AEROBLOG de 12 de março

A JUSTIÇA DOS U.S.A. E O ‘CASO‘ ODEBRECHT

Os Estados Unidos não estão entre os países com o menor número de ‘casos’ de natureza financeira, ou seja com histórias envolvendo capitais e organizações nacionais, ligadas de uma ou outra maneira ao mercado de trabalho ,que possam ser citadas pela lisura de suas operações no país ou no exterior. Várias repúblicas, em pelo menos três continentes, tem colaborado ou foram vítimas de operações que, basicamente sob aparências legais e com a participação de entidades nacionais corruptas, sugaram delas suas melhores fontes de lucro em vários setores desde a edilícia até as atividades produtivas ligadas em muitos casos ao desenvolvimento do próprio país. Essa realidade revela parâmetros acima da média no caso brasileiro, mas o que surpreende é a reação americana, considerando a politica de várias suas organizações que, em particular no passado procuraram pelo mundo inteiro lucros a qualquer preço. Com tudo isso, atualmente são as atividades da multinacional Odebrecht que causam surpresa no Departamento de Justiça dos Estados Unidos. De fato não é comum descobrir que desde 2001 a holding brasileiro cuja estrutura abrangia 28 países e possuía 168 mil funcionário pagou , segundo informações locais , cerca de 778 milhões de dólares em comissões ilícitas a funcionários governativos de 12 países da América Latina e da África, recebendo em troca uma centena de contratos avaliados em mais de 1,4 bilhões de dólares.  A empresa já aceitou pagar uma multa de US$ 3,5 bilhões, depois que a task force de representantes dos EUA, Suíça e Brasil, no quadro das investigações realizadas pela “Lava Jato” e pela Justiça americana descobriu que a holding brasileira se havia tornado titular do “maior caso de corrução da história”. A habilidade do chamado “setor das operações estruturadas” da organização, após a detenção do presidente Marcelo Odebrecht, revelou a existência de um sistema ilegal de pagamentos e cobranças – em particular na América Latina e África - sem similares por sua eficiência e pelo montante dos valores das “transações” efetuadas e transferidas em dólares e em euros para uma rede off shore com filiais em vários países.

OS TORTUOSOS CAMINHOS DE CERTA PUBLICIDADE

 “Amplas janelas com vista de Manhattan, perto do Central Park e do Rockefeller Center, ideal para viver a experiência “newyorquina”, esse anúncio de um apartamento localizado na famosa “Midtown” publicado pela Airbnb em setembro passado e repetido várias vezes nos meses sucessivos chamou a atenção de centenas de interessados, apesar do seu elevado preço de aluguel: entre 300 e 450 dólares por noite e uma reduzida disponibilidade de apartamentos. O anúncio fornecia apenas o número do edifício, mas quem pesquisou por mais detalhes acabou descobrindo que o endereço do apartamento correspondia ao da Trump Tower, onde o novo presidente americano mantinha o seu” general quarter”, antes de se transferir para Washington. O anúncio dava ênfase à oportunidade de “viver uma fase da história dos Estados Unidos” na “location” da família do presidente, usufruindo durante os dias de permanência de um nível de segurança sem comparação em quaisquer outra localidade de Nova York. Sem contar a possibilidade de encontrar Melánia Trump no elevador. Dizem que cerca de 500 pessoas fizeram suas reservas para permanecer no apartamento por alguns dias dos meses de março, abril ou maio. Até que um repórter do “The New York Times” decidiu há dias de investigar o anúncio da Airbnb: mas quando a agência descobriu que o interessado era um jornalista logo suspendeu a publicidade à pouco comum oportunidade de conviver com o novo presidente dos Estados Unidos e com a sua esposa, apesar de alguns inconvenientes, quais ter que passar por inúmeros controles policiais antes de ter acesso à Tower e de ouvir o barulho das manifestações feitas por grupos de eleitores contrários a Trump. A suspeita que o anúncio escondesse algo de irregular surgiu num repórter do The NYT quando recebeu da secretária da Airbnb a sugestão de um encontro discreto para melhor tratar do assunto do aluguel: para se tornar confidencial ele devia esconder algo que podia valer a pena divulgar na imprensa. Mas a locadora, quando descobriu que o interessado era um jornalista e que pretendia escrever uma reportage sobre a matéria imediatamente retirou o anúncio. Ficou evidente que algo era ilegal. A começar pelo fato que em Nova York não é permitido publicar ofertas de aluguel de apartamentos por menos de um mês de duração, sendo obrigatório citar algo mais que apenas o endereço do imóvel (que era 721 Fifth Avenue) sem acrescentar uma específica referência à Trump Tower, pois nesse caso deveriam ser informados os Serviços de Segurança da cidade. A atrapalhada mereceu mais investigações e confirmou que os caminhos da publicidade são infinitos e que muitas vezes não dizem toda a verdade, sendo necessária a contribuição da imprensa para que ela seja inteiramente revelada.   

COMOÇÃO NO JAPÃO NO 6º ANIVERSÁRIO DO TSUNAMI

Fazem seis anos desde que em 11 de março de 2011 um violento terremoto e o chamado tsunami semearam o luto no Japão matando mais de 18 mil pessoas e causando graves problemas à central nuclear de Fukushima. O terremoto teve a raríssima violência de 9 graus Ritcher, bloqueando os sismógrafos e se refletindo nas aguas do Oceano, que se levantaram e golpearam com ondas anômalas as costas do país, cujos edifícios que foram tragados juntamente com a maioria dos moradores. Às 11h46 de sábado - no minuto exato em que teve início a catástrofe - o país inteiro parou para lembrar as vítimas, comemorando nas duas cidades mais atingidas, em cerimónias dramáticas, a maior tragédia já vivida pelo Japão, após os ataques aéreos a Hiroshima e Nagasaki, realizados pelos Estados Unidos com bombas nucleares, visando acelerar sem considerações humanitárias o fim da 2ª guerra mundial. O lúgubre som do “alarme tsunami” foi novamente ativado e voltou a espalhar as suas notas lutuosas, enquanto era lembrado que dos 120 mil ex-moradores de áreas próximas da central cerca de 40 mil ainda não conseguiram voltar aos seus lares, devido à permanecia de radiações nucleares nessas regiões.