AEROBLOG de 2 de outubro

Duas vozes autoritárias contra o “golpe”

Os caminhos seguidos pela política nem sempre são claros e confiáveis. O afastamento da presidente Dilma levantou tantas polémicas e contrastes entre os milhões que manifestaram a favor ou contra a medida – que parece sempre menos certo que a história aceitará como uma providência legal a condenação que contou com os votos de deputados e senadores da Republica. As versões mais insistentes apontam os erros de Dilma, permitindo abusos e anarquizando a economia do Brasil, mas também identificam nas pressões para afasta-la o poder e o domínio dos reacionários da direita, temerosos de perder as imensas vantagens ainda existentes após séculos de evolução social. Os erros dos partidos de esquerda, mais que aqueles de Dilma, teriam oferecido a oportunidade para demolir o PT e para afastar uma presidenta da qual incomodavam particularmente as decisões de caráter popular que expressavam a sua fé nos direitos dos mais humildes. Duas vozes prestigiosas que se levantaram na semana passada parecem consolidar essa convicção: a do escritor Luís Fernando Verissimo e aquela do ex – presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. O primeiro afirmou que o acontecido demonstra o declínio do socialismo e que “cedo ou tarde as pessoas se darão conta de que a escolha continua sendo entre socialismo e barbárie”; o ministro Lewansowski foi ainda mais explicito, dizendo que o impeachment foi “um tropeço da democracia”. 

ENQUANTO ISSO A COLÔMBIA ESCOLHE A CONCILIAÇÃO 

Tudo teve início na Colômbia em 1964, numa operação com algumas características da paralela ditadura instalada no Brasil. Numa operação militar o exercito tentou destruir grupos guerrilheiros identificados também como esquerdistas, formados por camponeses que defendiam os direitos da categoria. Os sobreviventes formaram as FARC se identificando como forças revolucionárias em oposição à violência do governo. Desde então numerosas as tentativas para reestabelecer a paz não tiveram êxito ao longo de mais de 60 anos, durante os quais exponentes das duas partes foram assassinados num clima de violência que enlutou gerações de colombianos. Hoje dia 2 de outubro, será realizado no país um referendo se resume nesta pergunta aos votantes: “Vocês querem viver em paz ou não?”. De fato, como pode ser lido num artigo do escritor cubano Leonardo Padura, publicado pela Folha de S.Paulo “Os dois lados tiveram que ceder aceitar, propor para passar por cima de meio século de ofensas e dor e chegar a um ponto essencial de coincidência: o melhor futuro para o país”. Comenta-se que no crescendo de persecuções a personagens corruptas que se instalou no Brasil, cairia bem dirigir ao povo do país a mesma pergunta à qual respondem hoje os colombianos: “Vocês querem viver em paz ou não?”.

O PREÇO DO PETRÓLEO E AS TARIFAS AÉREAS

Os países integrantes o cartel do petróleo, a famosa Opep (Organização dos Países Exportadores do Petróleo) decidiu na quarta-feira reduzir de 700 mil barril por dia a produção do chamado “ouro negro”, visando conter inicialmente a sua continua redução de preço para em seguida impor eventualmente cotações mais convenientes para eles. Logo na quinta-feira foram registrados nos principais mercados mundiais aumentos do preço dos barris do Brent e do WTI próximos de 5%%.  As ações da Petrobras – que com sua habitual intempestividade havia anunciado há alguns dias uma redução do preço do petróleo vendido no país – se beneficiaram da notícia vinda da Argélia registrando um aumento próximo também de 5%%. Dizem que essa valorização será benéfica para a economia brasileira. Mas não houve comentários de parte das empresas aéreas do país, para as quais a IATA havia previsto um 2016 lucrativo.  A pergunta dos usuários é a seguinte: sendo que com o preço do querosene de aviação barato elas conseguiram perder em 2015 mais de 1 bilhão de dólares, qual será o aumento de suas tarifas, se junto com a cotação do petróleo subirá também aquela do combustível, que representa cerca de 33% de seus gastos operacionais?

A RYANAIR PRETENDE CRESCER MAIS

 A edição de outubro da revista ATW pública uma longa entrevista com Michael O´Leary, chefe desde 1994 da empresa aérea irlandês Ryanair, definida “the world´s most successful low-cost carrier” ainda em fase de crescimento. O CEO revelou que apesar de oferecer as tarifas mais baixas do mercado, o objetivo da sua empresa é continuar crescendo: a sua previsão para o corrente ano financeiro é transportar 117 milhões de passageiros e chegar a 180 milhões em 2024. E os lucros em três anos tem subido de 591 milhões de euros para 1,2 bilhão no ano passado .devendo chegar este ano a cerca de 1,4 bilhão.  O´Leary excluiu a possibilidade da empresa instalar brevemente a tecnologia Wi-Fi em suas aeronaves, pois penalizaria o consumo de combustível, acrescentando 4% ao gasto atual de 2 bilhões de euros e previu que no médio prazo ficarão na Europa somente cinco grandes companhias, ou grupos de aéreas, em volta da Lufthansa, Air France Ryanair e EasyJet. Quanto aos equipamentos, a opção da Ryanair é por aviões de um só corredor, como os 757 ou 787, mas encontra dificuldades para adquiri-los devido ao fato de todos eles estarem comprometidos com as empresas do Gulfo. Respondendo a perguntas específicas da ATW, O´Leary afirmou que na sua empresa são fora de cogitação aeronaves com 90 assentos, pois se nas operações europeias utilizasse aviões com menos de 189 poltronas o seu custo operacional se tornaria proibitivo. Após considerações técnicas sobre um “regional feeder” e sobre as novas exigências operacionais após que a Grã Bretanha saiu da União Europeia - considerando que a Ryanair é irlandês e que a EU exige que as companhias que operam no continente tenham a maioria de shareholders de nacionalidade europeia - o CEO admitiu que será necessário que a Ryanair estruture uma nova empresa inglesa para poder operar entre Londres e suas três rotas dentro da ilha. E concluiu excluindo estar interessado na Aer Lingus, se a empresa voltasse a operar no mercado.