AEROBLOG de 23 de outubro

Data trágica: o fim do socialismo húngaro

Hoje, 23 de outubro, recorrem 60 anos da trágica data na qual teve início, com a intervenção dos tanques soviéticos, o triunfo dos capitalistas reacionários que governavam a Hungria na luta contra a revolução socialista que miséria e persecuções fizeram explodir no país. Tudo começou com as reações populares, que tiveram na figura simbólica do premier Nagy o líder e a vitima final de um regime corrupto apoiado pela Armada Vermelha. Nos bulevars de Budapest as forças populares vitoriosas na luta sangrenta contra o governo, contando com o apoio do exercito, tiveram que se render frente à intervenção soviética, cujas panzerdivisionen, aviões de combate e tropas selecionadas foram impiedosas, matando em duas semanas de luta milhares de “reacionários”, sem contar os quase 100 mil que foram trancados nas prisões governamentais. Todavia a mensagem socialista que veio da Hungria teve o mérito de difundir nos países ainda oprimidos, em particular nas Américas, que somente pagando com o sangue poderiam reagir ao capitalismo dominante.

O JUIZ MORO NÃO GOSTOU

No “O Globo” o jornalista Élio Gaspari publicou sob o título “O juiz Moro e o frade Savonarola” parte de um artigo assinado pelo professor Rogerio Cerqueira Leite, publicado na “Folha de S. Paulo” sob o título “Desvendando Moro”. A comparação com o frade “visionário, demagogo, moralista e ascético”, excomungado pelo papa e , quando acabou a sua popularidade, “preso, torturado, enforcado e queimado” não agradou ao juiz da Lava-Jato, principalmente por estas frases do texto de Cerqueira Leite: “Cuidado Moro, o destino dos moralistas fanáticos é a fogueira” acrescentando em seguida que ele sobreviverá “enquanto Lula e PT estiverem vivos e atuantes. Ou seja, enquanto você e seus promotores forem úteis para a elite política brasileira”. Moro respondeu com uma carta endereçada ao professor, lamentando que “um respeitado jornal como a “Folha” tenha concedido espaço para a publicação do artigo, “onde“ sem qualquer base empírica, o autor desfila estereótipos e rancor contra os trabalhos judiciais realizando equiparações inapropriadas com fanático religioso e chegando a sugerir atos de violência contra o ora magistrado”. Em seu artigo no “O Globo” Élio Gaspari julgou que Moro respondeu a Cerqueira Leite com palavras tão estereotipas e rancorosas quanto aquelas que estavam criticando. O autor teria feito apenas um paralelo histórico, do qual “Moro não discutiu uma só vírgula” se queixando “de que a comparação com Savonarola não teve base empírica. O que isso quer dizer, não se sabe” concluiu Élio Gaspari.  

O otimismo do presidente da GOL

É raro que em entrevista algum presidente de empresa aérea demonstre pessimismo em relação ao futuro de sua companhia. A entrevista de uma página que Paulo Kakinoff, presidente da Gol, concedeu ao “Globo” é um exemplo marcante. Admitindo uma dívida bruta que em fim de junho passado totalizava R$ 15,7 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão com bancos, cerca de 4 bilhões com investidores e boa parte dos R$ 10 bilhões restantes com o financiamento de aeronaves, e tendo ações que as agências de risco avaliam como junk (lixo em linguagem das bolsas) Kakinoff demonstra incrível confiança no futuro da Gol, negando a recuperação judicial e excluindo que a sua empresa tenha como objetivo “se juntar a alguém”. Ele admite apenas que “isso pode acontecer, mas não há nada na agenda no momento”.

Michael Moore in Trumpland” é mais que um monologo

Michael Moore, conhecido mundialmente por seus polêmicos filmes “Bowling in Columbine” e “Fahrenheit 9/11” decidiu entrar nas polémicas contra as palavras e as atitudes de Ronald Trump na campanha eleitoral na qual disputa com Hillary Clinton nada menos que a presidência dos Estados Unidos. Faltando pouco mais de 2 semanas para as eleições, decidiu lançar um monologo no qual tenta entender as motivações de quem ainda apoia o bilionário e lança suas recomendações aos eleitores democráticos que eventualmente ainda tenham dúvidas sobre a escolha de Hillary. Na sua mensagem verbal ele diz “Eu sei, hoje Ronald Trump é o molotov humano que estão preparados para lançar contra o sistema. Querem transformar o 8 de novembro no maior “fuck off day” da história: e talvez no dia 9 se sintam satisfeitos. Um pouco menos satisfeitos estarão na semana seguinte. E num mês imitarão o que fizeram os ingleses após apoiarem o Brexit: procurarão assinaturas para voltar atrás. Mas será tarde demais. E assim vai o monologo de 72 minutos lançado apenas em cinemas de New York e Los Angeles, onde se formam diariamente filas enormes, apesar desse chamado “docu-show” não ter insultos ou provocações ao Trump, mas pleno apoio à opção Hillary, que numa cena Moore compara ao Papa, perguntando ”E se Hillary fosse como Francisco. Alguém que se mimetizou por toda a sua vida entre os conservadores, aguardando a oportunidade de se encontrar no lugar certo para dizer e realizar coisas justas e revolucionárias?Sem ofensas diretas, Moore chama os que apoiam Trump de “últimos dinossauros” e comenta : “Agora é uma mulher quer conquistar a presidência dos Estados Unidos. Após 8 anos de um preto. O que virá depois ? Um presidente gay?A seguir apresenta uma série de fatos a favor de Hillary, lembrando a sua luta para “dar assistência sanitária a todos” quando foi humilhada pelas reações contrarias, sendo injustificada a atual desconfiança em relação a ela. Aliás, “se alguém tem agora direito a desconfiar é ela, não somos nós”, conclui.