AEROBLOG DE 22 DE MAIO

 

FAZEM NOVENTA ANOS DESDE O VOO DO ‘NORGE’ AO POLO NORTE

Foi numa quinta-feira de 1926, exatamente no dia 12 de maio que o italiano Umberto Nobile e seus companheiros Roald Amundsen, norueguês, e Lincoln Eliswort, bilhonário americano, a bordo do aeróstato Norge, sobrevoaram pela primeira vez na história o Polo Norte. Não eram as melhores as relações entre Amundsen e Nobile, ambos desejoso de ficar com o prestígio dessa aventura e discutiram também quando estavam sobre o Polo Norte, para ter a prioridade  de lançar nas neves eternas a bandeira do próprio país. Depois de levar o aeróstato até o Alaska, Numa viagem de 70 horas e 40 minutos para cobrir a distância de 3.180 milhas, se separaram aparentemente para sempre. O destino fez que se reencontrassem no mês de maio dois anos mais tarde, quando Nobile voltou com a sua tripulação ao Polo Norte, onde foi surpreendido por uma tempestade, que além de impossibilitar a aterrissagem acabou derrubando a cabine do aparelho, com o navegador e dez homens da equipe, desaparecendo depois na imensidão branca. Sob uma tenda vermelha, se alimentando com a comida de bordo e utilizando um radio transmissor para se comunicar com o resto do mundo, esperaram por sete semanas a chegada dos socorros. Entre eles estava incluído um hidroplano francês pilotado pelo explorador norueguês Amundsen, que esqueceu as desavenças passadas tentando localizar o ex-colega, mas acabou se perdendo para sempre no mar Glacial Ártico. Os “náufragos” foram afinal encontrados por uma equipe internacional. E surgiram polémicas que afetaram o prestígio de Nobile, quando se difundiu a informação, desmentida somente décadas mias tarde, que ele fez questão de ser entre os primeiros a serem salvos.

A ORAÇÃO DO VIAJANTE

Quem trabalhou na aviação na primeira década deste século teve o prazer de ler o delicioso artigo “A traveller´s prayer”, um entre centenas de textos assinados durante mais de 50 anos por Art Buchwald, chamado pela imprensa americana de “national treasure of humor”. A sua assinatura, até 2006, apareceu no maior numero de jornais dos Estados Unidos, evidenciando com humor inimitável atitudes anti-bélicas que atormentaram os presidentes da época, desde Lyndon Johnson durante a guerra do Vietnam até o escândalo de Watergate e em 1982 quando publicou o livro “While Reagan Slept” sobre as omissões daquele presidente, recebendo o prémio Pulitzer pela qualidade de críticas e de comentários relacionados com a mediocridade das iniciativas tomadas por aquele presidente dos Estados Unidos. E assim Buchwald continuou após um enfarte, focando ironicamente as atitudes de George W.Bust por ocasião da guerra por ele declarada ao Iraq. O texto dedicado aos problemas eventuais que um viajante podia enfrentar, era apresentado no formato de reza ao Senhor, para proteger o turista. Os pedidos do longo artigo começavam assim: “Heavenly Father, look down to us, your humble, obedient tourist servants who are doomed to travel this earth, taking photographs, sending postcards and buying souvenirs “.E a seguir havia o elenco das proteções solicitadas: ”We beseech you, o Lord,to see that our plane is not hijacked, our luggage is not lost and overweight baggage goes unnoticed. Give us this day divine guidance in our selection of hotel”. E a lista continua com dezenas de recomendações, numa sátira que vale a pena procurar na Google, em inglês ou traduzida, pois ainda não foi escrito algo tão inteligente e divertido na literatura dedicada ao turismo.

CARTA DE COLOMBO AO REI DE ESPANHA VALE US$ 1 MILHÃO

Há dias foi realizada em Roma uma cerimonia de valor histórico: o embaixador dos Estados Unidos fez entrega ao ministro da Cultura da Itália da única cópia da carta enviada por Cristoforo Colombo aos reis da Espanha Ferdinando e Isabella em 1493, na qual anunciava a descoberta do chamado “novo mundo”. Colombo, que saiu de Porto Palos em agosto de 1492 a bordo da Santa Maria, a caravela principal das três que navegaram no Atlantico anunciava ter chegado ao ”Oceano Indiano” e fornecia numerosos detalhes sobre os “indios” nativos, definidos como “dóceis e maduros para serem convertidos ao cristianismo”. O navegador italiano fornecia poucos dados sobre a travessia, solicitando aos patrocinadores a organização de uma segunda viagem às “Indias”. O original da carta desapareceu, sendo o seu conteúdo divulgado inicialmente pela Europa numa versão em latim: cópia do texto em idioma espanhol, redigido meses depois e conhecido como a “Plannick II edition” foi levada aos Estados Unidos que a entregaram agora à Italia, por se tratar de um documento histórico ligado ao italiano Cristoforo Colombo. Na ocasião da cerimónia o embaixador americano lembrou a existência de bandos dedicados ao roubo de obras de arte, que se não se sabe como atravessam as fronteiras e atualmente são encontradas também em museus de prestígio, quais o Louvre francês e o British Museum. Os Estados Unidos já devolveram 26 obras de valor artístico e histórico à Itália : a cópia da carta de Cristoforo Colombo tem um valor estimado de US$ 1 milhão.