O BRASIL AINDA CONTA COM AS OLIMPÍADAS

 

Por ocasião do Campeonato Mundial de Futebol, em 2014, segundo o Ministério do Turismo o Brasil recebeu 1,02 milhão de turistas ao longo do mês de junho. O número foi julgado inferior ao esperado, mas dentro da estatística do inteiro ano (6,42 milhões de visitantes) representou um aumento notável. De fato as vindas de estrangeiros ao país nesse mesmo mês de junho de 2013 haviam alcançado apenas 350 mil turistas.  Como sempre, apesar da crise, a Argentina foi o país que no ano inteiro teve o maior número de presenças, chegando a mais de 1,7 milhão de visitantes, do total de 3,1 milhões vindos de toda a América do Sul.

Assim, na e época as previsões sobre o fluxo turístico ao país por ocasião das Olimpíadas eram bastante otimistas e basicamente coerentes. Foi dito que se o Campeonato Mundial havia frustrado os torcedores, havia também contribuído para reduzir o déficit entre os gastos feitos pelos brasileiros em suas viagens ao exterior e as despesas dos visitantes no país. Numa comparação muito lógica foi evidenciado que na Copa atuaram 30 equipes, enquanto nas Olimpíadas participariam as representações desportivas de mais de 200 países.  O ministro do Turismo a definiu “uma oportunidade única” para mostrar e divulgar o Brasil. De fato é notório que os países competem para serem escolhidos como sedes do evento, pelas volumosas receitas que os participantes gastam no país e pelos efeitos positivos sobre os indicadores do fluxo turístico. Por isso os escolhidos já enfrentaram gastos de bilhões de dólares para construir e reformar estádios, além das estruturas necessárias para a realização de todas as modalidades de esportes.

Para as Olimpíadas deste ano o Brasil já gastou muitos bilhões e se encontra quase em dia com todas as obras exigidas pelo evento. Talvez o único e serio problema seja a impossibilidade de despoluir as águas da baia de Guanabara, cujo estado preocupa pelo risco de transmissão de doenças aos atletas que nelas irão competir. A opção de realiza-las em Búzios teria resolvido a questão. Muito menos importante foi a necessidade de modificar a pista de ciclismo, por exceder as medidas convencionais nos pontos que exigem esforços mais intensos dos atletas. Mas basicamente as estruturas principais foram concluídas e eventualmente deverão apenas ser aperfeiçoadas.   

O maior desafio é atualmente o mosquito da dengue, que alterou abruptamente o panorama sanitário do Brasil: atletas e delegações ponderam agora os riscos de serem picados e se tornar portadores de doenças transmissíveis aos familiares, por ocasião da volta ao país de origem. Ainda faltam quase cinco meses e existem esperanças de que, com a colaboração de entidades estrangeiras, será possível minimizar os riscos e recriar a grande expectativa do atletismo mundial, que aguardou por 4 anos a realização do evento.

De toda parte há pressões intensas a favor e contra a realização destas Olimpíadas se a situação sanitária não se modificar no curto prazo. Mas preocupa também a possibilidade de haver numerosos forfaits, que além de alterar a consistência de equipes de grande fama empobreceria a competição e tornaria os resultados poucos expressivos e não comparáveis com os das competições anteriores. Estaria sendo debatida, nesta conjuntura, uma proposta não oficial: transferir as Olimpíadas para 2017, mantendo a sua sede no Brasil.

As consequências para o país seriam desastrosas, pois atingiriam também os esforços para reduzir o impacto da crise econômica brasileira, uma das piores da história nacional. E a nova conjuntura obrigaria os setores hoteleiros e aéreo a desmontar previsões de lucros que no momento excedem uma sadia política de comercialização de serviços. Com poucos turistas, neste 2016 os hotéis teriam problemas para cobras tarifas que segundo pesquisa do jornal “O Globo” alcançaram para o período das Olimpíadas aumentos superiores a 2000% (dois mil por cento). Em dólares, atualmente a média diária das tarifas nos hotéis cinco estrelas já chega a US$ 500, e é considerada elevada também para os estrangeiros , apesar da vantagem do câmbio.  Sobre essa subida geométrica o mesmo jornal evidencia: “A tarifa cobrada a um casal que reservar por uma semana um quarto duplo no Ibiza Barra, pula no período olímpico dos atuais R$ 2.093 para R$ 12.530”. Já no Bourbon Barra Residence, sempre na comparação do período 4 a 11 de março com a semana de 4 a 11 de agosto o aumento é astronômico: da R$ 2,065 passa para R$ 70.000.’

E também as tarifas aéreas terão aumentos que afetarão em particular os residentes. Como exemplo “O Globo” cita o valor dos bilhetes das quatro empresas que operam a rota São Paulo/ Rio de Janeiro: uma passagem de ida, em 5 de março, custará R$ 213 na Gol, passando para R$ 1.495 em agosto; na Azul de R$ 206 para R$ 2.030; na Tam de R$ 260 para R$ 789 e na Avianca de R$ 260 para R$ 1.225. Como se vê , hotéis e empresas aéreas são os mais bem preparados para as Olimpíadas.