AEROBLOG de 13 de novembro

Com frota menor Gol reage à crise

A Gol, após um ano desastroso está tentando recuperar os milhões de dólares perdidos em 2015 adotando medidas radicais: em primeiro lugar reduziu a oferta de assentos, em segundo informou as empresas de leasing que decidiu devolver 13 aeronaves, encerrando o ano com uma frota de 122 aviões e tendo ainda a previsão de abrir mão de outros 5 aviões em 2017. Reduzindo a oferta ,se a demanda permanecer nos índices atuais  (no terceiro trimestre deste ano a Gol transportou cerca de 7,7 milhões de passageiros, com uma queda de 16,9% na comparação anual ), será possível à empresa impor ao mercado tarifas mais elevadas consolidando sua reação à perda de R$ 2,13 bilhões que ocorreu em 2015.No primeiro trimestre  de 2016  ela teve lucros de R$ 757 milhões, de R$ 309 milhões no segundo e de R$ 66 milhões no terceiro, com uma redução da oferta de assentos nos nove meses de 20,1% e de 12,6% nos custos. No terceiro trimestre a “geração de caixa”, ou seja, o lucro apurado antes dos descontos de praxe (juros, impostos, depreciação, amortização e leasing) na comparação com o mesmo período de 2015 cresceu quase 59%, chegando a cerca de R$ 600 milhões.

“AIR FRANCE TERÁ EMPRESA ‘SUA” CONCORRENTE

Os sindicatos são uma espinha na política empresarial de todas as companhias aéreas, com destaque para da Air France, estando em continuo contraste com a Administração sempre que ocorrem ou são projetadas alterações na estrutura que no médio prazo possam afetar as conquistas do pessoal de bordo. O motivo mais recente de polêmicas na empresa AF/KLM é representado pelo anúncio que a companhia pretende organizar uma espécie de subsidiária para competir principalmente com as congêneres nas rotas de longa distância entre Paris os Estados Unidos e a Ásia. Sem ser uma empresa “low cost” ela oferecerá aos passageiros reduções tarifárias, para absorver parte do mercado agora nas mãos de empresas como a Emirates, assim como para não perder o tráfego nas rotas atualmente operadas pelas companhias declaradamente low-cost. Em seu anúncio ao jornal “Le monde” a Air France afirmou que a nova companhia tem o nome provisório de “Boost” (que o mundo aeronáutico. considera como pouco comercial) e que o início de suas operações é previsto para o final de 2017. Os sindicatos ficaram logo em alerta, pois sabem que toda redução de custos acaba onerando comissários e pilotos, em particular em épocas de crises, como aquela que atualmente aflige a França e a maioria dos países da Europa.

CAUSAS DA VITÓRIA DE TRUMP SEGUNDO MICHAEL MOORE

Como sempre polêmico e irreverente o escritor e diretor Michael Moore, depois de conhecido o resultado das eleições favorável a Donald Trump, fez questão de lembrar a seus leitores no Facebook que desde junho havia publicado a previsão que Hillary - apesar de ser a sua favorita - não conseguiria ganhar de seu adversário, e que “the sociopatic full time will be our president”. E um mês antes das eleições havia lançado sua última chamada aos eleitores democráticos para que votassem na candidata. Ficou evidente que eles não entenderam 1) que o partido democrático precisa voltar ao povo; 2) que “profetas e técnicos” em sondagens criaram uma expectativa equivocada, a ser lembrada para evitar que proximamente eles inventem” new histories”; 3) que a vitória de Trump foi facilitada porque pouca atenção foi dada ao segmento do povo “mais desesperado”, que com seu voto contra os democratas expressou a sua raiva”. Moore enfatiza que, todavia não deve ser esquecido que Hillary ganhou o voto popular e que não foi eleita devido a “um sistema eleitoral que não respeita a escolha dos cidadãos”. Ele havia previsto como aconteceu que Trump decidiria a luta ganhando nos estados de Michigan, Ohio, Pennsylvania e Wisconsin e que haveria resistências de parte dos “white men” em votar num candidato do sexo feminino. Sem contar a desconfiança em relação à Hillary, considerada por 70% dos americanos “vinculada demais à velha política”, além do fato que na intimidade das urnas o eleitor pode desafogar suas frustrações, escolhendo nomes em contraste com as expectativas alheias.     

CAPITAL ESTRANGEIRO NAS AÉREAS: DESTA VEZ VAI ?

Não se sabe se desta vez o governo conseguirá editar uma chamada “medida provisória”, MP, que eliminaria as atuais restrições à participação do capital estrangeiro nas empresas aéreas, atualmente limitado a 20%. São anos que se fala no assunto, debatido pelos parlamentares e várias vezes rejeitado na hora da aprovação. A motivação levantada é sempre a mesma: “elas vão acabar com a independência das empresas nacionais, assumindo o seu controle à custa do prestigio nacional”. Vale lembrar que em outra época, devido à omissão do BNDES (com “compromissos” no exterior...) não foram concedidas pelo governo ajudas financeiras à Varig, que teriam evitado a sua falência, nem foi facilitada a vinda de capitais do exterior, apesar de se tratar da empresa mais representativa e mais querida do país. Atualmente todo o setor aeronáutico vai mal, principalmente pela falta de capitais: a Tam perdeu a sua independência, absorvida pela Lan Chile; a Gol teve que reduzir sua estrutura para sobreviver após ter perdido bilhões de reais; a Azul ainda não conseguiu decolar firmemente no mercado internacional apesar da ajuda financeira recebida da China e da tentativa de fusão com a Tap; a Avianca cresce com os capitais que recebe da matriz colombiana. Vale lembrar que a ex-presidente da República, depois de muitas dúvidas, se convencer que as dúvidas levantadas pelo seu partido eram puramente nacionalistas, havia decidido abolir todas as restrições à participação estrangeira no capital das aéreas nacionais, mas o projeto nem chegou a ser discutido pelo Parlamento. Agora é a vez do presidente substituto propor 100% de freedom: é oportuno aguardar antes de comentar o MP.