Aeroblog  de 16 de abril

Uma vez, não faz muito tempo, voar era uma façanha e não apenas um meio para ir de um ponto da terra a outro. Mas com o passar dos anos transformou-se para os passageiros num motivo de aborrecimentos. Você fica na espera em longas filas, com a possibilidade de ser submetido a buscas, inclusive corporais, raios X, interrogatórios, de ser ofendido e, numa indiscriminação final, quando subirá a bordo será separado por classes. E daí para frente às coisas podem piorar. Como aconteceu domingo no aeroporto O´Hare de Chicago, onde funcionários de segurança expulsaram a força passageiros de um voo da United, pois a empresa precisava de assentos para o seu pessoal. Um deles opôs resistência física registrada pelos passageiros em vídeos, cuja difusão pela internet teve efeitos explosivos, que poderiam afetar os futuros negócios da companhia. No dia seguinte, Oscar Munhoz, executivo da United, desculpou-se publicamente por ter sido necessário “re-accomodate these customers” ignorando o fato que um deles, de profissão médico, havia saído do avião com a boca sangrando, após ter resistido à força usada pelo funcionários para expulsa-lo de seu assento. Somente no dia seguinte Munhoz reconheceu que “no one should ever be mistreated this way”, usando um verbo que indicava muito menos que os “maus tratos” que vitimaram o passageiro. Com a clareza de sempre, assim como outros jornais dos Estados Unidos, o The New York Times relatou esse incrível episódio , acrescentando este duro comentário :  ‘Os maus tratos que a United usou contra o médico foram excessivos, mas atitudes inconvenientes com os usuários já se tornaram um procedimento operacional standard das empresas aéreas. Elas integram uma indústria oligopolista que tornou-se “callous” (cruel, insensível)  com os usuários, desde que lucra bilhões em receitas, graça à forte demanda e aos preços baixos do combustível. Recentemente as maiores empresas tem apertado os assentos de econômica ao ponto de obrigarem os americanos de tamanho médio a ficarem intimamente familiares com os joelhos alheios. E ainda, além de cobrar mais pelo embarque de bagagens registradas, que por muitos anos não haviam sofrido mudanças ,  obrigam também muitos passageiros a pagarem tarifas extras para embarcar por primeiros, para ter mais espaço para esticar as pernas e, num recente abuso, para ter o direito de colocar as bagagens de mão no espaço que lhe é reservado sobre as poltronas.”

IMPRENSA AMERICANA CRITICA SUAS EMPRESAS AÉREAS

Nos jornais de Nova York ainda pode ser lido: “Não há nenhum mistério para descobrir porque as viagens aéreas ficaram tão desagradáveis. Quatro grandes empresas — American, Southwest, Delta e United — dominaram em 2016 cerca de 69% do mercado aéreo domestico- bem acima do índice de 2012 divulgado pelo governo, que chegou a 60% .Esses números evidenciam o tamanho atual da competição, que reduz a uma ou duas as opções de viajar oferecidas aos passageiros, uma vez que as grandes companhias transformaram seus aeroportos principais em virtuais fortalezas. No aeroporto O`Hare, no ano passado a United, American e três empresas menores suas afiliadas embarcaram cerca de 80% do tráfego total. Houve reclamações pelos abusos , e-mails furiosos que não impressionaram as empresas, em vista da atual solidez de suas estruturas básicas. Por isso não foi uma surpresa descobrir que nenhuma das “big four” fosse incluída na lista das 10 melhores do mundo elaborada pela TripAdvisor, com base nas opiniões dos passageiros, na qual apareceram duas empresas menores, a JetBlue e a Alaska Airlines.). As grandes fusões entre companhias, permitidas pelas administrações Bush e Obama são responsáveis pela conjuntura: a união entre American e USAirways, United e Continental, Delta e Northwest ,mais a relutância histórica do Departamento de Transportes de regulamentar as atividades das empresas aéreas que voam fora do país, contribuíram a agravar a situação, que não mudou sob a presidência Trump. No mês passado a secretária de transportes transferiu sine die a analise da proposta feita pelo governo anterior de exigir das empresas aéreas esclarecimentos sobre suas políticas de cobrança de taxas extras nos transportes de bagagens e até sobre as indenizações pagas pelas perdas de cadeiras de rodas de inválidos. É claro que, até quando o governo americano não decidir regulamentar o relacionamento entre empresas aéreas e passageiros, situações como as acima citadas continuarão a se verificar, fazendo com que os passageiros sejam   tratados como dependentes, sem a preocupação de satisfaze-los ou de perde-los para sempre.

AGORA A EQUIPE DO MILAN É CHINESA

Após quase um ano de contatos entre as partes a venda da equipe do Milan os chineses foi concluída. E já foi disputado entre elas o jogo comemorativo, que acabou com o empate de 2 a 2. O dono do Milan, Silvio Berlusconi, que não quis presenciar a cerimónia de entrega, lembrou que ao longo de 31 anos a equipe ganhou 5 Copas, até passar (assim como já ocorreu com a Inter) a ser de propriedade do chinês Yonghonghjogo. A operação teve a intervenção da holding Fininvest, que cedeu 99,9 de suas cotas, avaliadas em 740 milhões de euros. Foram acertados os 220 milhões de dívidas e o negócio foi fechado após a chegada do Luxemburgo dos 190 milhões que faltavam, remetidos pela “Rossoneri Sport Lux” a sociedade que controlará diretamente o Milan.

APÓS O ‘CASO’ DA UNITED A DELTA DOBRA SUAS INDENIZAÇÕES

O “caso” da United Airlines, cuja violenta expulsão de um passageiro que já se encontrava a bordo de um seu voo já se transformou em mais um episódio negativo que evidencia as falhas no relacionamento entre as empresas aéreas americanas e seus passageiros, tem preocupado todas as companhias que operam no país, pelas consequências que poderá ter sobre o tráfego internacional que sai dos Estados Unidos. A primeira empresa a divulgar uma importante mudança que vigorará nos casos de ”overbooking” foi a Delta: seus funcionários, caso no respectivo aeroporto forem obrigados a desembarcar um passageiro, agora poderão lhe oferecer como compensação até US$ 2.000. Segundo a agência Blomberg a Delta já divulgou entre seus funcionários essa autorização, que duplica o valor da indenização, até agora limitada a 800 dólares, enquanto outras empresas discutem providências para evitar que o ocorrido seja capitalizado pelas concorrentes, e em particular pelas aéreas asiáticas.

CAPITAIS 100% ESTRANGEIROS NO BRASIL

Volta no Brasil a “novela” das empresas aéreas estrangeiras operando no país com 100% de capitais próprios, inclusive nas rotas nacionais. Até agora elas podem participar com apenas 20%, não tendo sido aprovada a proposta de um aumento até 49%. Em várias oportunidades analisamos os prós e contras da iniciativa que, em vista da escassa eficiência das atuais operadoras, tem mais pontos a favor. O governo teria a intenção de publicar um decreto que liberalizaria a vinda no país de companhias dispostas a investirem e operar sem vínculos ou em posição de inferioridade com as aéreas brasileiras. A proposta, que circula há mais de uma década pela Câmara e pelo Senado sem conseguir limitar a 49% a participação de capitais estrangeiros, de repente assumiu carácter de urgência, pois mais uma vez governo e Ministério do Turismo querem aumentar o fluxo turístico ao Brasil, notoriamente um dos mais fracos do mundo, considerando o potencial de atrações naturais e históricas que o país oferece. E´ só aguardar a publicação do projeto de lei que – nesta época de Lava Jato – se espera não tenha sido objeto de ilícitas solicitações, de possível interesse limitado aos proponentes. Há até quem já levantou a possibilidade de se tratar de uma iniciativa da Azul, para permitir a vinda da JetBlue americana (com a qual possui vínculos estreitos) visando eventualmente se fundir com ela para realizar aquela cobertura total do Brasil, regional e internacional, que estava nos sonhos de seu dinâmico fundador, antes que a tentativa de fusão com a Tap portuguesa ficasse pela metade.