AEROBLOG de 5 de março

VOOS LOW-COST TAMBÉM PARA OS ESTADOS UNIDOS

O anuncio da empresa aérea Norwegian Air Shuttle de que a partir de junho irá operar voos low-cost entre a Europa e os Estados Unidos, se tornando a empresa com o maior número desse tipo de frequências operando entre os dois lados do Atlantico, estava sendo aguardado com preocupação pelas companhias regulares norte-americanas, se acrescentando às reações causadas pelas operações das asiáticas vindo de Dubai via Milão e, em breve, via Atenas. A subsidiária da Norwegian Airlines estava se preparando há tempo para inaugurar os voos “low-fare”, com passagens promocionais somente de ida que a partir de junho serão vendidas por 69 euros. Numa segunda fase haverá também tarifas de cerca de 95 euros, com direito à reserva e a todos os serviços excluídos nesta fase inicial. Essas passagens serão acessíveis exclusivamente para embarques na Escócia, Irlanda e Irlanda do Norte e tendo inicialmente como destino somente escalas das áreas de Nova York ou Boston. Os voos dos novos Boeing 737 da Norwegian utilizarão aeroportos secundários: na aérea de NYC o Stewart Internacional Airport, localizado a 112 km. da cidade e na área de Boston o Bradley Internacional Airport, onde as taxas operacionais são menores daquelas das escalas principais. A tarifa promocional não inclui o custo de embarque de malas desacompanhadas, o almoço a bordo e a escolha do assento. Nos dias da semana os voos que decolam de Edimburgo tem destinos diferentes, sendo diário apenas aquele para New York City; em dias alternados as operações são para Providence (Rhode Island) e Boston. Outros voos saem de Edimburgo e de Belfast, sendo previstas também rotas ligando os Estados Unidos a Cork, Dublin e Shannon. A Norwegian operará um Boeing 737 Max de 189 assentos e autonomia de 3.515 milhas, e aguarda a chegada de outras 6 aeronaves do mesmo modelo, do qual tem encomendado à Boeing 100 unidades, para expandir a sua rede low-cost na Europa e além mar. A empresa será por enquanto a única a operar voos low-fare para os Estados unidos, após uma longa polêmica com as empresas americanas para obter direitos de tráfego com tarifas abaixo das vigentes: mas já circulam informações sobre a intenção da British e da Ibéria de oferecer low fares entre Barcelona e N.York ,além das iniciativas da Air France e da Lufthansa visando operar as aeronaves de suas subsidiárias nas rotas do Atlântico. No Brasil, onde o tráfego aéreo enfrenta dificuldades de crescimento, fala-se bastante do sucesso que aguardaria uma empresa “low-fare”, mas ainda faltam projetos e capitais. A Azul e a Avianca seriam possíveis candidatas. 

O Futuro da América Latina na era Trump

As opiniões de muitos analistas coincidem na convicção de que a América Latina está vivendo o fim de um ciclo econômico e que se encontra à beira de alterações politicas de impacto nunca antes registradas. Isso após uma década na qual a maioria dos países da área tem alcançado os pontos mais elevados de seu desenvolvimento econômico e industrial: seria o final de um ciclo que atualmente evidencia a necessidade de mudanças radicais, a começar pela mudança das classes dirigentes, segundo o livro “A América Latina na era Trump”, de autoria de Francisco Giappichini, que acaba de ser publicado em vários países da Europa. Somente novos executivos poderão criar novos impulsos ao crescimento industrial, reduzindo o tamanho das diversidades sociais, que penalizam as classes com menor poder de barganha. Esse maior crescimento deverá se abrir novas oportunidades de trabalho para todos e a substituição da maioria da atual classe considerada “dirigente”, da qual as investigações em curso evidenciam a corrupção e a insensibilidade social: segundo o autor, ele abrirá para milhões de trabalhadores o reconhecimento de direitos que os regimes até agora dominantes tem minimizados ou totalmente ignorados. Essa seria a forma de atualização da América Latina necessária para acompanhar a evolução populista que supostamente será realizada nos Estados Unidos  pelo governo Trump.  

ALITALIA A TAP NA CONJUNTURA AÉREA

A IATA prevê um 2017 novamente positivo para a indústria de transportes aéreos internacionais apesar dos indícios da permanência da crise econômica em alguns países e de um aumento do preço do combustível de aviação que no final de 2016 já custava US$ 10 mais caro por barril. A IATA enfatiza que a mesma indústria que perdia dinheiro quando o barril custava US$ 20, recentemente tem encontrado formulas de aproveitamento de assentos e iniciativas promocionais que tem minimizado a influência negativa do preço do combustível sobre os custos operacionais, calculados em até 33%. Criou-se uma nova visão da “profitability” que, com oportunas iniciativas promocionais e controles dos custos, permite às empresas de afrontar com sucesso situações econômicas conjunturais desfavoráveis. Entretanto, vem da Europa os resultados de duas companhias que estão atravessando situações opostas: De um lado há a Alitalia com perdas que em 2016 teriam superado os 400 milhões de euros, do outro a Tap portuguesa que - reduzindo seus custos operacionais de 156 milhões de euros e de 3% a oferta de lugares, mas mantendo a qualidade do serviço e abrindo novas rotas – conseguiu minimizar a falta de mais aeronaves modernas renovando os interiores de sua frota de Airbus, fechando 2016 com um imprevisível lucro de 34 milhões de euros sobre uma receita que se reduziu de 2,39 bilhões para 2,2 bilhões de euros, apesar de a empresa ter transportado 11,2 milhões de passageiros, um novo recorde com mais 400 mil novos embarques nos seus voos. Enquanto isso, a capitalização realizada pelos novos acionistas permitiu substanciais investimentos na companhia, com destaque para a criação da Tap Express e pela renovação total da frota regional, até então a mais antiga da Europa e atualmente a mais jovem entre as que operam no continente. De outro lado, aparentemente por causas estruturais inclusive relacionadas com o funcionalismo, o balanço e as previsões da Alitalia estão longe das expectativas que vieram após a sua fusão com a asiática Etihad . Sabe-se que se não for conseguido até o final do mês o entendimento com os bancos para a nomina de  Luigi  Gubitosi, ex diretor financeiro da Fiat ,para a chefia da aérea, a opção que está sendo considerada seria a volta à administração “controlada” de parte do governo, para que o país continue operando a “sua” companhia aérea .