MOSQUITOS AMEAÇAM RECEITAS DE HOTÉIS CARIOCAS NAS OLÍMPIADAS

 

Nas semanas dedicadas ao Campeonato Mundial de Futebol, realizado no Brasil em 2014, as receitas de moedas fortes proporcionadas pela vinda de turistas estrangeiros foram decepcionantes. A maioria deles veio de países sul-americanos, com prevalência de argentinos, com sua moeda desvalorizada e o dólar cotado a um cambio proibitivo.

O modesto resultado financeiro levantou mais uma vez perguntas relacionadas com a conveniência de realizar no país eventos desportivos internacionais de massa, quando eles exigem investimentos elevados em novas estruturas, com destaque pelo custo de novos estádios além de reformas nos existentes.

Resultados desportivos à parte, particularmente desfavoráveis à equipe de futebol brasileira, houve também a crise na diretoria da FIFA a ofuscar a imagem do evento, para cuja indicação competem sempre vários países, até de maneira ilegal.

Chegou agora o ano dos Jogos Olímpicos, uma tradição que atravessou os séculos e envolve sempre grande número de países em disputa para serem eleitos sede do evento mundial. O Rio de Janeiro ganhou a indicação e a cidade já realizou investimentos nas estruturas necessárias para as mais diferentes competições. Num ano crítico para o Brasil, na economia e na política, em pleno regime de cortes financeiros que atingem setores de grande importância coletiva, quais os programas de construção de casas para os mais necessitados, de reforma de rodovias que se tornaram intransitáveis, da própria previdência social, esses investimentos atingem segmentos elevados da população, pois como consequência desses gastos os governos estaduais encontram dificuldades para pagarem até os salários dos funcionários.

De outro lado, com destaque para o setor hoteleiro, houve um esforço concentrado de nomes prestigiosos no país e no exterior para aumentar a disponibilidade de quartos, em previsão do grande fluxo de visitantes que seria formado além que pelo número elevado de atletas e de técnicos, por milhares de torcedores vindos do exterior. Mas nestas últimas semanas surgiram os temores de uma decepcionante ocupação dos novos leitos inaugurados pela indústria. De fato o número de quartos ofertados para as Olímpiadas de junho próximo cresceu recentemente para cerca de 62 mil, com a prevalência de instalações de nível médio e elevado.  

A favor das chances de uma taxa média de ocupação acima de 70% há o fator preço, que apesar de elevado para a maioria de hospedes nacionais se torna acessível aos estrangeiros que venham às Olímpiadas com dólares, pois o câmbio é bem mais favorável daquele vigente durante o Mundial de Futebol de 2014. A razão principal da incerteza dos hoteleiros está relacionada com os problemas sanitários causados pelo mosquito da dengue, que nos últimos meses tem ampliado sua periculosidade atacando supostamente os fetos de mulheres a espera de crianças.

Já há uma alerta oficial sobre a doença, com as autoridades de vários países recomendando medidas individuais de precaução, em particular após a admissão sanitária da possibilidade que o vírus seja transmitido nas relações sexuais, fato que ampliaria os riscos de divulgação também entre as mulheres que não viajaram para os países indiciados.

Várias empresas aéreas estão reembolsando o valor das passagens adquiridas por mulheres que, por óbvios temores, desistiram de viajar para países da América do Sul, os mais contaminados pelo mosquito. O Brasil, onde foram registrados os primeiros casos e onde a divulgação da doença assumiu aparências epidêmicas, é o mais visado e essa realidade poderá comprometer a vinda de turistas nas Olímpiadas. Seus reflexos negativos poderão se acrescentar aqueles atualmente causados pela redução das atividades econômicas pois a crise que o Brasil atravessa afetou o turismo corporativo que antes movimentava semanalmente milhares de executivos nacionais entre as principais cidades do país.

O número de hospedes nos hotéis do Rio de Janeiro já teve neste 2016 uma redução estimada em cerca de 12%%, que afetou em particular as novas instalações que surgiram na Barra da Tijuca. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio revelam que em novembro passado os índices de presenças na hotelaria carioca, comparados com aqueles do mesmo mês de 2014 caíram de 966,9 mil para 834 mil.

Preocupação parecida existe no setor aéreo, que tem registrado também reduções sensíveis do tráfego para o Norte e o Nordeste. A conseguinte diminuição do número de voos motivada pela caída da demanda gerou a oferta de tarifas menores, com efeitos negativos nos balanços das empresas, que além de reduzirem suas operações tiveram que “aposentar” por tempo indeterminado algumas aeronaves e modificar junto da Airbus e da Boeing as datas de entrega de novas unidades.   

O vírus do mosquito e a crise económica são os maiores desafios enfrentados pelo governo, que ao conscientizar-se de suas gravidades procura um caminho para aliviar a pior conjuntura já enfrentada pelo Brasil. Com poucas chances de sucesso no curto prazo.