AEROBLOG de 4 de dezembro

Luzes e sombras de uma tragédia

Há muitas luzes, atitudes tomadas por entidades e por pessoas que iluminam o lado humano da tragédia que eliminou o jovem e brilhante time de futebol de Chapecó, pequena cidade do Sul da qual pouco falava a imprensa, até o desastre aéreo causado por uma insignificante empresa aérea boliviana cujo nome desconhecido é LaMia, escolhida por praticar tarifa menor das outras alugando o único Avro que possuía.  que Na hora da decolagem a aérea ainda economizou na quantidade de combustível embarcado, causando a morte de 71 passageiros, entre jogadores do time, dirigentes, jornalistas e outros. O acontecimento emocionou o mundo e teve manifestações exemplares de solidariedade e de carinho no Brasil e na Colômbia, onde a participação popular e das autoridades foi particularmente intensa. Também o mundo do esporte expressou seu apoio à cidade e às famílias em luto com destaque pela iniciativa do campeão português Cristiano Ronaldo que fez doação de 2 milhões. Enquanto isso o brasileiro Neymar mais uma vez se omitia, talvez preocupado com a ação penal da Justiça espanhola que exige dele & família o pagamento de evasões fiscais por milhões de euros, além de ameaça-lo com dois anos de cadeia. Voltando à tragédia com o time chapecoense, segundo vozes prestigiosas da imprensa - mas algumas emissoras de tv poderiam ter evitado entrevistas inúteis – após o afastamento de dirigentes corruptos da Fifa ainda há muito a ser feito em defesa dos jogadores. Como escreveu Arnaldo Bloch no “O Globo” se referindo à contratação do único avião da LaMia, apesar de todas as críticas sobre sua segurança que havia recebido do campeão Lionel Messi quando transportou a seleção da Argentina:” Que tipo de lógica leva, num negócio de meio trilhão de reais por ano, a se aceitar que jogadores sejam transportados como cargas inanimadas?”

JOIAS PARA O GOVERNADOR, MISERIA PARA O ESTADO

O recém-eleito governador do Estado do Rio de Janeiro está analisando a terrível situação financeira na qual encontrou a administração, tentando juntar com a ajuda do governo Federal fundos para pagar os salários dos funcionários e os compromissos mais urgentes com hospitais e fornecedores. Enquanto isso, o ex governador Sérgio Cabral, que após as investigações da Lava Jato assumiu uma posição destacada entre os que mais roubaram ao Estado, foi transferido de seus aposentos de luxo para a cadeia, perdeu carros e barcos e mais de 7 milhões em joias, adquiridas com a cumplicidade de duas das mais renomadas joalharias do país, conhecidas também no exterior. Elas são a H.Stern e a António Bernardo, que em troca de suas vendas ilegais foram beneficiadas por um decreto ad hoc assinado em dezembro de 2008 pelo governador, que reduziu seus tributos de R$ 1,44 milhão para R$ 430 mil: para tanto nem haviam emitido notas fiscais, operação que fizeram às pressas só no dia em que Cabral foi preso. Uma das diretoras da H.Stern admitiu a roubalheira, quando interrogada pela Polícia Federal. Ilegalidades como estas, que contribuíram para empobrecer o Estado do Rio de Janeiro, não sensibilizaram numerosos parlamentares, que na semana passada apoiaram com seus votos uma lei que tiraria da Lava Jato uma parte da sua atual independência nas ações contra a corrupção. Talvez a tentativa não passará na votação no Senado, apesar de seu presidente estar bastante interessado na aprovação. Episódios como este confirmam que ainda há uma “long way” para trancafiar todos os que roubaram, na espera das denúncias da Odebrecht. 

A ‘ESQUERDA’ FALIDA DE HOJE E A DE AMANHÃ

O desaparecimento de patriotas como Fidel Castro e Ché Guevara, um vencido pela idade, outro assassinado pela CIA, eliminou duas figuras que eram identificadas como comunistas ou esquerdistas por quem tinha interesse em afasta-los, pois apoiando os direitos dos cubanos mais humildes incomodavam os detentores das riquezas mundiais. Na política, o conceito da palavra “esquerda” evoluiu bastante desde as épocas da Revolução Francesa, de Kant e de Marx até chegar aos tempos modernos. Num artigo do escritor Luiz Eduardo Soares, em página inteira do caderno “Ilustríssima” da Folha de S.Paulo de 27 de novembro passado, são focadas as fases do crescimento da esquerda, o seu significado social, seu alcance global, até à sua atual insignificância. O texto reconhece no final : “ é preciso admitir o obvio :no Brasil a esquerda foi derrotada. A crise econômica e a omnipresença da corrupção produziram uma rejeição generalizada ao PT que contaminou a imagem de todo o campo da esquerda. A ausência de autocrítica contribuiu para a injusta generalização. Portanto, para que a esquerda se renove e volte a merecer o apoio popular, será necessário enfrentar com transparência a problemática da corrupção, analisar as razões da crise econômica, sem omitir os erros do governo Dilma , e elaborar um programa realista porém ambicioso, que combine com a reforma profunda do sistema político o compromisso de enfrentar com urgência as desigualdades sociais aviltantes, redefinindo o desenvolvimento brasileiro nos marcos da sustentabilidade.”  E conclui com esta mensagem: “Fundamental será a unidade da esquerda e a sua aliança com setores democráticos. Uma derrota em 2018 seria uma tragédia para o país”.