Opiniões do "The Economist" sobre a conjuntura do Brasil

 

Com pontualidade britânica, no último sábado de 2015 o semanário “The Economist” publicou uma prévia de sua edição de janeiro de 2016, focando fatos e personagens do mundo inteiro. Sua tiragem em inglês está em volta de 1,4 milhão de cópias, que são lidas por cerca de 4 milhões de pessoas, com destaque pelos executivos das mais importantes empresas do globo.

Quem acompanhou suas publicações nos últimos quarenta anos, tem relevado que as críticas ao Brasil tem sido bem mais numerosas que os elogios, com poucas exceções: entre elas mereceu destaque a edição de 14 de novembro de 2009 na qual a sua capa apresentava a estatua do Cristo decolando e a escrita “Brazil takes off”. Mas após cerca de três anos, outra edição dedicada ao país impactou com a pergunta “Has Brazil blown it?”, que insinuava a perda de fôlego brasileira reproduzindo a mesma estatua como se fosse uma aeronave em queda livre.

Nessa edição The Economist foi impiedoso com a presidente Dilma, que aparecia em sete poses numa charge na qual - após criticar a NSA americana pelas ações de espionagem realizadas no Brasil - anunciava com evidente irritação o cancelamento de sua visita oficial aos Estados Unidos, fato que tinha “um custo de curto prazo para os USA e outro de longo prazo para o Brasil”, pois representava uma oportunidade perdida para o país. O semanário anunciava também que publicaria um “Special report on Brazil”, dedicado a uma analise da situação política, social e econômica, ilustrada com fotos e gráficos.

Poucos países receberam o número de estudos e de informações que foram dedicadas pela revista ao Brasil., sendo que a maioria delas não poupou críticas à administração do país. Entre todos os presidentes da República somente Lula, por suas realizações sociais, recebeu os comentários apreciativos do “The Economist”, em particular quando em 2007 o país cresceu 6,1%. Mas após a eleição de Dilma a revista levantou restrições à política econômica do governo, definido como omisso e indeciso, atribuindo a maior responsabilidade pela conjuntura negativa do país ao ministro Guido Mantega.

O texto de 12 páginas confirmava as dúvidas do semanário em relação ao futuro do Brasil, cujos maiores problemas - analisados em oito capítulos - para ser solucionados estavam exigindo mudanças profundas de natureza econômica e social. Os gráficos evidenciavam problemas como a inflação, a taxa de câmbio do dólar, os gastos governamentais crescentes, com destaque para as aposentadorias pagas a categorias privilegiadas; os preços exorbitantes de alguns “serviços” essenciais; os de aparelhos domésticos e carros “at least” 50% mais caros que na maioria de outros países e os índices negativos de produtividade, concluindo que “toda a estrutura existente no Brasil é decrépita.” O Report  criticava também o sistema político nacional, na mão de incompetentes e corruptos, numa administração federal que a “com frequência parece viver num outro planeta”. Há muito a ser mudado – concluía.

Na edição deste mês, cuja capa é ilustrada com uma foto de Dilma Rousseff de cabeça baixa, e sob o título Brazil´s fall (Queda do Brasil) a revista resume os problemas atuais do país, alertando para a possibilidade de “um ano 2016 desastroso’, em contraste com o otimismo que em outra conjuntura seria motivado pela realização das Olimpíadas. The Economist cita, entre os prováveis agravantes do previsto encolhimento da economia do país, a perda de mais uma posição no grau de investimento anunciado pela agência de classificação de risco Fitch Ratings e a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. Igual importância no agravamento da conjuntura político-econômica do país é dada ao escândalo de corrupção interna da Petrobrás e à ameaça do processo aberto no Congresso para o impeachment da presidente Dilma.

“Apenas escolhas duras podem colocar o Brasil de volta aos trilhos” afirma a revista “mas Dilma Rousseff não parece agora ter estomago para elas”, acrescentando que, todavia acredita que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, tendo o apoio do PT, negado ao seu predecessor, poderá realizar alguns dos objetivos indispensáveis para melhorar a conjuntura do país.

O “The Economist” observa que o país estava com potencial para figurar na vanguarda do crescimento dos países emergentes, mas frustrou essa expectativa, pois ao contrario de outros membros do BRICS” enfrenta uma turbulência política e, talvez, um retorno à inflação galopante. As previsões são de que este ano ele encolha entre 2,5% e 3,0% e seja objeto de uma recessão, estando em situação pior que a Rússia, que foi afetada pela elevada queda dos preços do petróleo e pelas sanções dos Estados Unidos e de vários países da Europa.

Após salientar que, como outros grandes países emergentes o Brasil foi prejudicado pela queda nos mercados internacionais dos preços das commodities, a revista enfatiza que a emergência foi agravada por medidas de estimulo à economia “extravagantes e imprudentes” tomadas pela presidente.

E conclui diagnosticando que, com uma dívida bruta que beira os 70% do Produto Interno Bruto, com tendência a aumentar, os administradores do país devem iniciar logo as reformas essências, pois não há mais tempo para esperar “tempo melhores”.