AEROBLOG de 27 de novembro

Os relógios “Suiss made” perdem mercado

Um das mais prestigiosas indústrias da Suíça, que reúne dezenas de marcas conhecidas pelo mundo inteiro, apesar de ter entrado num processo de inovação mantendo marcas famosas e caras, está encerrando 2016 com mais uma flexão nas vendas. Em particular o relógio Rolex de ouro, sonho de ricos e de políticos desonestos, nestes últimos 30 meses viu suas vendas caírem de 27%; os modelos de aço perderam 10%. No mês passado a indústria teve um índice negativo foi de 16,4% e tendo já acumulado uma redução de 11% está prevendo fechar o ano no vermelho. A conjuntura não está pior por que houve uma reação das vendas na Grã Bretanha (onde após a saída da União Europeia se investe em objetos de luxo para minimizar a continua perda de valor da libra esterlina) na China, Qatar e Jordânia. Entretanto no mercado de Hong Kong, um dos mais valioso para os relógios suíços , as perdas do ano já totalizam 24%. Duas das principais causas dessas mudanças foram identificadas: a valorização do franco suíço, que encareceu os preços dos relógios e o fato da indústria helvética continuar fiel à tradição não participando da revolução digital, que ficou sua concorrente oferecendo aos mercados também produtos de qualidade que levaram as novas gerações a abandonar o conceito do relógio de luxo” como símbolo de status.

O NOVO RECORDE DE HOMICÍDIOS NO RIO DE JANEIRO

O Rio de Janeiro é lembrado pela maioria dos visitantes pela cordialidade e simpatia de seus moradores, além que pelas suas belezas naturais e pela estatua do Redentor que se projeta no céu da capital carioca. Essa fama está sendo ameaçada pela divulgação de dois fatores diversos: a terrível situação em que se encontram as finanças do Estado e o aumento vertiginoso dos índices de crimes. O Estado, após duas administrações incapazes e até desonestas, enquanto a terceira se destaca atualmente por sua incompetência, não honra mais nem os seus compromissos com a legião de funcionários admitidos em maioria sem concurso e sem competência, aos quais, por falta de verba paga os salários mensais em várias prestações. Mas o problema que mais preocupa as famílias tem um nome mais preocupante: crimes, ou melhor, homicídios. Segundo as estatísticas oficiais, de janeiro a setembro deste ano nada menos que 4.482 pessoas (entre as quais até alguns turistas) tiveram morte violenta, das quais 635 atribuídas à policia, que também teve 26 vítimas. Os analistas afirmam que o insucesso da implantação nas favelas do projeto chamado de “Unidade de Polícia Pacificadora” favoreceu o aumento da criminalidade nas ruas pois os que foram expulsos das favelas começaram a agir fora delas. O perigo de circular em muitas ruas do Rio só poderá ser minimizado com o aumento do policiamento, quando houver fundos para tanto. Até lá deverão se multiplicar pela cidade cartazes colados nos postes por cidadãos responsáveis, como aqueles que podem ser lidos numa rua do bairro da Gávea. Eles alertam os transeuntes assim: ”Área de muitos assaltos e sem policiamento. Cuidado” ·.

Porque com mais votos de Trump, Hillary perdeu as eleições 

  Com menos votos de Trump em apenas três estados (Michigan, Pennsylvania e Wisconsin) apesar do sucesso nacional registrado no total (64.227.373 votos contra 62.212.752), Hillary Clinton perdeu as eleições, fato que motivou pressões de seus eleitores para que solicitasse o “recount” dos dados eletrônicos, supostamente alterados com a interferência da hacker estrangeira e até com o apoio da Rússia. Em todo caso, as eleições americanas tem evidenciado a irracionalidade de um sistema que atribui mais peso ao voto de uma minoria de representantes políticos, delegados do Colégio Eleitoral (que foram 290 a favor de Trump, contra 232), de que à escolha de milhões de eleitores. Mas há um prazo para recorrer: até sábado somente a Comissão Eleitoral do Wisconsin havia recebido um pedido de recontagem (no estado a diferença a favor de Trump foi de apenas 27 mil votos) faltando a favor de Hillary um total de 71 mil votos nos outros dois estados.  

POR UMA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LAVA JATO

Em vários setores crescem as tentativas para bloquear ou minimizar as ações ou os efeitos das medidas que, já fazem quase dois anos, estão realizando no país uma “operação de limpeza” como nunca havia sido imaginada. Graças ao juiz Sergio Moro, políticos e industriais das categorias mais elevadas estão sob acusa pela participação nos mais variados segmentos da ilegalidade. As reações dos interessados e de seus cúmplices diretos ou indiretos crescem a cada dia, tendo merecido dois artigos da Folha de S.Paulo, assinados por Sergio Leitão e Ronaldo Porto Macedo. Jr que analisam resultados e expectativas relacionadas com a operação Lava Jato. Face à nova realidade eles enfatizam que a operação tem criado indevidamente a expectativa de que “a sorte e o destino do país estejam atrelados aos seus resultados,” alimentando um ambiente pouco propício ao debate democrático, pois é incorreto pensar que o combate à corrupção “pode ser feito apenas com o uso do sistema de leis penais”. De fato é difícil “imaginar que seja possível  resolver  a corrupção sistémica sem uma reavaliação do modo como o Estado e as empresas movimentam as engrenagens que fazem a roda da economia girar”. Eles enfatizam que se assim não fosse, a Lava Jato estaria criando crenças irrealistas. No segundo artigo, cujo título éUma operação excepcional”, o autor examina a inteira matéria e afirma entre oportunas explanações sobre alguns discutidos procedimentos penais da Lava Jato, que a sua legalidade é aparentemente amparada pela excepcionalidade dos casos, citando como exemplo o uso da delação premiada. São dois textos básicos para entender que se atualmente algumas ações da Lava Jato estão acima dos limites convencionais, elas decorrem apenas de uma exigência conjuntural que exige o recurso a todos os meios para apurar as tramas e os nomes dos envolvidos. Após o encerramento dos processos atuais, caberá ao sistema judiciário do país atualizar seus procedimentos administrativos, visando evitar que o drama da corrupção volte a se repetir.