JOGOS OLÍMPICOS VERSUS JOGOS CRIMINOSOS

 

O Brasil, e em particular o Rio de Janeiro, abriu o ano 2016 com toda sua atenção e carga motivacional concentradas nos Jogos Olímpicos. É a primeira vez que eles serão realizados na América do Sul e no Rio.

Perguntem à maioria dos cariocas o que essas competições significam para ele. Mais medalhas de ouro,uma melhor classificação entre os países participantes,muitos turistas,será a resposta mais freqüente,sempre otimista apesar da crise na qual o país se debate.

Mas o que mais pesa nessas previsões não é a consciência de que há bons atletas que estão se preparando para competir, nem alguma comparação com o nível dos países concorrentes. O que mais influencia esse desejo tem razões íntimas,em particular relacionadas com o resultado da Copa do Mundo de 2014, que eliminou a equipe nacional ,pela primeira vez derrotada por 7 a 1 num dos jogos de acesso às finais.O torcedor brasileiro  quer a revanche, com seus atletas e suas equipes ganhando medalhas que estarão confirmando a evolução do país em todos os esportes.  

Para um observador imparcial as maiores possibilidades de sucesso dos atletas nacionais continuam restritas às competições em equipe, em particular em segmentos como o judô e a vela, como aconteceu no passado. As duas maiores incógnitas se encontram na natação, apesar de brilhantes performances em 2014 e no futebol, ao qual atualmente faltaria aquela estrutura técnica e atlética necessárias para superar vários adversários bem qualificados. Na dúvida, sem a menor razão lógica o Comité Olímpico Brasileiro decidiu fixar uma meta mínima para a delegação do país: se classificar entre os primeiros dez países participantes. Se o judô ganhar as 19 medalhas que conquistou na Olimpíada anterior e o Brasil conseguir repetir as boas performances na natação e na vela,ainda terá que conquistar importantes  troféus no atletismo e se destacar no basquete, no futebol e no vôlei para se manter em evidência numa classificação geral que terá como prováveis estrelas as equipes dos Estados Unidos e da China,além daquelas de vários países europeus e de Cuba.

Quanto à expectativa da vinda de turistas em número maiores aqueles que participaram do Campeonato Mundial de 2014, é provável que o câmbio do dólar e do euro em volta de 4 reais represente um estímulo para quem ainda não teve a oportunidade de visitar o Brasil. Mas as previsões otimistas devem dar o justo peso a outros fatores: apesar do câmbio favorável, as diárias dos principais hotéis estão bem próximas daquelas de outros países, os transportes aéreos terão aumentos excessivos e há o problema da segurança, amplamente divulgados no país e nas páginas de jornais estrangeiros.

Entre as capitais do país compete ao Rio de Janeiro o titulo de cidade onde a violência mais se evidencia em formas individuais e coletivas. Há quem atribui o número elevado de casos à expulsão pela Policia de elementos antes radicados nas tradicionais favelas, numa aparentemente saudável política de “limpeza” a favor de milhões de pessoas antes sujeitas a todo tipo de abusos de parte de indivíduos organizados em estruturas comparáveis com às da máfia internacional.Faltou a essa louvável iniciativa a previsão de que a maioria dos criminosos não abandonariam suas atividades, se reorganizando de maneira menos evidente  dentro e fora das favelas.

E de fato à margem delas surgiram dezenas, talvez centenas de pequenas “bandas”, que em grupo ou individualmente iniciaram novas formas de desafio aos policiais. Dos pequenos furtos, aos arrastões nas praias, até o assalto aos motoristas de carros particulares ou à ameaça direta a transeuntes, tudo passou a valer, com freqüência inesperada, na ‘ cidade maravilhosa’. A firme reação dos policiais foi um imprevisto elemento complicador para o dia-dia dos moradores, pois a troca de tiros atingiu com freqüência inermes cidadãos e numerosas crianças, inclusive em ações defensivas consideradas abusivas ou ilegais.

E quando as vitimas eram turistas estrangeiros os fatos tiveram difusão através da imprensa de seus países, motivando restrições ao Rio de Janeiro como destino preferencial, por não ter sido alcançado o controle total de atividades criminosas, considerado essencial para a vinda de visitantes de outros países.

Diariamente os vários organismos que compõem a estrutura policial do Rio realizam ações contra os bandidos, prometendo Olimpíadas tranqüilas a brasileiros e estrangeiros. É um compromisso indispensável, pois dele depende o sucesso de público nos novos centros esportivos,edificados para o evento  internacional . Nas semanas das Olimpíadas haverá a concentração no Rio de milhares de militares e de policiais, repetindo a formula universal para combater o crime, recentemente atualizada nas imagens televisivas vindo de Paris, Bruxelas e outras capitais em permanente estado de alerta.

E se é verdade que a prevenção representa a forma mais valiosa para combater o crime, há motivos para acreditar – e para divulgar no exterior – que entre 3 e 21 de agosto o Rio de Janeiro será uma cidade segura, um centro de esportes digno da milenária tradição olímpica.