta de 4,5 milhões ao ano, chegando a 6,4 milhões apenas em 2014. E com a crise os gastos dos viajantes nacionais desceram dos quase 25 bilhões ao ano para uma média de pouco menos de US$ 1 bilhão ao mês, favorecendo mudanças altamente positivas no balanço de pagamentos com o exterior.

Foi necessário que o Brasil caísse numa de suas piores crises econômicas para que o turismo nacional voltasse à realidade. Atualmente, com o cambio do dólar na casa de 4 reais, a maioria dos produtos made in USA podem ser adquiridos no país a um preço quase equivalente  ,com as melhores marcas internacionais vindo da China.Mas a promoção turística do país continua engatinhando : não desfrutou como poderia a Copa do Mundo de 2014 e agora está se concentrando nas Olimpíadas de 2016, que terão seu cenário principal no Rio de Janeiro.

Até agora só foi publicado que a cidade terá anúncio para fornecer aos turistas a melhor orientação em sua procura das atrações e dos principais logradouros cariocas, ignorando que em numerosos ambientes esportivos estrangeiros há muita expectativa pelas competições que marcarão o calendário do evento. Mas devido a insuficiência promocional, continua difícil prever se os jogos olímpicos serão uma atrativa maior para a vinda de turistas que o campeonato de futebol.

Ainda haveria tempo para influenciar os potenciais viajantes estrangeiros, tentando inverter no sentido sul o que aconteceu com as dezenas de milhares de brasileiros que durante anos voaram para os Estados Unidos atraídos pelo cambio favorável. Atualmente os R$ 4 por dólar representam um valioso motivo para escolher o Brasil durante as Olimpíadas e ao longo de 2016, para férias a preços não comparáveis com aqueles cobrados nos países do euro ou em dólares. Mas para isso o Ministério do Turismo e a Embratur (se continua atuando nas iniciativas promocionais) deveriam dedicar uma modesta parte das verbas que no passado gastaram inutilmente com representantes no exterior sem qualificações para supostamente apoiar a vinda de turistas ao Brasil, para divulgar o fato que esse câmbio é uma grande opção para visitar um país com atrações turísticas incomparáveis em toda a America do Sul.

Acontece que com um Ministério praticamente acéfalo, pois o turismo não está ao alcance de ministros nomeados por razões políticas – sem ter a experiência setorial e conhecimentos culturais suficientes – com uma Embratur que parou após a performance positiva de sua última presidente - sobram escassas esperanças de que o Brasil saberá desfrutar de maneira adequada esta nova oportunidade para promover o seu turismo.