AEROBLOG de 29 de janeiro

O DRAMA DA ALITALIA

A diretoria da Alitalia tem recomendado que a edição desta semana da revista ”L´Espresso” não seja embarcada com as publicações de leitura a bordo, devido ao seu conteúdo pessimista sobre o destino da empresa aérea italiana, após a recente crise de suas relações com a asiática Etihad, sua sócia minoritária (49%) há cerca de dois anos. Segundo o texto, os balanços semestrais da companhia acusam perdas ingentes de receitas que exigem uma revisão do acordo, aumentando as respectivas participações e novos cortes no numero do pessoal de bordo. E´ possível que em poucas semanas as “perspectivas aciendais tenham piorado em maneira tão dramática? “E´ possível que a mesma Alitalia, que no primeiro semestre parecia próxima a alcançar um balanço equilibrado, no final de junho já estivesse perdendo mais de 200 milhões de euros, ou seja o dobro do mesmo período de 2015 ? Para explicar a mudança as “fontes oficiais da empresa” a atribuem ao crescimento económico europeu e em particular italiano inferior ao previsto, que reduziu o número de viagens dos segmentos comerciais mais afetados, além do temor de novos atos terroristas nos principais destinos europeus os quais operam também outras companhias. Assim em setembro passado as perdas diárias da Alitalia subiram para meio milhão de euros, evidenciando a impossibilidade de limitar o prejuízo de 2016 em volta de 140 milhões de euros, parecendo inevitável que ele chegaria em volta de 400 milhões. Em outubro, numa entrevista  ao diário Corriere della Sera , o executivo da Etihad , Hogan ,que havia apoiado a fusão com a Alitalia atribuiu a grave situação ao fato do governo italiano não ter cumprido todos os compromissos previstos na assinatura do acordo, entre os  quais ter permitido mais frequências de empresas concorrentes no aeroporto de Linate e de não ter realizado  investimentos no exterior de 20 milhões de  euros para promover alguns destinos turísticos no pais. Sem contar as exigências dos sindicatos para manter privilégios já superados em outros países.   E assim, para “salvar o acordo” a Etihad decidiu emitir em dezembro um modelo de ação chamada de “quase equity” totalizando 215 milhões, e conseguiu a reabertura dos créditos bancários assinados pela Alitalia. Ao mesmo tempo o ministro italiano do Desenvolvimento Econômico admitiu a necessidade de importantes mudanças para salvar a fusão; entre outras voltou de atualidade o projeto de dividir a Alitalia em duas empresas ; uma operando nas rotas nacionais e nas de medias distancias na Europa como companhia low-cost , outra para ligar a Itália a mais rotas intercontinentais que são as mais lucrativas. Essa duplicidade empresarial, que havia sido discutida e prevista em 2013 não foi implementa após a fusão com a companhia árabe, parece agora a última oportunidade para salvar a aérea italiana. Essa atualização comercial que não recebeu nos anos passados toda a atenção que merecia, apesar da evidente necessidade de uma profunda reestruturação, conta agora com o apoio ministerial italiano e das autoridades asiáticas voltou a ser debatido à procura de uma formula eficiente. É um fato que em 2014 foi assinado o acordo com a Etihad e, ao longo de menos de três anos se acumularam quase dois bilhões de perdas suplementares.  Parece que James Hogan, delegado da Etihad considerado o maior responsável pelo insucesso da fusão, será afastado pois agora “não há mais tempo para brincadeiras”. Nos últimos dez anos a Alitalia quase faliu e quase renasceu três vezes e custou aos contribuintes italianos cerca de 7,4 bilhões de euros, segundo cálculos de analistas. Atualmente tem 12.700 dependentes ,dos quais cerca de 5 mil representados por comissários , pilotos e outro “pessoal de voo”; em 2015 transportou 22,9 milhões passageiros, e em 2016 teve um load factor médio de 76% (81 % no ano anterior) , sendo suas perdas de balanço em 2016 estimadas entre 400 e 600 milhões de euros.

CRISE GERAL NA INDÙSTRIA AÈREA

Apesar da notável baixa do preço do combustível de aviação dos últimos anos, que após os entendimentos entre as produtoras de petróleo associadas à OPEP voltou recentemente a subir, a indústria de transportes aéreos viu as suas receitas baixarem devido à redução do número de embarques : crises econômicas e mais recentemente restrições a determinadas categorias de viajantes tem reduzido a procura, obrigando em muitas rotas a drástica redução das tarifas, em particular na Europa. Também os Estados Unidos, maior destino internacional, tem enfrentado problemas de aproveitamento, que foram minimizados com a redução do número de voo e com a utilização de aeronaves menores. No caso do Brasil as quatro empresas que operam para os EUA, a Europa e vários países da América do Sul além de transferir o recebimento de novas aeronaves tiveram que encostar várias unidades e em várias rotas reduzir o número de frequências. Não se sabe se foi em consequência desses problemas, mas verificou-se também em quase todos os países a pioria dos serviços prestados aos viajantes, exigindo a intervenção das autoridades aeronáuticas para que sejam respeitados os direitos dos passageiros. No Brasil a Anac reviu as normas de embarque das bagagens e enfatizou o respeito dos diretos dos passageiros, em casos de atraso ou cancelamento de voos, enquanto outros países pretendem nesta emergência se diferenciar dos restantes recorrendo a planos de assistência adiantada que reduzem o desconforto dos viajantes quando ocorrem imprevistos de atrasos, cancelamento de voos ou outros problemas operacionais nos aeroportos e à bordo, sempre mais frequentes nesta fase da aviação comercial. As imposições do governo Trump representam mais um elemento negativo para a normalização das relações aéreas.