AEROBLOG de 2 de abril

Aonde foi parar aquela “Classe C” nacional cujo progresso na pirâmide social do país mereceu um texto em seis colunas do jornal econômico “Valor” de 31 de agosto de 2012 sob o título “Classe C agora dá as cartas no consumo”? Segundo o artigo, ela tinha como principais “sonhos de consumo” comprar um imóvel (45%) um carro (34%) e cuidar da “educação” como investimento para o futuro (25%). A pesquisa da GS&MD evidenciava a importância que o novo consumidor atribuía a “ter um imóvel maior ou em melhor localização” e, em relação ao investimento cultural, ”passou a enxergar que a educação permite a ascensão e garante aos filhos uma vida diferente daquela que eles próprios tiveram”. Assim em 2012º porcentual de jovens “que tinham ensino médio completo ou superior completo passou de 40% em 2007 para 46%.” Em outro texto, o jornal destacava “Classe C descobre hotel quatro estrelas”, de acordo com uma outra pesquisa realizada pelo instituto “M.Sense”, especializado em enquetes no mundo da internet: 873 pessoas residentes de todas as regiões do país participaram da pesquisa, sendo que 44% delas declararam que viajaram de avião e uma metade duas vezes no mesmo ano. Estatisticamente a frequência de suas viagens foi equivalente aquela da classe B, com uma parcela de 17% indo para países sul-americanos: 26% deles para o Uruguai, 32% para o Paraguai, 37% para a Argentina. Dos restantes,19% escolheram os Estados Unidos e 23% Portugal e Espanha. Desses totais cerca de 28% se hospedaram pela primeira vez em hotéis de três e quatro estrelas. O que sobrou desses brasileiros que o governo popular da época havia “promovido” para a Classe C, com todas as vantagens do up-graded?

O ABC das roubalheiras nacionais

Dizem que são poucos os políticos e os executivos que resistem às tentações que lhes são oferecidas pelas posições dominantes que ocupam no país, para se apossar indevidamente de verdadeiros capitais, oferecidos por indivíduos ou firmas à procura de lucros fáceis, que aceitam quaisquer recursos ilícitos para enriquecer. O Brasil – como é evidenciado pelas centenas de inquéritos inaugurados há três anos pela operação “Lava Jato” - se encontra atualmente na vanguarda, pois ainda, e em continuação, são descobertas novas “personalidades” desse mundo criminoso. Mas a chamada “Arte de furtar”, aproveitando posições privilegiadas nas firmas particulares ou nos governos vem de longe: em particular, no idioma português há um livro publicado em 1652 com esse título no qual o rei de Portugal é alertado sobre os malfeitos dos então súditos brasileiros. No país já se tornaram “clássicas” as roubalheiras ligadas às licitações de obras governamentais, nas quais as partes dividem os lucros obtidos em decorrência de informações confidenciais ou de superfaturamento. Outra valiosa fonte de lucros, com a cumplicidade dos políticos, é propiciada pelas emendas parlamentares, mas há também quem rouba na organização de eventos, particulares ou oficiais, ou desviando verbas destinadas pelo governo a contratos de publicidade ou de consultoria, com o agravante, de origem recente, de” anonimizar “no exterior e transformar em dólares os milhões de reais das falcatruas realizadas no país. Isso é somente um flash dos mais comuns recursos utilizados no país para roubar em grande escala – que está sendo combatido firmemente, mas com poucas chances de mudança no médio prazo - pois se trata de uma arte que se renova de acordo com as habilidades dos autores e, muitas vezes, de um crime que compensa.

INVÓLUCROS DE PLÁSTICO SÃO NOCIVOS À SAUDE?

O ponto de interrogação do título, segundo pesquisadores norte-americanos e europeus é abusivo, inventado por todas as empresas distribuidora de alimentos involucrados em proteções plásticas, que supostamente os preservam de infecções externas. O alarme tomou amplitude mundial após uma pesquisa realizada à cinco anos na Califórnia, em San Francisco, a cidade conhecida como a maior protetora da saúde pública dos Estados Unidos, provocando em curto prazo a redução do uso do bisfenol e do Dehp utilizados para endurecer e tornar flexíveis e transparentes os produtos plásticos. Na época o livro “Plastic: a Toxic Lovestory” superou os recordes anteriores de vendas, mas os resultados práticos foram minimizados pela reação das centenas de segmentos industriais interessados em continuar recorrendo a esse prático e barato método para supostamente proteger a grande maioria de seus produtos alimentares, da agua mineral em garrafas à manteiga em pacotes de 100 gramas, sem contar também os pratos e os copos de plásticos, que atualmente muitos países não utilizam na alimentação diária. Há dias, aqui no Brasil vimos centenas de peças de carne em duvidoso estado de conservação embrulhadas em plásticos transparentes, aguardando o controle sanitário. O plástico de proteção contribuiria a afetar as condições de conservação desse e de outros produtos? Após que em 1958 a Food and Drug Administration americana liberou nada menos que cerca de 3.000 formulas químicas para serem utilizadas nos plásticos em contato com produtos alimentares, as poderosas lobby tem conseguido anular nos Estados Unidos todas as tentativas de revisão. Mas ninguém respondeu à pergunta que de vez em quando perturba aos consumidores: admitindo que a quantidade mínima de produtos químicos utilizados nos invólucros plásticos não tenha consequências imediatas para a saúde dos consumidores, o seu uso continuado e o acúmulo de suas variedades pode ser assimilado ao longo de anos sem consequências causadoras de doenças que às vezes são de origem desconhecida?