AEROBLOG de 26 de junho

 

A vitória na Grã Bretanha dos que eram a favor da saída da União Europeia demorou para se definir: duas horas antes de proclamada ainda os contra disputavam os dois pontos que lhes faltavam para superar o 50% dos votos. Antes da votação, o segmento a favor da permanência apoiava a previsão de que, se ocorresse o fechamento dos “confins” a maioria das empresas estrangeiras que operam no pais voltaria total ou parcialmente na União Europeia, reduzindo suas atividades na Grã Bretanha e, com isso, empobrecendo a economia e causando demissões e perdas de renda. No setor aéreo, por exemplo, as empresas low-fares irlandesa Ryanair e inglesa easyJet enfrentariam problemas para continuar voando entre os aeroportos britânicos e os europeus. Junto com previsíveis aumentos tarifários novos acordos, com certeza mais restritivos deveriam ser assinados entre a EU e a Grã Bretanha Do outro lado, os que apoiavam a necessidade do país se desvincular da EU, insistiam no perigo representado pela possibilidade que milhões de emigrantes, ao serem admitidos no bloco, criariam no curto prazo uma pressão social que atingiria também os serviços públicos e sanitários britânicos, atualmente já bastante onerados e até insuficientes para atender seus próprios residentes. E enfatizavam e criticavam as notórias deficiências estruturais da União, sem previsão de rápido melhoramento apesar das críticas de vários países aderentes. A primeira dúvida em relação ao imediato efeito do desligamento do Reino Unido da EU está relacionada com as taxas de câmbio: qual cotação perderá força? O euro ou a libra? E há quem admite um novo referendo.

 

UMA OLIMPÍADA SEM DISCRIMINAÇÃO DE RAÇAS

A Olimpíada do Rio de Janeiro se aproxima. Faltando pouco mais de um mês, atletas de todas as raças se preparam para debutar com sucesso nas respectivas especialidades. Além da tradicional dominância dos Estados Unidos, com o passar dos anos outros países tem revelado campeões extraordinários, que melhoram a cada edição os recordes antes existentes. Apesar de serem apenas competições esportivas, a maioria dos países atribui aos sucessos individuais ou de equipe de seus representantes significados nacionalistas, que em outras épocas eram identificados até como expressão de superioridade racial. Na longa história dos jogos que se iniciou em Atenas, ficou memorável a vitória de Jesse Owens na Olimpíada realizada em 1936 na Alemanha. O então ditador Adolf Hitler, não queria admitir a presença de atletas que não fossem de raça branca, mas teve que ceder. Seu preconceito sofreu a frustração maior quando o velocista negro, representando os Estados Unidos, ganhou quatro medalhas de ouro, das quais aquela nos 100 metros frente a um concorrente alemão.

 

AINDA SÃO ESCASSSAS AS PROVIDÊNCIAS CONTRA A OBESIDADE INFANTIL

Três grandes produtoras de bebidas a base de açúcar ou seus derivados, divulgaram em tom bombástico no país que a partir do mês de agosto não venderão mais nas escolas frequentadas por alunos de idade até 12 anos, seus conhecidos refrigerantes, notoriamente causadores de obesidade infantil, que posteriormente atinge quem ficou viciado quando criança e continuou quando adulto a ingerir essas bebidas reconhecidamente nocivas à saúde humana. No Brasil, como no mundo, as crianças são as primeiras a serem conquistadas pelo sabor sui generis dos produtos da Coca-Cola, Pepsi e Ambev, que agora num mea culpa atrasado aceitam indiretamente a responsabilidade de ter incentivado a obesidade mundial. Mas durante décadas ignoraram esse perigo, até a sua divulgação por organizações protetoras da saúde pública.

 

EMPRESAS AÉREAS NACIONAIS COM 100% DE CAPITAIS ESTRANGEIROS?

A questão da participação de capitais estrangeiros nas empresas aéreas brasileiras se arrasta já fazem décadas nas conversas entre companhias e entre membros do governo, encontrando sempre o bloqueio final na atitude firme dos parlamentares, supostamente em defesa da nacionalidade e da independência financeira das aéreas. Ultimamente vigorava um projeto que elevava os 20 % permitidos para 49% , assinado pela ex- presidente da  República a contra gosto, por temer que com  capitais externos nas empresas nacionais elas perderiam autonomia, empregos e prestígio. A não ser as modestas participações da Delta e da Air France que adquiriram há pouco tempo das brasileiras 10% de ações, pouco mais se sabe oficialmente sobre a entrada no país de capitais destinados à aviação civil, apesar de ser notório que, como fez a Azul com os cineses, reforços financeiros vindo do exterior já foram incorporados sob a forma de empréstimos. Até que, em março passado – abafada pela crise política, sem aviso prévio e sem muita coerência de parte dos parlamentares veio a votação, por 199 votos favoráveis e 71 contrários, de um projeto mais amplo e teoricamente mais arriscado, que permite a participação de capitais estrangeiros até 100%. Foi uma modificação radical á medida assinada antes, que limitava a 49% esses aportes, pois agora estará teoricamente permitida à iniciativa estrangeira a possibilidade de ter sua própria empresa aérea no país. Depois de avaliada pelo Senado a proposta dos deputados deverá ser assinada pelo presidente em exercício. Segundo alguns analistas, nesta difícil fase da economia nacional, após entrar em vigor a medida suscitará entre os investidores estrangeiros reações moderadas, sendo excluído que no curto prazo, como foi afirmado na Câmara de Deputados, ela ajudará a indústria aérea nacional a sair de sua crise.