AEROBLOG de 19 de fevereiro

EMBARCOS SEM PASSAPORTE EM AMSTERDAM

O aeroporto Schiphol de Amsterdam acaba de testar com a companhia KLM um novo sistema de embarque, que se aprovado poderá se transformar num procedimento oficial: o passageiro de apresenta ao gate sem passaporte ou cartão de embarque, sendo suficiente a identificação de sua cara pelo “biometric boarding”, O sistema, que deverá ser testado por vários meses e aprovado pelas autoridades de segurança e do aeroporto, registrado pelo nome de “embarco biométrico”, além de produzir importantes mudanças nas operações de check-in e de acesso às aeronaves possibilitará embarques muitos mais rápidos e a eliminação de controles de passaporte e de emissão de cartões individuais, operações muito demoradas em particular quando se trata de aeronaves lotadas, com mais de 250 lugares. O Sistema memoriza a face do viajante no data-base da empresa aérea, e poderá ser reutilizado em todos os voos do passageiro na mesma companhia: na primeira experiência o viajante deverá se registrar com seus documentos e passar pela analise facial que será utilizada a cada seu embarque. Vale lembrar que o aeroporto de Schiphol sempre se destacou pela procura de inovações úteis para agilizar seu movimento anual de cerca de 60 milhões de passageiros: entre outras há o robot Spencer, que orienta os viajantes em transito para encontrar os serviços que procuram e dispositivos eletrônicos de proteção para objetos e líquidos que não podem ser levados a bordo. Também outros aeroportos, entre eles Atlanta, New York JFK e Doha estão testando novos procedimentos que visam agilizar as fases de embarques dos passageiros.

 DÚVIDAS SOBRE A SAÚDE MENTAL DE TRUMP SERIAM INCONSISTENTES

Falas e atitudes do presidente Trump tem levantado muitas dúvidas sobre o seu equilíbrio mental. Até especialistas em psiquiatria da Universidade de Harward tem sido consultados e suas opiniões, inspiradas pela prudência por se tratar do presidente da República, não escondem restrições a certos comportamentos, que contrastam com o fair play habitual nas relações das autoridades com seus subordinados e seus eleitores. No final do ano passado foi alertado o ex presidente Obama sobre algumas atitudes de Trump que mereceriam uma analise pessoal e profunda. Trata-se em particular de sua notória instabilidade mental, que vai da impulsividade ao desprezo às críticas, à criação de mentiras que atingem indivíduos ou instituições, até sua evidente incapacidade de lidar com as derrotas, de quaisquer origem e gravidade. Mas todas essas preocupações pela importância que as falhas eventuais na saúde mental de Trump poderiam causar à imagem no exterior dos Estados Unidos, e na política econômica do país- atingindo milhões de americanos nascidos ou naturalizados - foram abafadas pelas considerações do presidente da Newsmax Media, Chris Ruddy amigo de longa data de Trump, que simplesmente declarou à CNN que se o novo presidente dos EUA não gozasse de um perfeito equilíbrio mental não teria construído o império bilionário que possui: ‘ele é apenas experto, experto demais, e sabe usar suas habilidades para alcançar os objetivos pré-fixados”. 

Os paraísos fiscais e seus clientes

As prisões do ex governador do Rio de Janeiro, Cabral, e de sua mulher, tem revelado vultosos movimentos ilícitos de dólares, euros e reais que teriam chegado a 184, talvez um recorde mensal para o país. Na Europa, onde desde 2013 o problema dos chamados “paraísos fiscais” preocupa em particular as autoridades, o fluxo de dinheiro “negro” para instituições financeiras dedicadas exclusivamente ao recebimento e à movimentação de capitais em geral fruto de roubos diretos ou indiretos, era calculado em 23 bilhões de euros, dos quais mais de um bilhão vindo de países europeus. Sabe-se que nos Estados Unidos, entre  1994 e 2004 as maiores empresas do país triplicaram os seus lucros com negócios no estrangeiro, mas cerca de 60% desses lucros foram diretamente para os paraísos fiscais, livres do fisco americano. No mundo inteiro as manobras contaram e ainda contam com a cumplicidade “legal” de instituições financeiras de grande prestígio , como a Citygroup, a Barclays e a Morgan Stanley que além de operarem nos respectivos países mantem relações com centenas de sucursais offshore. A cidade suíça de Zug, antes da parcial intervenção governamental, era um dos mais prestigiados paraísos fiscais, tendo ali registradas 29 mil empresas operadoras, praticamente uma por cada um de seus 26 mil habitantes. Nas dezenas de offshores espalhadas pelo mundo, cujos principais usuários são especuladores financeiros, governantes corruptos, ditadores narcotraficantes, xeques,  entre outros, haveriam contas ilegais de mais de 60 milhões de pessoas.                                                                 

OS 25 ANOS DE ‘MANI PULITE’ A LAVA JATO ITALIANA

 Tudo teve início no dia 17 de fevereiro de 1992, quando foi preso o empresário Mario Chiesa: foram dois anos seguidos de “mani pulite”, que somente entre os indagados da área de Milão viram passar sob os inquéritos de António di Pietro nada menos que 4520  executivos de grandes empresas, ex-ministros, um chefe de governo, leaders políticos de todos os partidos, muitos dos quais desapareceram para sempre da cena política italiana. Na época a Itália passava por uma crise económica profunda, dramatizada pelos massacres realizados pela máfia, que levou  o governo a desvalorizar a “lira” e a se apossar de uma taxa de 6 por mil sobre os valores depositados nas contas correntes de todos os italianos, para tentar reequilibrar as finanças do país. Foi uma época de esperanças na mudança da corrupta politica pública do país, com a formação de novos partidos e de instituições dedicadas à proteção dos interesses dos cidadãos. Mas, de acordo com os analistas, já faz tempo que voltaram abusos e corrupção enquanto os partidos políticos continuam a atuar em favor dos interesses próprios e de minorias, mantendo ligações íntimas com os capitais ilegítimos. Dizem que o país não soube aproveitar da abertura moralizadora de “mani pulite” e que, se atualmente diminuiu o poder das secretarias dos partidos, cresceram as interferências de grupos de traficantes financeiros corruptos, ligados a supostos executivos, a políticos  e a máfias locais. Ainda não há uma resposta, nem previsões, em relação ao futuro do Brasil depois que o movimento Lava Jato terá virtualmente concluído a sua obra de limpeza:  permanecem dúvidas sobre a radical extinção das multíplices faces da corrupção no cenário financeiro e político do país.

Museus dos EUA sem obras de imigrados?

O Davis Museum do Wellesley College, no Massachusetts (Usa), decidiu que por uma semana não  exporá em suas salas as obras de arte realizadas ou doadas por estrangeiros. Nas paredes quase vazias, no lugar das obras que atraiam a atenção dos visitantes  aparecem agora telas pretas com a escrita “criada por um imigrado “. A iniciativa, tomada também por outros museus tem o título “Art-Less” (Sem Arte) e é uma resposta às restrições do presidente Trump relacionadas com a vinda e a permanência de emigrantes estrangeiros. Os curadores do Museu  comentam a iniciativa afirmando que sem as telas feitas por estrangeiros a maioria das salas deveriam ser fechadas. Entre as obras mais importantes substituídas por um quadro negro há o retrato de George Washington, realizado por Adolf Ulrik Wertmüller, que emigrou nos Estados Unidos em 1790 , e que foi doado  ao Museu por uma família de emigrantes.